Após empate, Ramon se diz chateado: 'Infelizmente, oscilamos muito'

e.c. vitória
14.06.2021, 00:41:00
Atualizado: 14.06.2021, 00:41:58
Ramon Menezes durante o jogo do Vitória contra o Operário-PR (Arisson Marinho/CORREIO)

Após empate, Ramon se diz chateado: 'Infelizmente, oscilamos muito'

Vitória ficou no 0x0 com o Operário-PR no Barradão, pela 3ª rodada da Série B

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Depois da classificação histórica na Copa do Brasil sobre o Internacional, a expectativa era que o Vitória engrenasse uma série de bons resultados. Mas a realidade não correspondeu à altura, e o Leão ficou apenas no 0x0 com o Operário-PR no Barradão, na noite deste domingo (13), pela 3ª rodada da Série B.

O empate sem gols teve gosto amargo. Afinal, o rubro-negro segue sem ganhar na competição. O time estreou com 1x1 com o Guarani, fora, e tinha perdido para o Náutico, em casa, por 1x0. Após o fim da partida, o técnico Ramon Menezes lamentou o resultado, mas ressaltou a qualidade do Operário.

"Empatar em casa, é lógico que todo mundo sai daqui muito chateado. O torcedor, lógico, quer, dentro de casa, ver seu time jogar da melhor maneira possível e vencer os jogos. Mas eu falei um pouco qual foi nossa dificuldade. No começo do jogo, nós conseguimos pressionar o adversário, principalmente na saída de bola, roubamos algumas bolas ali, tivemos as primeiras chances", disse. 

"Mas, do outro lado, também tem um grande adversário, o Operário é um bom time, e dificultou as nossas ações, começou a jogar a gente para trás. Tivemos que mudar um pouco a maneira de marcar o Operário. O segundo tempo já foi, praticamente, outro jogo. Principalmente, o começo do segundo tempo. Tivemos algumas oportunidades. Conseguimos jogar o Operário para trás. Mas, infelizmente, oscilamos muito dentro do jogo. Isso que nos causou uma dificuldade. Alguns detalhes que precisam ser ajustados. E a gente vai fazer. Estamos aqui para fazer isso", completou Ramon.

Em seu primeiro jogo no comando do Vitória, o treinador havia optado por três zagueiros. Mas, na partida contra o Operário-PR, mudou o esquema tático, voltando à formação que era utilizada antes de sua chegada. O técnico comentou sobre a escolha.

"Quando eu cheguei, no nosso primeiro jogo, optei por um equilíbrio defensivo com os três zagueiros. Então as coisas aconteceram. Eu poderia também, naquele momento, ser criticado por ter entrado com três zagueiros. Eu estou conhecendo o grupo. Eu já conhecia, mas você conhece ainda mais no dia a dia. O importante aqui é levantar a autoestima desses atletas. Eu já estava imaginando um jogo muito difícil, porque, quando você faz uma grande atuação, como fizemos lá... Isso foi falado muito na concentração, para você não perder a concentração. Não faltou concentração, nem espírito ou atitude. Mas acho que o adversário conseguiu, em determinados momentos, impor aqui dentro de casa. A gente tem que corrigir algumas coisas que não deram certo, pelo fato de ter entrado num 4-3-3 ou num 4-1-4-1. Porque, dentro da partida, mesmo entrando com um time, você faz algumas variações no jogo com esses mesmos jogadores. No segundo tempo, você tem que pensar muito. Poderia ter empurrado dois atacantes, o Dinei e o Samuel, como fizemos lá. Mas talvez poderíamos perder o meio-campo. O futebol é muito pensado. Mas a gente está pronto para melhorar, evoluir, e passar tudo isso para os atletas", afirmou.

O Vitória volta a jogar na quarta-feira (16), às 16h, quando encara o Remo no estádio Baenão, em Belém, no Pará, pela 4ª rodada da Série B.

