A hortinha urbana do Jardim Pocket

coronavírus
24.10.2020, 07:00:00
Nascida em Catu, Josivania Virgens aprendeu a plantar com a avó (foto de Manuela do Vale)

A hortinha urbana do Jardim Pocket

Baiana aposta em kits para o cultivo de plantas e fatura R$ 30 mil por mês, após crescimento de 50% das vendas na pandemia

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Preparar bem a terra, plantar a semente.  Vibrar com aquele  primeiro broto que surge, acompanhar a  plantinha crescendo. Regar, colocar no sol. Tomar conta. A gente podia até estar falando da horta que alguém começou a montar no apê, quando passou a ficar mais tempo em casa por conta da pandemia. Mas o que cresceu mesmo nos últimos meses foram as vendas do Jardim Pocket (@jardimpocket). O kit para começar a plantar flores e hortaliças gerou um faturamento entre R$ 20 a R$ 30 mil por mês com  venda de mais de 5 mil latinhas de abril para cá. 

Antes da crise, a média era de 700 a 800 kits, o que levou a um crescimento de 50%. “Tomei um susto quando, no início da pandemia, as vendas caíram 80%. Foi preciso se reinventar. Antes, vendíamos muito para empresas. Hoje, a venda direta passou a ser muito maior, o que nos ajudou  a vender mais do que antes”, afirma a proprietária do Jardim Pocket, Josivania Virgens.

Ela destaca ainda, que o movimento do ‘faça você mesmo’ e o isolamento social também contribuíram bastante para tornarem o produto mais conhecido e recuperar o que foi perdido: “Com a mudança de comportamento, as pessoas passaram a dedicar mais tempo a cuidar de plantas durante a quarentena”.

Entre as espécies, têm coentro, girassol anão, manjericão, pimenta malagueta, rúcula, tomate cereja e trevo da sorte. Cada latinha custa R$ 29,90.

“As mais vendidas são o girassol, o trevo da sorte, o manjericão e o tomate cereja. Muitos clientes vão para o lado das flores ou do trevinho, o que tem um simbolismo muito grande”, afirma. 

Cada latinha do Jardim Pocket custa R$ 29,90
(Foto: Divulgação)

As pessoas compram acima de três kits e o ticket médio (consumo) fica em torno de R$ 89,90. “O nosso público alvo são pessoas que não sabem cultivar. O objetivo é vender para quem sempre teve vontade, mas faltou jeito ou nunca conseguiu, não sabia por onde começar. Já estamos, inclusive, planejando lançar até o final do ano novas espécies de hortaliças, flores e ervas para chás”, acrescenta.

 Apê mais verde
 Nascida no interior de Catu, foi com a avó, Dona Maria, que Josivania aprendeu a plantar. A memória afetiva de infância se transformou em negócio e em uma pequena fábrica em Lauro de Freitas, onde os kits são montados, junto com a preparação dos insumos.

“Fui morar em um apartamento, mas como eu sou do interior, sentia muita falta de ter plantinhas. Aí, decidi que iria montar uma horta. Sempre mexi com planta. Para uma pessoa que é da capital, mora na cidade grande, é muito difícil ter essa experiência que eu tinha a felicidade de ter. Então, eu pensei: quanta gente deve ter vontade de ter uma hortinha em casa e não sabe nem por onde começar?”, lembra Josivania

Josivania plantou a  semente e  passou a pesquisar modelos de negócio e ir em busca de tudo que fosse necessário para chegar ao produto que o Jardim Pocket é hoje: “Contratei uma designer de estampas para desenvolver um rótulo que transmitisse exatamente a felicidade de quem recebesse aquela latinha, com todas as informações necessárias para fazer o cultivo da planta. Também contamos com a assessoria de um agrônomo, além do suporte do marketing digital e de um pós-venda que esteja ali atender quem comprou e precisa de ajuda porque vai querer saber, por exemplo, qual o tempo ideal de sol ou se a plantinha dela está bem”.

Outra estratégia do Jardim Pocket está em conseguir despertar um sentimento de afeto, plantinha por plantinha que é cultivada. “Você recebe o kit e a partir desse momento cria um sentimento de zelo com a plantinha para que ela dê certo e cresça. É um processo muito rico até para pensar e associar a coisas da sua vida”, diz.

Há três anos, logo na primeira produção dos kits, foram vendidas 500 latinhas logo no primeiro mês. Atualmente, esse número é  quase três vezes maior:

“As pessoas adoram postar foto em família com a plantinha , falam muito bem do nosso produto e, com isso, nós vamos conquistando mais gente. Isso ajuda em tudo. É um produto que traz um jeito fácil de cultivar, ecológico e divertido.  Fico muito feliz”.

Assim como em um jardim,  o segredo é o cuidado. “Quando essa plantinha germina ela não cresce logo uma planta enorme, mas é um pequeno brotinho. Aquilo ali é o início de um sonho que você vai ter que continuar regando todos os dias, cuidando para que se torne realidade”, pondera. 


AS DICAS DE JOSIVANIA PARA SUA EMPRESA DAR CERTO

Nunca desistir: Se o seu produto é bom e ele tem um plano de negócios eficiente, o retorno vai chegar. “Mantenha sempre o foco”, diz.  

Não se acomode: Ou seja, nunca ache que o jogo está ganho só porque a meta de vendas do mês foi batida: “O resultado é dia após dia”. 

Na hora de vender:  Sempre esteja disposto  a atender seu cliente muito bem. “Tenha humildade para vender e estar sempre disposto a arregaçar as mangas para ver o seu negócio dar certo”, complementa Josivania. 


QUEM É

Josivania Virgens  Formada em Administração de Empresas, Josivania criou a Jardim Pocket em 2017

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