Após 24h, greve dos rodoviários chega ao fim na Bahia

salvador
24.05.2018, 05:25:36
Atualizado: 24.05.2018, 10:40:39

Após 24h, greve dos rodoviários chega ao fim na Bahia

Coletivos começaram a sair das garagens por volta das 5h

A greve dos rodoviários chegou ao fim na madrugada desta quinta-feira (24). Os ônibus começaram a sair das garagens por volta das 5h. Os coletivos do consórcio Integra começaram a circular por Salvador de forma gradativa. 

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Por volta das 10h o funcionamento de ônibus na capital foi retomado totalmente. Contudo, a população deve ficar em alerta, pois pode haver problema nos próximos dias. Ao contrário de outras cidades brasileiras, Salvador ainda não corre o risco de ficar sem ônibus devido à falta de combustíveis. O desabastecimento de combustíveis é uma das consequências do bloqueio das estradas do país pelos caminhoneiros. No Brasil, capitais como São Paulo e Rio de Janeiro já anunciaram a redução da frota para manter, ao menos, parte dos coletivos em circulação.  De acordo com o assessor de relações do trabalho do Consórcio Integra, Jorge Castro, os ônibus de Salvador têm uma reserva justamente por conta da greve dos rodoviários, encerrada na manhã desta quinta-feira (24). 

“Como tivemos dois dias de paralisação, temos dois ou três dias de combustível ainda – dois dias com tranquilidade. Não tem risco de diminuir a frota até então. Só se agravar (a situação) e ter uma greve forte”, explicou, por telefone. 

A paralisação dos caminhoneiros contra a alta do diesel continua em pelo menos 20 estados do País. Os protestos seguem apesar da decisão da Petrobras de reduzir o preço do diesel em 10% por 15 dias, da aprovação de projeto na Câmara que prevê alíquota zero de PIS-Cofins sobre o diesel até o fim do ano e o pedido do próprio presidente Michel Temer de uma trégua até sexta-feira (25) para encontrar uma solução.

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As garagens G1 e G3, da Integra em Plataforma e Periperi, vários ônibus estão saindo ao mesmo tempo.

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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Tem buzu na Avenida Suburbana!

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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A salgadeira Cândida Lisboa, 34 anos, precisava estar no bairro de Mont Serrat às 7h. Para chegar até lá, ela tem duas opções: linhas da empresa Ot Trans e da Plataforma. Os veículos da empresa Plataforma, desde às 6h40 - horário em que Cândida chegou no ponto da Avenida San Martins, não passaram no local.  Já os ônibus da Ot trans,  chegaram lotados de passageiros. 
 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

"Era impossível pegar porque estavam cheios. Já os da empresa Plataforma não passaram. Já tentei ligar várias vezes para o meu patrão mas não consegui  um retorno", lamenta a salgadeira.  Caso os ônibus não passem nos próximos minutos, Cândida vai ter que pegar um coletivo até o bairro da Ribeira e, de lá, uma outra linha. "Com isso, vou ter que pagar três vezes, sem integração", lamenta. 

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A professora Bárbara Santa Rosa, 59, precisa chegar no bairro do Rio Sena, onde dá aulas. Ela espera por 20 minutos no ponto os coletivos da Plataforma. "Geralmente, em dias normais, os veículos demora cinco, dez minutos, no máximo", disse a professora.
 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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Chá de espera!
Enquanto os ônibus saem das garagens, alguns passageiros tomam um "chá de espera" em alguns pontos da cidade. A ambulante Vanessa Santos, 17 anos, passou mais de uma hora no ponto de ônibus da Avenida San Martin. Ela vende salgados na Lapa, mas na manhã desta quinta chegou atrasada no trabalho. "Eu saí de casa 4h45 da manhã e cheguei aqui quase 7h. Ontem eu já não vim trabalhar e hoje cheguei atrasada", contou ela. Para chegar na Lapa, a jovem disse que precisou pegar um ônibus e metrô. "Ainda gastei mais dinheiro", completou ela. 
 

