Após 10 horas de vigília, fiéis comemoram canonização de Dulce no Largo de Roma

salvador
13.10.2019, 09:19:00
Atualizado: 14.10.2019, 07:11:14
(Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

Após 10 horas de vigília, fiéis comemoram canonização de Dulce no Largo de Roma

Primeira miraculada, Cláudia Araújo chegou ao Santuário na noite deste sábado (12)

De olhos fechados e mãos erguidas, parece mais uma, entre os cerca de mil devotos que se concentraram em vigília, desde a noite deste sábado (12), à espera da oficialização de Irmã Dulce como a Santa Dulce dos Pobres. 

Onde quer que vá, contudo, a servidora pública Cláudia Araújo, 50 anos, carrega consigo a fé de quem sabe que é “parte do milagre” que transformou a freira baiana na primeira santa brasileira. 

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O desejo era de estar no Vaticano, onde o Papa Francisco realizou a canonização - aos olhos de 15 mil brasileiros -, mas, como não pôde ir até a Itália, a primeira agaraciada por um milagre de Irmã Dulce debruçou-se sobre o altar do Santuário da Imaculada Mãe de Deus, no Largo de Roma, e agradeceu do mesmo jeito.

Em horário local, o relógio marcava 5h33 quando o Papa leu a fórmula da canonização e tornou Dulce santa. Um telão montado no templo, no Complexo Turístico Irmã Dulce, transmitiu o decreto que deixou a miraculada e demais fiéis em polvorosa.

“Para mim, é algo grandioso num nível que não sei nem dizer, é milagroso, é um encontro com Deus e com Dulce, eu estou muito feliz de estar aqui e de ser parte de tudo isso”, resume Cláudia, em vigília desde às 18h deste sábado (12).

‘Mereceu’
Entre os caminhos que tornaram Dulce santa, está a história de Cláudia, uma católica carioca radicada em Sergipe. Foi há 18 anos, logo que pariu o primeiro filho. Ela recorda que, mesmo com a gravidez “tranquila”, desenvolveu uma hemorragia pós-parto.

Para os médicos, não havia outro desfecho senão a morte, lembra a servidora, sentada na primeira fila do templo religioso. Para ela, que não tinha qualquer relação com a Bahia, estar na capital no dia histórico tem gosto de “missão cumprida”. 

Primeira miraculada, passou quase 15 horas em vigília (Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

“Acima se tudo, eu fico feliz porque sei que ela mereceu. Não só por mim, mas por tudo o que fez e vai continuar fazendo”, afirma, ao lembrar que o prontuário médico de sua internação chegou a ser levado para o Vaticano, onde foi estudado por pesquisadores religiosos. 

Ao lado da miraculada, a advogada Ana Lúcia Aguiar, 55, comenta que tudo começou quando ela “apresentou” Dulce ao padre Almir, quem colou uma foto da freira nos equipamentos que mantinham Cláudia viva. 

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“Ele me ligou assim que o quadro dela [Cláudia] mudou. Eu não conhecia ela, mas fiz questão de ir visitar. Fui, vi com meus olhos uma mulher saudável, com o filho nos braços”, lembra a cearense, que conheceu Dulce após morar um período em Salvador. 

“Nós estamos profundamente realizadas, eu vim dirigindo de Aracaju e estou muito satisfeita. Especialmente porque Cláudia tem consciência de que Dulce é, sim, nossa santa, sempre foi. O milagre é ela”, reitera.

A estudante Júlia de Jesus diz que momento é 'milagroso' (Foto: Tailane Muniz/CORREIO)

Vigília 
Mesmo antes da oficialização da canonização, o clima era de comoção entre os fiéis. Uns, muito emocionados, chegaram a deitar no chão do santuário, que, por volta das 6h30, foi rebatizado de Santa Dulce dos Pobres.

Aos 15 anos, Júlia de Jesus vive um momento que mal consegue descrever. “Sem explicação”, diz. De família católica, a adolescente conta que chegou na vigília às 22h. "Para nós, jovens católicos, é milagroso e mágico participar disso aqui, talvez eu não tenha palavras", disse, ajoelhada em frente ao telão. 

As imagens mostram que, no início da cerimônia, os religiosos, em Roma, leem o terço em italiano, inglês, latim e espanhol. No igreja de Dulce, os fiéis só se desconcentram no momento em que a canonização é, enfim, anunciada: “A Bahia tem uma santa”, gritam em coro, àquela altura, não mais sentados. 

Fogos de artifício contribuíram para o clima de festa entre os devotos de Dulce, que também ganharam a primeira imagem da freira já com a oração no verso. Parte dela diz assim: “Senhor vosso Deus, lembrados de vossa filha, a Santa Dulce dos Pobres, cujo coração ardia de amor por vós e pelos irmãos, particularmente os pobres e excluídos”. 

(Foto: Tiago Caldas/CORREIO)
(Foto: Tiago Caldas/CORREIO)
(Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

O legado da santa entre os pobres, defende o fonoaudiólogo Ivan Alexandre dos Santos, 37, fica como “principal marca do evento”. Espiritualista, como se diz, Alexandre também pontua o fato da graça vir a uma mulher. “Grande mulher que fez o que fez. O legado dela nos inspira, porque ela seguiu seus intuitos”.

Templo da santa
O Santuário da Imaculada Mãe de Deus agora é o Santuário de Dulce dos Pobres, oficializou o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, dom Marco Eugênio Galrão, pouco antes de uma missa, iniciada às 8h30. Ele comentou, no entanto, que é como se tivesse sido “sempre assim”. 

"Estamos apenas confirmando o que todos nós já sentíamos em nossos corações. Isso não muda nada porque desde sempre sabemos que Deus fala através dela", disse, pouco depois da leitura de um decreto escrito pelo arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. 

Krieger está em Roma e celebrará lá, na Igreja de Sant'Andrea Della Vale, nesta segunda-feira (14), a primeira missa para Santa Dulce dos Pobres. Por ora, no santuário da freira, uma auréola foi posicionada sobre a imagem de Dulce. Simboliza a santidade, explica o assessor de Memória e Cultura das Obras Sociais (Osid), Osvaldo Gouveia.

"Somente os santos podem usar a auréola, o que quer dizer que Deus a reconheceu como santa". O assessor da Osid acrescenta que o objeto é representação de "luz, a luz que ela representa". Em todos os lugares do Brasil e do mundo, diz, o símbolo é colocado como o "merecimendo de uma glória". Emocionado, Osvaldo garante: a Santa Dulce dos Pobres mereceu. 


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