Alunos da Escola de Teatro da Ufba interrompem espetáculo em protesto

salvador
02.06.2019, 20:37:40
Atualizado: 16.07.2019, 15:11:27
Estudantes da Organização Dandara Gonçalves forma impedidos de acompanhar o espetáculo, depois do episódio da sessão anterior (Foto: Mauro Akin Nassor/ CORREIO)

Alunos da Escola de Teatro da Ufba interrompem espetáculo em protesto

Integrantes da Organização Dandara Gusmão impediram a apresentação da peça Sob as Tetas da Loba, em cartaz no teatro Martim Gonçalves

Alunos da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) protestaram neste final de semana durante as duas apresentações da peça Sob as Tetas da Loba, que estava em cartaz no sábado (01) e no domingo (02) no Teatro Martim Gonçalves, no Canela. Na apresentação de sábado, integrantes da Organização Dandara Gusmão interromperam o espetáculo, durante a sua exibição com cartazes e críticas à montagem e ao racismo ocorrido dentro da Escola de Teatro. 

“No meio da peça, um dos integrantes do coletivo abriu a porta do nada e outras cinco pessoas do grupo entraram com as faixas de uma forma muito agressiva, o que causou um pânico muito grande para quem estava na plateia. Teve um momento que eu achei que teria pancadaria no teatro. Houve um pequeno episódio de violência física com uma moça que se posicionou contra tais manifestantes. Foi muito feio, o tom era agressivo e de ameaça. Eles fizeram uma leitura totalmente equivocada da peça”, conta o professor Beto Laplagne, que assistia o espetáculo. 

Por conta da intervenção, a peça acabou sendo suspensa antes do final da apresentação. Ao CORREIO, representantes da Organização Dandara Gusmão, que preferiram não serem identificados, afirmaram que o motivo do protesto  está no combate ao racismo, que, segundo eles, impera dentro da Escola de Teatro, sobretudo, nas produções da Companhia de Teatro da Ufba. 

“Nos mais de 35 anos da Companhia, apenas dois espetáculos trazem maioria de atores negros. Todos os outros retratam maioria branca e o negro vem sempre como subalterno e dominado. A Escola prioriza as pessoas brancas em cena. E não queremos que isso aconteça mais. O que estamos tentando fazer é uma publicização deste racismo”, diz um dos manifestantes.  

Novo ato

Com ingressos gratuitos e dirigida pelo dramaturgo Paulo Cunha, a peça Sob as Tetas da Loba é a 54ª produção da Companhia de Teatro da UFBA. O espetáculo é uma junção de quatro textos do autor Jorge Andrade, sendo eles: Senhora na Boca do Lixo (1963), A Zebra (1978), A Loba (1978) e Milagre na Cela (1973). A montagem estreou no 22 de maio e encerrou suas apresentações neste domingo (02), quando o grupo voltou a fazer mais um ato de protesto na porta do Teatro Martim Gonçalves. 

Esta foi a primeira intervenção do grupo em uma peça da Companhia. A Dandara Gusmão responde ainda por um processo administrativo na universidade que alega perturbação da ordem pública. “Os estudantes têm medo de fazer isso e de não entrarem em cena. Eles tentam nos descredibilizar colocando o movimento como radical, mas os espetáculos negros que aconteceram na Ufba  só foram possíveis por conta da Organização. A culpa não é do elenco. A culpa é da instituição”, acrescenta um dos representantes da Organização. 

Na apresentação deste domingo, a Escola de Teatro reforçou a segurança no local e também acionou a Polícia Militar, que manteve uma guarnição parada na porta do Martim Gonçalves. Os integrantes do Movimento também foram impedidos de acompanhar o espetáculo.

O diretor da escola, Cláudio Cajaíba disse que a medida foi necessária para manter a apresentação da peça: “Tomamos estas medidas para que eles não causassem o mesmo tumulto de ontem. Foi feito com base em algumas leis que orientaram esta decisão”. 

Aluno da Escola de Teatro da Ufba, Tiago Santos considera a  causa dos manifestantes justa: “Eu fiz audição para esta peça. O texto tem uma passagem que faz o papel da empregada que tira a virgindade dos filhos e é ainda a mulher que o patrão deseja. Nisso também tem a cena de uma menina negra encarcerada. Hoje em dia, quando se busca tanto a diversidade você ver esse tipo de montagem só mostra como a escola continua com uma ideia muito atrasada com relação a isso. Não existe colocar segurança na porta de um teatro de uma Universidade Federal”.

Em sua última apresentação da temporada, com as 194 cadeiras ocupadas, o teatro ficou lotado. A produção da peça informou que vai organizar ainda esta semana uma roda de conversa sobre o conteúdo do espetáculo e que vai ouvir a Organização Dandara Gusmão. 
 


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