A hora de um novo campeão baiano: A-T-L-É-T-I-C-O

paulo leandro
05.08.2020, 05:00:00

A hora de um novo campeão baiano: A-T-L-É-T-I-C-O


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Mais uma bela ação afirmativa do querido Esporte Clube Bahia está ao alcance com a oportunidade de permitir ao Alagoinhas Atlético Clube a conquista do, para ele, inédito título de campeão baiano.

Um clube já tão laureado desde o berço, e agora identificado com as causas dos direitos civis, pode muito bem aplicar o princípio de pluralidade ao dedicar ao representante alagoinhense a alegria da primeira taça.

Sim, Bahia, já é hora de mudar este temperamento comilão e passar a dividir com os coirmãos as alegrias concentradas no pavilhão azul, vermelho e branco. E mais: além de termos o Atlético campeão, podemos auditar títulos polêmicos e repartir alguma outra porção de taças.

Esta, seria, a nosso ver, a maior ação afirmativa, compatível com o alinhamento da luta da mulher, do indígena, do negro, a favor do SUS, protesto contra a mancha de óleo nas praias do Nordeste e tantas outras iniciativas de virtudes e valores morais olimpianos.

Chegou a hora de investir no valor pluralidade. O Bahia será mais reconhecido como um gigante do futebol, a exemplo do coirmão, ora eliminado, mas digno vice-campeão de quase todos: Leônico, Ypiranga, Colo-Colo, Bahia de Feira...

Em nada deslustra a história de um clube grande compartilhar a felicidade de suas glórias com agremiações de menor estatura, mas de igual dignidade desportiva, uma vez não ser a quantidade de faixas a determinar o caráter e as escolhas. Vamos, então, fortalecer nosso futebol, reconhecendo ao brioso clube alagoinhense, nascido da ideia de um padre e de um profissional de praça – daí o pneu ao redor do distintivo –, a oportunidade de adentrar a seleta galeria dos campeões baianos.

Louro este já faz por merecer desde as origens, nos anos 1970, enfrentando com denodo os efeitos das desigualdades diante dos clubes da capital e os do interior já estabelecidos, como o Fluminense, o Conquista e o Jequié.

Nenhuma agremiação baiana capaz de revelar um craque com o nome de Dendê pode ser menosprezada; ao contrário, a presença da mágica oleaginosa tão cultuada pelos afrodescendentes dá um tempero cultural de sabor inigualável ao fútil-ball.

E que estádio no Brasil teria uma associação de futebol de mesa de tal porte capaz de rivalizar com outros espaços dentro do Antônio Carneiro, inaugurado com a presença de Rivelino, em um épico clássico entre Bahia e Corinthians? É um detalhe decisivo para confirmar a grandeza do nosso Atlético.

Chegou a hora de confraternizarmos com o Carcará, ave carniceira bem cantada na voz da inigualável Maria Bethânia, capaz de pegar, matar e comer os adversários, embora tenha também seu pedaço de fênix, ao ressuscitar de um rebaixamento há poucos anos.

Ao Bahia, resta, uma vez mais, vestir a sagrada camisa tricolor para agradecer esta maior ação afirmativa de todas as já desenvolvidas pelo clube: incentivar a pluralidade no nosso futebol, a começar pela saudação ao novo campeão baiano, o Atlético de Alagoinhas.

Nena, Osório Vilas Boas, Cícero Bahia Dantas, Manu Francisco do Nascimento e tantos grandes tricolores, incluindo profissionais de comunicação conselheiros, e presentes à folha, foram importantes para o engrandecimento do clube, mas hoje são tempos de Bellintani, e o Bahia, pode sim, mudar para melhor, pois já é, disparado, o maior.

Paulo Leandro é jornalista e professor Doutor em Cultura e Sociedade.

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