Arquiteto cria empresa focada em projetos para a classe C a partir de R$ 300

Imóveis
16.05.2016, 08:39:00
Atualizado: 16.05.2016, 15:33:58

Arquiteto cria empresa focada em projetos para a classe C a partir de R$ 300

Márcio Barreto é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O arquiteto Márcio Barreto é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Assim que se formou, participou da seleção de uma multinacional e se  tornou o responsável pelos projetos de escritório da empresa, na região Norte e Nordeste do Brasil, mas a vontade de ter o negócio próprio foi maior e Márcio criou a Arquitetura do Barreto, empresa que está se especializando em projetos econômicos a partir de R$ 300 por cômodo projetado. 

“Iniciei meu primeiro estágio ainda no primeiro ano de faculdade em um escritório de desenvolvimento de maquete 3D, depois outro estágio voltado para arquitetura predial, residencial e interiores”, explica o arquiteto. 

Foto: Divulgação

Veja entrevista:
Por quais motivos você teve ideia de colocar seu foco profissional no segmento de projetos mais baratos, para a classe C?

 Durante a faculdade, no curso de cada disciplina, eu percebia cada vez mais a importância da profissão que escolhi, e me questionava por que os serviços de um arquiteto não atingiam  todas as classes sociais. Todos deveriam ter acesso ao profissional que é responsável por levar conforto, estética e funcionalidade aos ambientes. Famílias com menor poder aquisitivo têm adquirido apartamentos cada vez menores, pelo alto custo dos imóveis, e acabam ocupando o tão sonhado “lar doce lar” de forma equivocada, comprando móveis de dimensões erradas, fazendo obras sem o reaproveitamento de materiais, e diante de retrabalho e mais retrabalho, acabam tornando o seu sonho em pesadelo.

Quando percebeu que era o momento de investir nesse segmento?
Assim que me formei, o mercado para o arquiteto era favorável e acabei me inserindo em uma empresa multinacional e fazendo projetos como autônomo para o conhecido “cliente-padrão” da arquitetura. Durante esse tempo, desenvolvi projetos de casas, interiores de apartamentos novos, alguns projetos de reformas e ampliações de escolas. Porém, o mercado vem demonstrando sinais de esgotamento de serviço. Percebi que era a hora de reinventar, que era a hora de voltar a pensar nos meus questionamentos enquanto estudante.  Então alinhei a minha formação com a experiência que adquiri de atendimento ao cliente, desenvolvimento de projeto e agilidade no uso dos programas utilizados pelos arquitetos e criei o lema: “O projeto dos seus sonhos agora cabe no seu bolso”.

Qual a sua intenção?

A minha vontade é permitir que aquela família que não acreditava ser possível contratar um arquiteto, agora tenha esse serviço de qualidade. Os projetos desenvolvidos têm a personalidade de cada contratante e sempre levam em conta o custo de execução dos serviços e a compra de mobiliários. A ideia também é que o projeto não fique apenas no papel, e sim, seja executado de acordo com a situação financeira do cliente.

Qual o principal público alvo?
Todas as famílias que tenham o sonho de ter uma casa bonita, confortável e funcional, mas que até o momento não pensavam em adquirir o serviço do arquiteto por limitações financeiras.

Qual o ambiente que as pessoas mais procuram para fazer as consultorias?

Com certeza o quarto do bebê ganha em quantidade e devido às dimensões dos imóveis atuais, inserir um berço, um trocador, guarda-roupa, poltrona de amamentação e muitas vezes uma banheira, é um exercício de criatividade que só um profissional consegue resolver. Além disso, por se tratar de um momento mágico na vida das famílias, elas sempre desejam um quarto lindo e aconchegante para o seu bebê. Na sequência, os sanitários e lavabos são os mais pedidos, tanto os clientes que adquirem um apartamento novo e os que compram o imóvel usado acabam dando grande atenção a esses espaços. Seguida por salas, cozinhas e quartos.

Qual a principal tendência que você segue na hora de sugerir a ambientação do espaço?
Primeiramente o uso. Começo a desenvolver o projeto sem me apegar às cores e aos acabamentos, priorizo a funcionalidade do espaço visando atender à necessidade do cliente. Depois de tudo resolvido, começo a parte encantadora de colocar cores, materiais e decoração, sempre aliada ao gosto do cliente. Devido à importância que dou ao uso dos espaços, posso dizer que a tendência utilizada é: menos é mais, assim tudo que estiver no ambiente, tem um motivo.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas