Após não endossar proposta de ingresso do Brasil na OCDE, EUA reafirmam apoio

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10.10.2019, 17:52:00
Atualizado: 10.10.2019, 17:55:18
(Arquivo AFP)

Após não endossar proposta de ingresso do Brasil na OCDE, EUA reafirmam apoio

Embaixada no Brasil divulgou nota; carta à organização tem peso maior

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A embaixada dos EUA em Brasília divulgou nesta quinta-feira (10) uma nota em que reafirma o apoio do país à entrada do Brasil na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O comunicado foi publicado horas depois da agência Bloomberg revelar que os EUA não citam o apoio ao Brasil na carta que enviou ao organismo em agosto. No documento, há respaldo apenas às candidaturas da Argentina e da Romênia.

A nota diz que os EUA apoiam a expansão da OCDE "a um ritmo controlado que leve em conta a necessidade de pressionar as reformas de governança e o planejamento de sucessão". Diz ainda que o trabalho continua para "encontrar um caminho para a expansão da instituição".

Ouvido por O Globo, o professor de Relações Internacionais da FVG, Oliver Stuenkel, diz que a nota é uma estratégia diplomática, mas que não tem peso prático. "É um jeito diplomático de dizer que é os EUA são a favor, mas não tem peso, o que tem peso é a carta. E nela os EUA optaram por dar prioridade a Argentina e Romênia. É uma espécie de reafirmação, mas tem pouca relevância política", avalia.

Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prometido apoiar a adesão brasileira ao bloco, pretendida pelo presidente Jair Bolsonaro, os EUA são contra uma ampliação maior da organização e têm se posicionado de forma contrária as ações do secretário-geral.

A negativa de entrada dos seis países teria relação com essa disputa e acabou atingindo o Brasil. Os EUA são contra ainda a inclusão de novos países europeus ou de áreas de influência da Europa.

A avaliação das fontes é que a questão pode se resolver no ano que vem, quando está prevista a escolha de um novo secretário-geral, e que, nesse momento, poderia haver o apoio formal dos EUA à entrada do Brasil na OCDE.

Em março, em visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, Trump apoiou o início do processo de adesão do Brasil para se tornar membro pleno da OCDE.

Em troca do aceno, Bolsonaro fez concessões unilaterais, como dispensar a exigência de visto a norte-americanos, e começou a renunciar a tratamentos especiais destinados a países em desenvolvimento em negociações com a Organização Mundial do Comércio (OMC), etapa necessária para a adesão.

Leia a íntegra da nota da embaixada dos EUA:
"A declaração conjunta de 19 de março do presidente (Donald) Trump e do presidente (Jair) Bolsonaro afirmou claramente o apoio ao Brasil para iniciar o processo para se tornar um membro pleno da OCDE e saudou os esforços contínuos do Brasil em relação às reformas econômicas, melhores práticas e conformidade com as normas da OCDE. Continuamos mantendo essa declaração.

Apoiamos a expansão da OCDE a um ritmo controlado que leve em conta a necessidade de pressionar as reformas de governança e o planejamento de sucessão. Continuaremos a trabalhar com outros membros da OCDE para encontrar um caminho para a expansão da instituição. Todos os 36 países membros da OCDE devem concordar, por consenso, com o calendário e a ordem dos convites para iniciar o processo de adesão à OCDE”.

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