Agenda Bahia: Criatividade abre caminho para o lucro nos negócios

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02.11.2020, 05:00:00
Árley Samá e Éraldi Peterson, sócios do Studio Arandela e do Meu Canto (Foto: Divulgação)

Agenda Bahia: Criatividade abre caminho para o lucro nos negócios

Incorporar realidades culturais, sociais e ambientais rende bons frutos

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Os negócios relacionados à criatividade – baseados no capital  intelectual, social e cultural para gerar valor – representam para a economia brasileiro o equivalente ao valor de mercado de uma empresa com atuação global como a Samsung. O PIB Criativo brasileiro é aproximadamente R$ 171,5 bilhões, de acordo com dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O valor corresponde a 2,62% do Produto Interno Bruto (PIB) total do país, segundo a pesquisa. 

No quarto encontro do Agenda Bahia ao Vivo deste ano, o potencial econômico das atividades criativas será o destaque. Elisio Lopes Jr, roteirista, dramaturgo e diretor artístico, e Ricardo Laganaro, diretor audiovisual e sócio da Arvore Experiências Imersivas, irão falar sobre as dores e aprendizados dessa quarentena, a cultura no pós-covid, a revolução no audiovisual, realidade imersiva, novas linguagens, TV e teatro em uma sociedade hiperconectada, cada vez mais pautada pelos algoritmos. 

Na conversa, que será transmitida ao vivo pelo Youtube do CORREIO (@correio24h) também haverá espaço para diversidade, criatividade e a importância dos dados gerados pela arte. 

Mais de 837 mil brasileiros se sustentam através de atividades relacionadas à economia criativa, que representa 3,7% do mercado de trabalho no país. As áreas de consumo (43,8%) e tecnologia (37,1%) respondem por aproximadamente 80% dos trabalhadores criativos. 

Nos últimos anos, mesmo com o contexto de retração do mercado de trabalho no Brasil, as profissões criativas seguiram em alta, segundo a Firjan. Isso se deu porque as atividades  "de uma forma ou de outra, se relacionam ao contexto mundial de transformação digital e valorização da experiência do consumidor". Entre 2015 e 2017, quando a federação fez o levantamento mais recente, o Brasil perdeu 1,7 milhão de postos de trabalho, mas as atividades criativas, tiveram um incremento de 25,5 mil postos.

Em relação à remuneração, em média os trabalhadores criativos registraram uma remuneração média de R$ 6.801, enquanto a média nacional foi de 2.770, ressalta o estudo da Firjan. 

Faz diferença
O arquiteto Árley Samá, sócio do Studio Arandela e da Startup Meu Canto, percebeu que incorporar a cultura baiana e a sustentabilidade faz muito bem aos negócios.  A atuação profissional dele tem foco na criatividade e na economia circular. 

Segundo ele, a maior dificuldade para desenvolver um trabalho com viés para a economia criativa está no desconhecimento. "O que muita gente faz é economia criativa, existem muitas oportunidades, como editais, só que muita gente nem sabe que aquilo que está fazendo é na verdade economia criativa", pondera. 

"Hoje tenho um escritório de arquitetura no Comércio, com uma perspectiva diferente. A gente gosta de atuar com criatividade e sustentabilidade. Sempre tem um material diferente, algo que se possa reaproveitar", explica. 

Ele acredita que exista uma grande demanda de mercado por este tipo de trabalhos, além de estímulos cada vez maiores por parte do poder público. "Tem surgido algumas coisas, principalmente por parte da Prefeitura e do governo do estado, com editais e espaços para o desenvolvimento da economia criativa, economia de impacto e a economia circular", diz. 

A analista de atendimento do Sebrae-Ba, Nancy Nascimento, diz que apesar da escassez de dados regionalizados sobre a importância dos negócios criativos na Bahia é fácil perceber a relevância deles. “A gente meio que no feeling deduz a importância da criatividade para a economia. Salvador é uma das cidades que mais recebem turistas europeus e isso se deve à nossa história. É a cidade da música”, lembra. 

Para ela, outro sinal bastante claro pode ser visto pelo estrago que a pandemia causou por aqui. “Fomos muito impactados pelo isolamento porque dependemos de muitas atividades socioculturais que dependem muito do público, como teatro e a música”, afirma. 

