Ao adiar retorno das aulas presenciais, Rui vai de encontro à OMS 

alô alô política
01.10.2021, 11:55:00
Atualizado: 01.10.2021, 19:25:44

Ao adiar retorno das aulas presenciais, Rui vai de encontro à OMS 

Leia coluna na íntegra

Contra a OMS 

A decisão do governador Rui Costa (PT) de adiar novamente o retorno das aulas 100% presenciais na Bahia vai na contramão do que orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a organização, o retorno às aulas deve ser prioridade no processo de reabertura das economias. Em documento assinado também por Unicef e a Unesco, a OMS diz que as escolas só devem continuar fechadas quando não houver alternativa. Pelo visto, Rui só segue as orientações da OMS quando é conveniente.  

Sem estrutura 

O novo adiamento do governo tem como pano de fundo a falta de infraestrutura das escolas da rede estadual. Nos bastidores, integrantes do governo admitem que o aumento dos casos de Covid-19 nos últimos dias foi apenas um pretexto utilizado por Rui. O real motivo são os problemas das unidades de ensino, que ficaram abandonadas ao longo da pandemia. Agora, mesmo após quase dois anos, o governo ainda não tem nem plano para a recuperação das escolas, o que emperra a volta às aulas.  

Números tamanho P 

É preciso lembrar que a Bahia foi o único estado a não ofertar aulas online para os alunos. Como se não bastasse, o estado tem um dos piores índices do ensino médio do Brasil, segundo o Ideb, e está também nas últimas posições no ensino fundamental. Propaganda tamanho G, mas educação pública tamanho P. 

Jogo Combinado 

E Bolsonaro? Vai continuar sem partido até quando? O caminho mais certo era o PP, mas os cardeais do partido estavam fazendo “jogo de empurra” com o presidente. Enquanto Ciro Nogueira convidava para entrar, Arthur Lira dizia a interlocutores que preferia Bolsonaro longe do Progressistas. Quem conhece os dois pepistas, garante que o jogo de cena era 100% combinado. 

Empurrãozinho  

Só que com a fusão PSL/DEM o jogo mudou. Com medo de perder protagonismo nacional, o PP agora faz questão de filiar o presidente. Apostam que, mesmo com a rejeição alta, Bolsonaro ajudará a eleger cerca de 30 deputados federais ligados a ele. Assim, o PP poderá formar a maior bancada da Câmara Federal. Era o empurrãozinho que faltava.  

E agora, Leão?  

A filiação do presidente da República ao PP embaralha de vez o jogo na Bahia. O casamento do partido com o governo Rui Costa, por exemplo, vai ter de acabar. A direção nacional deve exigir que o vice-governador João Leão desembarque da nau petista e abra um palanque local para o presidente. 

O Coroinha 

Bolsonaro quer um palanque forte na Bahia. João Leão não esconde o desejo de disputar o Palácio de Ondina. E João Roma? Vai para onde? Com a aliança Bolsonaro/Leão, a tendência é que ele acompanhe o presidente e dispute mandato de federal pelo PP. O problema é que com o fim das coligações, Roma vai ter uma concorrência pesada na nova legenda: Cacá Leão, Claudio Cajado, Ronaldo Carletto e Mario Negromonte Jr. Será que o ministro arrisca ou vai tentar ser deputado estadual? Para quem queria ser Papa pode acabar Coroinha. Será? 

Papagaio anônimo  

Conhecido em Brasília por saber posicionar-se atrás do presidente na hora das fotos, o ministro João Roma passou por uma frustração essa semana. Não foi reconhecido pela população de Teixeira de Freitas durante a visita do presidente da República ao município. Excluindo Bolsonaro, o único membro da comitiva a ser reconhecido e ter seu nome gritado no palanque foi o ministro da infraestrutura, Tarcísio de Freitas. 

Fritura 

O governador Rui Costa (PT) está mesmo decidido a demitir o secretário da Segurança Pública, Ricardo Mandarino, após a escalada da violência na Bahia registrada nas últimas semanas. A aposta é que, segundo fontes do Palácio de Ondina, a queda do titular da SSP ocorra nos próximos 15 dias. O ápice da insatisfação do governador ocorreu após declarações recentes de Mandarino sobre o combate ao crime, que iam de encontro a falas de Rui sobre o tema. O petista teria dito que está "de saco cheio" do secretário.  

Mandarino, o breve 

Ricardo Mandarino chegou à SSP em dezembro do ano passado para substituir Maurício Barbosa, que deixou o posto após se tornar alvo da Operação Faroeste por suspeita de integrar um esquema criminoso de venda de sentenças. Caso deixe mesmo a pasta, terá ficado menos de dez meses, enquanto seu antecessor estava desde 2011. Apesar do novo discurso, Mandarino manteve a segurança da Bahia no mesmo ritmo crescente da violência. Na gestão de Mandarino, a Bahia teve um aumento de 7% nos homicídios no primeiro semestre desse ano, enquanto o Brasil teve queda. O estado, vale lembrar, lidera o ranking de assassinatos do país. Uma posição incomoda para o PT de Rui e Wagner que governa a Bahia por 15 anos. 

Negação 

Com quatro secretarias dirigidas por interinos, o governador Rui Costa tem andado insatisfeito com os nomes que são apresentados por aliados para ocuparem os postos, segundo fontes do Palácio de Ondina. Pelo que dizem, o governador já teria rejeitado pelo menos dois nomes para as pastas da Saúde e Desenvolvimento Urbano. 


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