Alugar casa na viagem pode te render uma experiência única

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10.10.2018, 07:00:00
Atualizado: 10.10.2018, 13:07:19
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

Alugar casa na viagem pode te render uma experiência única

A história de quem se hospedou de forma diferente na Toscana

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Quatro casais e um desafio pensado com um ano de antecedência da viagem: encontrar uma casa na Toscana para viver a experiência de tentar ser local por 10 dias, sem deixar de ser turista. 

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Há muitas, muitas ofertas na internet. Optamos por alugar pelo Airbnb, já que tivemos uma boa experiência dois anos antes, quando escolhemos um apartamento em Paris. 

Mas não é uma tarefa simples. Queríamos quartos confortáveis, ar condicionado em todos eles - porque íamos no Verão europeu - e, principalmente, uma cozinha com um fogão, um forno grande e utensílios domésticos que fazem a alegria de quem ama cozinhar. 

A escolha do lugar
O primeiro consenso foi encontrar uma casa perto de Montalcino, para facilitar nosso deslocamento até os destinos que estavam no nosso roteiro de passeios.

Depois de várias reuniões, muitas consultas, emails com perguntas em inglês e respostas em italiano, eis que achamos “o lugar”. Ficou sendo “a casa do sofá azul” porque a primeira foto no Airbnb mostrava exatamente essa imagem. Nossa anfitriã seria Francesca Gavelli. 

A beleza do casarão de pedra, uma construção do século XVIII
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

A residência parecia totalmente reformada e adaptada à modernidade. Fechamos o contrato em novembro. Até julho, foram 8 meses de troca de emails com Francesca. Ela respondia sempre com presteza. 

Como a intenção de Giácomo era cozinhar pelo menos quatro ou cinco das nove noites que passaríamos na casa, as grandes questões eram dele. Será que conseguiríamos alguma caça para assarmos na casa? Afinal, estávamos no paraíso dos Brunellos e dos Rossos, os grandes vinhos de Montalcino e da Toscana, perfeitos para esse tipo de carne. 

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Francesca nos respondeu que tentaria conseguir um pernil e uma costela de javali. Mas, como não tínhamos certeza, nos deu o contato de um açougueiro em Pienza, a 6 quilômetros da casa. O açougueiro respondeu. E prometeu que tentaria conseguir alguma caça para nós.  A casa já estava valendo a pena.

Um cenário de filme 
Valeu mais ainda quando chegamos lá, na primeira quinzena de julho. Um cenário perfeito! Um casarão de pedra encravado em um dos pontos altos de um vale incrivelmente belo.

A residência é adaptada à modernidade, com piscina e área de lazer
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

Uma construção do século XVIII rodeada de plantas e flores. Uma típica casa Toscana. E o melhor: toda modernizada, com ar condicionado central, inclusive nas salas e cozinha, gás canalizado, internet veloz. Enfim, uma  residência na zona rural com o conforto de zona urbana. 

Na verdade, são praticamente duas casas conjugadas. Cada área possui uma sala e uma cozinha - bem equipada - independentes. O fogão, imenso, tem duas bocas de modelo industrial. Da área da piscina, se vê o sol se pondo num amarelo quase vermelho sobre a colina de Pienza. E ainda tínhamos uma varanda com uma mesa grande para a convivência e a prova de vinhos à noite.

Um refúgio perfeito para contemplar o pôr do sol na Toscana
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

A casa se chama Fonte Senesi. O nome é por causa de uma fonte usada pelos peregrinos que percorriam a Via Francigena para se abastecer de água potável. A Via era um caminho de cerca de 1.700 quilômetros que ligava Canterbury, na Inglaterra, até Roma, passando pela Suíça e França. Os peregrinos iam visitar o túmulo de São Pedro. 

Um sonho realizado
Giacómo conseguiu realizar o sonho de cozinhar na Toscana. Tínhamos mercados excelentes em toda a região, onde nos abastecemos de legumes, verduras, queijo pecorino, azeite de oliva, cogumelos frescos, frutas e os embutidos maravilhosos de Pienza. 

Francesca não só conseguiu os cortes prometidos de javali como também encontramos no freezer uma paleta e uma costela de cabrito montês. Cortesia da anfitriã. O açougueiro de Pienza, caçador autorizado, tinha reservado costeletas e uma paleta grande de javali. 

Tomávamos café entre 9h e 10h, saíamos para percorrer as cidades, as vinícolas, íamos a restaurantes. À noite, nossas refeições – com exceção de dois jantares em Monticchiello, eram em casa.  

Bem equipada, a cozinha tinha fogão, forno grande e utensílios
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

Numa dessas noites, em que assavamos um dos pernis de javali, o forno parou. Ligamos para Francesca. Em menos de dez minutos, ela já estava na casa. E explicou que, como estávamos usando as duas bocas e mais o forno, o fogão entrou num modo automático de segurança.

Em mais cinco minutos, voltou a funcionar. A janta estava garantida. A eficiência da nossa anfitriã nos cativou. Ela também conseguiu uma moça que ia todos os dias pela manhã fazer a limpeza da casa. Um conforto que nos demos. 

Tudo perto
A casa Fonte Senesi fica a apenas dois quilômetros do burgo medieval de Monticchiello. É um vilarejo no alto de uma colina com apenas 80 moradores. Uma graça. Apesar de pequena, a vila tem dois restaurantes da mesma proprietária. Os dois são ótimos!

No caminho entre Monticchielo e Fonte Senesi, a gente passa pela paisagem que encerrou o filme  Gladiador. Uma estradinha sinuosa que sempre nos dava a sensação de estar no que ela é: cenário de filme! 

A paisagem do caminho entre o Forte e Monticchielo: cenário de Gladiador
(Foto: Giácomo Mancini/Divulgação)

A localização da casa foi muito, muito melhor do que a gente esperava. Montepulciano   estava a 15 quilômetros, Montalcino, a 30 quilômetros, Cortona, a 50 quilômetros, e San Gimignano a pouco mais de 100 quilômetros.  

Nessa região, existiam os restaurantes e vinícolas que tínhamos reservado para conhecer e degustar os vinhos toscanos. Podíamos acordar um pouco mais tarde e aproveitar a casa, nosso refúgio e paraíso sob o sol e a lua da Toscana.

Nas próximas semanas, vamos falar dos passeios, dos restaurantes e das visitas às vinícolas.

*Colaboraram para o Bazar

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