Para Nancy, o principal desafio está na compreensão por parte do setor público de que é necessário se estabelecerem políticas de fomento. “O Brasil precisa definir políticas públicas para o setor. Se depender só do esforço do empreendedor, fica muito difícil porque muitas vezes ele nem se enxerga como parte dessa economia criativa”, explica. “Precisa ter muito investimento público para dar estrutura e permitir ao empreendedor se preocupar apenas em desenvolver o seu negócio”. 

“A gente não pode falar apenas como conceito econômico porque a área criativa traz a questão cultural e social também e cada vez mais com uma fote interação tecnológica. É uma economia da inovação, da sustentabilidade”, explica.  

Somente este ano a empreendedora e produtora cultura Iara Nascimento conseguiu estruturar uma ideia que já estava nos seus planos desde o seu casamento. “Quando casei, eu queria um cerimonial que pudesse fazer referência à minha ancestralidade, e não encontrei. Então, eu mesma produzi a minha festa. Agora, com a maternidade, eu quero levar essa ideia para o universo infantil”, lembra.

Ela montou o Cerimonial Lápis de Cor, que busca trazer personagens infantis com as quais as crianças negras podem se identificar. Iaciara já atua no bairro de Fazenda Grande do Retiro com projetos sociais e culturais, voltando principalmente para a juventude negra.

Atuar com esse trabalho focado na infância, explica a empreendedora, é importante, porque “é nessa fase que se constroem a identidade, a personalidade e a autoestima. E ter uma referência positiva de sua identidade vai reverberar no que o indivíduo vai se tornar. Sei que esse é um desejo dos pais também”.

“Tem muita gente que faz eventos infantis, mas eu percebi que existe uma demanda muito forte para um negócio que leve às festinhas das crianças o componente cultural. Há uma demanda não atendida muito grande”, explica. 

O Fórum Agenda Bahia 2020 é uma realização do CORREIO, com patrocínio do Hapvida, parceria do Sebrae, apoio da Braskem, Claro, Sistema FIEB e SINDIMIBA e apoio institucional da Rede Bahia e GFM 90,1.

SERVIÇO:
O quê: Fórum Agenda Bahia 2020 | Dados da Gente Economia Criativa nos novos tempos
Quando: 04 de novembro de 2020
Horário: 11h
Onde: Youtube do Correio 
Link e QR Code para a página do evento: 

Os Palestrantes
ElIsio Lopes (@elisolopesjr)

Com mais de 20 textos teatrais montados no Brasil, seu último espetáculo foi o musical Dona Ivone Lara - Um sorriso negro. Assinou o roteiro de programas de TV como Esquenta (Rede Globo) e Espelho (Canal Brasil) e a redação final do Lazinho com você (Rede Globo). Dirigiu DVD´s e espetáculos de importantes artistas da música popular brasileira como Ilê Ayê, Carlinhos Brown, Saulo, Margareth Menezes, Mariene de Castro, Ivete Sangalo, entre outros. É um dos roteiristas do longa-metragem "Medida Provisória" dirigido por Lázaro Ramos, com estreia no Brasil prevista para 2021. Atualmente é roteirista contratado da Rede Globo.

Ricardo Laganaro (@laganaro e @arvoreimmersive)
Ganhador do leão do 76º Festival de Cinema de Veneza como “Melhor Experiência em Realidade Virtual” pelo projeto “A Linha” e o Primetime Emmy Award por “Inovação Excepcional em Programação Interativa”. Trabalhou na O2 Filmes, dirigindo projetos, clipes e vídeos 360º que somam mais de 70 milhões de visualizações na internet. Também trabalhou com o Facebook na 1ª edição do programa ‘VR For Good’, dirigindo o documentário em realidade virtual “Step to the Line”, com première no Festival de Tribeca 2017 e selecionado mais de 30 festivais pelo mundo. Antes de fundar sua empresa, Laganaro dirigiu, pela O2, o clipe em 360º da música Farol, de Ivete Sangalo, que bateu recorde mundial de visualização.

MODERADOR:
Fernando Sodake

Natural de Vitoria da Conquista, além de jornalista é administrador de empresas, especialista em Comunicação empresarial e marketing e professor de oratória. Ganhador dois anos seguidos (2005 e 2006) do Prêmio BNB de Jornalismo etapa estadual. 
Começou como locutor de rádio na Rádio Clube 96 FM em 1995 e atualmente de editor e apresentador da Rede Bahia

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