Foto: Milena Teixeira/CORREIO

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A professora Patrícia Santana, 26 anos, passou mais de uma hora no ponto de ônibus da Avenida Garibaldi. "Isso é uma verdadeira falta de respeito. Já tem quase uma hora que eu estou atrasada", disse ela enquanto aguardava o segundo ônibus no ponto que fica na frente do shopping Center Lapa.
 

Foto: Milena Teixeira/CORREIO

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Cadê o buzu? 
Pontos de ônibus estão cheios na manhã desta quinta-feira (24). Passageiros aguardam a volta total os ônibus. 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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Só resta esperar

Na Avenida San Martin, às 7h30, passageiros ainda aguardavam a passagem dos primeiros ônibus
Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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Atenção!
As vans, micro-ônibus e transportes alternativos estão autorizados a circular em Salvador até que todos os ônibus estejam normalizados na cidade, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade. Eles fazem parte do plano de contigência montado pela prefeitura por conta da greve. 

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Olha o buzú aê!!!!
 

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Na garagem G2 da empresa Ot trans, na Avenida San Martins, parte dos 162 veículos que deveriam começar a circular para 15 linhas desde às 4h só saíram às 7h. De acordo com representantes da categoria que estão na garagem liberando os ônibus, a demora aconteceu porque a categoria estava reunida para avaliar as propostas do patronais aceitas pelos trabalhadores. 

"Todos os ônibus já começaram a sair e vão todos começar a rodar normalmente. Como anda a situação do país, acredito que não foi uma má proposta, conseguimos um aumento de 1,1% acima da inflação. Além da renovação da certeira de motoristas que será paga pelos patrões, com a categoria podendo dividir em até 10 vezes", avalia Francisco Costa, representante do sindicato.

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A última garagem a realizar assembleia de rodoviários, na Avenida San Martin, começou a liberação dos ônibus por volta das 7h. Os rodoviários aprovaram por unanimidade o fim da greve. Os ônibus de lá servem a regiões da cidade como Avenida San Martin, Lapa, IAPI, Santa Mônica, Pituba, Cajazeiras, Sieiro e Cabula VI. Nessas regiões, por exemplo, ainda não há ônibus circulando.
 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

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Haja paciência
Aos poucos, os ônibus vão chegando aos pontos e a rotina vai voltando ao normal, embora alguns veículos ainda estejam chegando com atrasos.  Poliana Nascimento, 37 anos, está no ponto de ônibus da Avenida Vasco da Gama desde às 5h40. Às 6h20, no entanto, a agente de higienização ainda aguardava o veículo que tem como destino a Avenida Paralela. "Do lado cá (esquerda) do ponto, não passou nenhum para a avenida. Já do outro lado (direito) tem passado uns ônibus vazios, sem demora", conta Poliana. 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Nesta quarta-feira (23), quando nenhum ônibus saiu das garagens das empresas de transporte, a agente de higienização faltou no serviço. "Uma turma do trabalho não pôde faltar, mas a minha equipe recebeu a autorização. Quem foi, contou com um transporte que a própria empresa colocou nas ruas", disse.  Já na expectativa do final da greve dos rodoviários, Poliana acordou mais cedo para conferir no site do CORREIO a decisão da categoria. "Já dormi na expectativa de acabar". 

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A funcionária pública Joselita Costa, 40, também aguardava por cerca de 20 minutos o coletivo que a leva até o trabalho, na Base Naval. Geralmente, o transporte chega ao ponto às 6h45. 
 

Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

"Até agora não passou essa opção, mas os ônibus, pelo o que parece, estão saindo aos poucos", acredita a funcionária pública.

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Na Federação, na altura do Alto das Pombas, passageiros aguradam - em vão - a espera dos ônibus. 

Foto: Jorge Gauthier/CORREIO


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O conferente Jair Oliveira  saiu de casa satisfeito essa manhã. Ele mora em São Marcos e trabalha em Lauro de Freitas. "A volta desses ônibus foi "100%" pra mim. Ontem eu passei por um transtorno danado pra voltar pra casa", contou ele.
 

Foto: Milena Teixeira/CORREIO

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Alguns coletivos intermunicipais também já são vistos na cidade.