"Agora é recuperar esses jogadores. Temos um compromisso muito difícil diante do Remo. É uma viagem. Observar a equipe rival, já começo hoje a estudar o adversário. O mais importante é que todo mundo tem que estar preparado, como estão. Quando cheguei, gostei muito, porque todo mundo estava muito preparado. Falei para eles quanto tempo eles não jogavam com três zagueiros. Buscar esse equilíbrio. Está todo mundo concentrado para dar o seu melhor quando entrar", concluiu Ramon.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Ramon

Avaliação da partida
Primeiro que, dentro do vestiário, eu deixei bem claro que a confiança está lá em cima. Recuperamos a autoestima, depois dessa grande vitória contra o Inter. Vamos levar isso adiante, na sequência da competição. Sabíamos que era um adversário que vem jogando junto há um bom tempo, muito bem treinado, com uma imposição física, uma característica muito forte dessa equipe. Meio-campo, zagueiros, enfim. Nós sabíamos dessa dificuldade, tivemos no primeiro tempo. Mas é lógico que eu não pensava tanta dificuldade nisso, até porque eu abri um pouco mais a equipe no primeiro temp, com a entrada do Eduardo, principalmente. É um jogador leve, que sentiu um pouco o gramado, com a chuva... A imposição física do adversário dificultou um pouco as nossas ações. Apesar de que, se você analisar, as primeiras boas chances fomos nós que criamos. Depois, sim, o time recuou um pouco, se desorganizou. Nesse começo de trabalho, é normal. Lógico que a gente não espera isso. Eu disse lá dentro do vestiário, venho falando com eles, que o futebol é detalhe. Detalhe em uma marcação, em um arremesso lateral, uma falta dentro da área. Estou pronto para trabalhar muito, para que a gente possa sempre evoluir, sempre crescer. Passei muita tranquilidade para esse grupo, muita confiança.

Escolha de Cedric para o lugar de Eduardo
No decorrer do primeiro tempo, a gente começou a perder o meio-campo. Perdemos ali o Tomas Bastos, com Rafael Chorão, eles começaram a ganhar todas as primeiras e segundas bolas. A entrada de Cedric foi para a gente preencher um pouco mais ali, deixar Bispo mais centralizado, porque esse time gosta de sair muito por dentro, com a movimentação do Ricardo Bueno, principalmente. A manutenção de Bispo, naquele momento, seria muito importante. Cedric também tem uma saída boa, uma qualidade técnica muito boa. Já é um cara mais forte, tem uma certa imposição física. Aí também mudamos um pouco o posicionamento de Pablo. Ele também é um meia-volante, também pode ser esse meia. Vi ele jogar lá no Danubio, fez essa função também. Acho que crescemos no segundo tempo. Poderíamos ter colocado Bruno, Soares ali, por dentro. Mas optamos pelo Cedric. Mais à frente, fiquei na dúvida e poderia ter colocado também Bruno, tirar Guilherme, já que a passagem do Prata fazia com que Guilherme - e Soares, quando entrou - viesse por dentro. Aí tínhamos praticamente cinco homens no terço do campo. A gente pensa muito para fazer as mudanças também.

Dificuldade imposta pelo Operário-PR
É um adversário que... o Matheus tem por característica sair jogando lá de trás. Ele tem as suas movimentações. Estudamos muito bem. No começo do jogo, estávamos conseguindo fazer essa marcação, pressão, em cima do campo de defesa do adversário. Mas é um time muito organizado, que vem jogando junto, tem boas peças. Você não consegue fazer isso o tempo todo. Em determinados momentos do jogo, o adversário vai te jogar para trás. Aí que você tem que estar muito bem-organizado. Talvez tenha faltado esse equilíbrio. Isso dificultou as ações no primeiro tempo. No segundo tempo, a busca desse equilíbrio novamente. Trabalhar. Todo mundo aqui estava muito confiante, jogando em casa, uma responsabilidade muito grande. Bola para frente. Já tem o próximo adversário. Pensar muito, melhorar os detalhes. Fazer as correções, buscar esse equilíbrio durante os 90 minutos, que é muito difícil. Os números não foram ruins. Tivemos oportunidades, no segundo tempo, de matar o jogo. Mas, por outro lado, sofremos lá atrás um pouquinho também.

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