Além de Gabriel Diniz, outros artistas já usaram táxi aéreo clandestino

brasil
27.05.2019, 19:44:00
Atualizado: 27.05.2019, 22:06:47
Avião usado por Gabriel Diniz não era habilitado para realizar táxi-aéreo (Foto: Anderson B. Alves/Jetfoto)

Além de Gabriel Diniz, outros artistas já usaram táxi aéreo clandestino

Lista inclui Anitta, Claudia Leitte e Marília Mendonça, entre outros

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O avião que transportava Gabriel Diniz e caiu, matando o cantor e mais dois tripulantes, realizava táxi aéreo de maneira irregular. Além do cantor, outros artistas já fizeram uso deste transporte em aeronaves que não eram destinadas a este fim. Em todos os casos, os cantores disseram que não sabiam da irregularidade.

Inicialmente, a informação era de que, na verdade, Diniz estava no avião como uma "carona". Mas, em entrevista ao Balanço Geral, da TV Record, o pai do artista confirmou que se tratava de um táxi-aéreo.

"Tem muito táxi clandestino sendo feito aqui no Brasil. São aeronaves com simplificação de processo de controle muito grande, como se fosse um carro privado, um tipo de 'táxi mais barato' que muitos artistas estão usando", disse uma fonte ligada à Anac que pediu para não ser identificada.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realiza a fiscalização das aeronaves e já identificou irregularidades em aviões que transportavam Anitta, Claudia Leitte, Marília Mendonça, a dupla Maiara e Maraísa e o cantor Amado Batista.

Relembre os casos: 

  • Anitta (duas vezes)

No dia 28 de setembro do ano passado a Anac interditou uma aeronave no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, que faria o transporte da cantora. Foi constatado que empresa e aeronave não possuíam autorização para prestar serviços de táxi-aéreo e, portanto, não poderiam realizar transporte remunerado por não garantirem as condições necessárias de segurança desse tipo de operação.

Já no dia 21 de julho de 2018 outro avião que transportava a cantora Anitta de maneira irregular foi interditada. Desta vez foi no aerporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Na ocasião, o piloto foi suspenso.

  • Cláudia Leitte (duas vezes)

Em abril, o piloto de um avião que transportava a cantora Claudia Leitte foi detido por táxi-aéreo irregular no momento em que a aeronave pousou. Esta foi a segunda vez que a artista foi vítima deste crime. Em 2018, outro comandante foi preso pela mesma razão, mas, desta vez, antes de decolar voo com "Claudinha" à bordo.

  • Marília Mendonça

Uma aeronave que transportava a cantora para um show em Jundiaí foi interditada e teve seu piloto apreendido no momento que Marília estava a bordo do avião, esperando a decolagem. O serviço irregular foi contratado pela produtora da artista.

  • Maiara e Maraísa e Amado Batista

Em maio do ano passado, um avião contratado pela produtora Workshow Produções Artísticas (a mesma do caso de Marília Mendonça) foi apreendido. A aeronave seria ultilizada pela dupla Maiara e Maraísa e já havia prestado serviço ao cantor Amado Batista. De acordo com o agência, os pilotos envolvidos também tiveram as licenças para pilotar suspensas e a produção da dupla, responsável pela contratação dos serviços, foi notificada. 

Punição no caso Gabriel Diniz
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspendeu cautelarmente as operações do Aeroclube de Alagoas, dono do avião que transportava o cantor, e interditou as 9 aeronaves pertencentes à empresa devido ao acidente. A aeronave, de matrícula PT-KLO, da fabricante Piper Aircraft, estava registrada na categoria Instrução e não poderia prestar serviço fora da sua finalidade, incluindo o transporte remunerado de pessoas.

Em nota, a  Agência diz que abriu um processo administrativo para apurar possíveis irregularidades em relação à operação da aeronave acidentada. Essa apuração verificará em quais condições estava sendo feito o transporte de passageiro em aeronave.

Após a conclusão da investigação ou mesmo durante o andamento do processo administrativo instaurado, os responsáveis poderão ser multados e ter licenças e certificados cassados. Além da aplicação de sanções administrativas, a ANAC pode encaminhar denúncia ao Ministério Público e à Polícia para que sejam tomadas medidas no âmbito criminal.

A ANAC confirma que aeronave estava com o Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até fevereiro de 2023 e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia até março de 2020. Esse modelo é um monomotor com capacidade máxima de 3 passageiros mais a tripulação, totalizando 4 assentos.

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