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O Sindicato dos Rodoviários confirmou que, nas assembleias, a categoria aprovou a proposta ofertada no final da tarde de ontem e os coletivos começaram a sair das garagens às 5h. De acordo com o diretor jurídico do sindicato da categoria, Pedro Celestino, as assembleias continuam acontecendo e a previsão é de que todos os coletivos estejam nas ruas às 7h. 

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Da empresa Salvador Norte (ônibus azul), todas as garagens já foram liberadas. Já na empresa Plataforma (amarelo), apenas uma garagem ainda vai participar da assembleia, no Caminho de Areia, e da OT Trans (verde), a menor garagem, na Avenida San Martin, aguarda a chegada do sindicato para liberar os coletivos.

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"A diretoria, de forma simultânea, está fazendo assembleias nas garagens. A gente decidiu pelo retorno porque a proposta é palpável e coerente com a situação do país, e também em sensibildiade ao sofrimento da população. A gente acredita que, no mais tardar 7h, todos os ônibus estejam nas ruas", explicou o sindicalista.

(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

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A auxiliar de serviços gerais Maria das Graças da Silva, 34,  comemorou a volta dos ônibus na manhã desta quinta-feira (24). Moradora da cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, ela disse só ontem gastou R$ 15 reais a mais pra chegar no trabalho, que fica no Rio Vermelho. "Graças a Deus esses ônibus estão de  volta. Eu não quis faltar, porque o pessoal do meu trabalho estava contando comigo", disse ela.

(Milena Teixeira/CORREIO)
(Milena Teixeira/CORREIO)
(Milena Teixeira/CORREIO)
(Milena Teixeira/CORREIO)
(Mauro Akin Nassor/CORREIO)
(Mauro Akin Nassor/CORREIO)
(Mauro Akin Nassor/CORREIO)

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Uma reunião entre patrões, funcionários e a prefeitura de Salvador chegou a um entendimento no final da tarde dessa quarta-feira (23). Uma nova proposta, mediada pela prefeitura, oferece reajuste de 2,7% tanto no salário como nos benefícios, como tíquete-refeição. Ela foi aceita pelo sindicato. Em assembleias nas garagens na madrugada desta quinta, a categoria aceitou a proposta.

“Trata-se de um reajuste maior do que a inflação, ou seja, é um ganho real para os trabalhadores”, comentou o prefeito da capital, ACM Neto (DEM), em entrevista coletiva ontem.

A categoria pedia reajuste  salarial de 6% - baixou para 3% - e tíquete-refeição de 10% - baixou para 2%. Mesmo assim, as empresas se recusaram a conceder o pedido e, até antes da reunião de ontem na prefeitura, aceitavam dar somente 1,69%, para repor a inflação.

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Proposta
“Convidei tanto os empresários quanto os trabalhadores para uma reunião aqui na prefeitura, que durou algumas horas, de muitas e intensas negociações, mas felizmente as duas partes tiveram o bom senso de colocar na mesa uma proposta, que agora vai ser submetida à assembleia”, disse o prefeito.

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“Uma vez os rodoviários aprovando, em assembleia, nós podemos ter a suspensão da greve ainda na madrugada desta quinta-feira (hoje), garantindo assim o pleno e total funcionamento do transporte público já a partir das 5h desta quinta”, completou.

Dentro da proposta, também está a definição de que a CNH será financiada pelas empresas e dividida em dez vezes pelos trabalhadores.

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“A gente queria muito mais, mas não conseguimos. Acredito que a categoria terá maturidade e aceitará a proposta. E foi um aumento superior ao que outras categorias estão obtendo pelo Brasil. Além disso, conseguimos o compromisso dos patrões de concederem empréstimos para a renovação das carteiras de habilitação, que serão pagos em parcelas mensais”, afirmou Hélio Ferreira.

O prefeito garantiu que não haverá reajuste de tarifa e nem supressão de linhas existentes, como propuseram as empresas de ônibus. “Não vamos mexer um centavo no preço da passagem e não vamos suprimir nenhuma linha. Não admiti prejudicar o usuário”, disse.

“A gente reconhece que existe uma crise econômica que afeta o transporte. Então, a prefeitura vai fazer auditoria na bilhetagem e no serviço das empresas para concluir se o contrato está equilibrado ou não”, completou Neto.

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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