Ambev tem receita não recorrente de R$ 1,240 bi no 4º trimestre por acordo com AB Inbev

economia
02.03.2017, 09:26:00
Atualizado: 02.03.2017, 09:46:19

Ambev tem receita não recorrente de R$ 1,240 bi no 4º trimestre por acordo com AB Inbev

Resultados foram afetados pelo reconhecimento de uma receita extraordinária de R$ 1,240 bilhão no período

Os resultados do quarto trimestre de 2016 da Ambev foram afetados pelo reconhecimento de uma receita extraordinária de R$ 1,240 bilhão no período. O montante diz respeito a um ganho sem efeito caixa em razão de um acordo com a controladora AB InBev.

O ganho ocorreu por uma troca de ações contabilizada no quarto trimestre de 2016. Pelo acordo, em 31 de dezembro de 2016 a Ambev transferiu para a AB Inbev suas operações na Colômbia, Peru e Equador, e a AB Inbev, por sua vez, transferiu sua operação no Panamá para a Ambev.

A Ambev contabilizou ainda no trimestre algumas despesas não recorrentes com reestruturação e custos de novas aquisições. Ao final, o saldo de itens não recorrentes foi positivo em R$ 1,177 bilhão para os meses de outubro a dezembro de 2016 ante um resultado negativo de R$ 90,8 milhões em igual período de 2015.

O efeito impactou o lucro da companhia, que acabou ficando acima do esperado. O lucro líquido atribuído à participação dos controladores registrado pela Ambev no quarto trimestre de 2016, de R$ 4,672 bilhões, ficou 14% maior que a média das estimativas de seis instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado (BTG Pactual, Credit Suisse, Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley e Santander).

O lucro líquido ajustado a itens não recorrentes da Ambev no quarto trimestre somou R$ 3,655 bilhões, queda de 15,9% ante mesmo período de 2015.

A Ambev reportou ainda redução das receitas reportadas na linha de "outras receitas e despesas operacionais". Ao todo, o montante registrado no primeiro quarto de 2016 foi de R$ 157,9 milhões ante R$ 700,8 milhões do mesmo período de 2015. A Ambev afirmou que o resultado foi afetado principalmente pela redução das subvenções governamentais, que saíram de R$ 530,4 milhões para R$ 196,2 milhões devido em parte ao vencimento de acordos de subvenções governamentais de ICMS.

Resultado financeiro

A Ambev reportou despesa financeira líquida de R$ 908,2 milhões no quarto trimestre de 2016, queda de 18% ante R$ 1,106 bilhão apurado em igual período do ano anterior. 

Entre os efeitos que impactaram o resultado financeiro, a fabricante de bebidas mencionou menores perdas com instrumentos derivativos e ganhos com instrumentos não-derivativos, relacionados a conversão de contas a pagar e empréstimos em moeda estrangeira entre empresas do grupo, beneficiados pela apreciação do Real.

O endividamento consolidado da Ambev ao final de dezembro era de R$ 5,396 bilhões, montante 49% mais elevado que o do final de dezembro de 2015. Do montante, R$ 1,891 bilhão estavam em moeda local, queda de 12%, e R$ 3,505 bilhão em moeda estrangeira, 142% a mais que no mesmo período do ano anterior.

A Ambev encerrou o trimestre, no entanto, com caixa líquido de R$ 2,763 bilhões. A posição de caixa ao final de dezembro era de R$ 7,876 bilhões. O montante, embora menor do que o de dezembro de 2015 em quase R$ 6 bilhões, supera o total da dívida.

Com relação aos impostos, a alíquota efetiva do quarto trimestre caiu de 28,3% para 9,9%. A companhia menciona que, no ano, a melhor alíquota é explicada pela reversão de provisões do imposto retido na fonte relacionado a lucros não distribuídos na Argentina e reconhecimento de impostos diferidos ativos sobre prejuízos fiscais em subsidiárias internacionais. As despesas com Imposto de Renda e Contribuição Social somaram R$ 530,3 milhões no quarto trimestre de 2016, queda de 68% na comparação anual.

Investimento no Brasil 

A Ambev fez investimentos 35% menores no Brasil em 2016 na comparação com o ano anterior. A companhia informou que investiu R$ 1,969 bilhão no País no ano passado, cumprindo a expectativa de que o montante seria reduzido na comparação anual.

A Ambev vinha reafirmando sua meta (guidance) de que o Capex no Brasil seria em 2016 inferior aos níveis de 2015, quando foi de cerca de R$ 3,1 bilhões.

Diferente do que costuma fazer anualmente, porém, a Ambev não informou em sua divulgação de resultados suas expectativas para investimentos e desempenho de receita no Brasil em 2017. A companhia também não divulgou guidance para as despesas com vendas, gerais e administrativas.

O único guidance dado pela companhia para este ano é o de Custo do Produto Vendido (CPV) por hectolitro no Brasil.

A companhia afirmou que espera que o CPV por hectolitro (excluindo depreciação e amortização) no Brasil evolua positivamente ao longo de 2017. A expectativa é de crescimento de dois dígitos na primeira metade do ano e entre um dígito baixo e estável na segunda metade.

A diferença no comportamento dos custos no primeiro e segundo semestres, comentou a Ambev, tem relação com o câmbio e a prática de hedge da companhia. A política de hedge cambial da Ambev faz com que o efeito da apreciação do real sobre o custo de matérias primas dolarizadas só comece a ser sentido a partir do segundo semestre de 2017.

A empresa menciona o impacto da desvalorização da moeda brasileira durante o primeiro semestre de 2016 e comenta que a taxa média de hedge de moeda para 2017 é de dólar a R$ 3,59, comparada a R$ 3,24 em 2016.

A Ambev afirmou que está "cautelosamente otimista com a indústria de cerveja brasileira em 2017". A companhia considera que os principais indicadores macroeconômicos devem apresentar melhora em 2017. A companhia afirma que é esperada a continuidade da desaceleração da inflação, além de estabilidade no PIB e reversão da tendência negativa para o emprego no segundo semestre. Como consequência, diz a empresa, é esperado que a renda disponível retome crescimento até o final do ano.

"Nosso compromisso é de longo prazo e estamos confiantes com a nossa habilidade de ganhar participação de mercado e retomar o nosso crescimento de receita líquida e Ebitda, suportado pelos investimentos estruturais feito nos últimos anos e pela força de nossas marcas", conclui a empresa sobre a operação brasileira.


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