Atakarejo: um mês após o crime, mãe relata angústia e diz que filho 'não está em paz'

salvador
26.05.2021, 16:00:00
Bruno e Yan após serem detidos (Reprodução)

Atakarejo: um mês após o crime, mãe relata angústia e diz que filho 'não está em paz'

Oito pessoas foram presas e homicídios ainda estão sendo investigados

Faz um mês, nesta quarta-feira (26), que o corpo de Yan Barros da Silva, 19 anos, foi encontrado no porta-malas de um carro, na entrada da comunidade da Polêmica, em Salvador. Ele e o tio, Bruno Barros da Silva, 29, foram assassinados depois de serem flagrados furtando carne no supermercado Atakarejo, em Amaralina. Desde então, a família está pedindo por justiça.

Os últimos 30 dias serviram de reflexão para a mãe do jovem, Elaine Silva, 37, que acredita que o filho ainda não está bem. “No meu coração de mãe sinto que ele só vai ficar bem quando as pessoas que fizeram isso com ele forem presas e pagarem pelo que fizeram. Enquanto isso não acontecer ele não vai estar em paz”, disse.

Yan e Bruno partilhavam muitos pertences, como peças de roupas e calçados, e depois que eles morreram, antigas namoradas levaram a maioria dos objetos pessoais. Elaine ficou apenas com uma camisa, a carteira e os documentos do filho. A blusa cinza e azul de gola branca, com a qual passou o último aniversário, e as fotos de Yan se tornaram as únicas lembranças físicas.

“Minha filha sonha com ele sempre. Yan diz para ela que vai voltar. Já eu, não sonhei com meu filho nenhuma vez. O que eu peço é justiça para que esse crime não fique em vão”, disse. Elaine contou que esteve na delegacia há alguns dias, mas que depois disso não teve mais contato com os investigadores.

Rotina
Um mês após a morte a rotina da família ainda não voltou à normalidade. Elaine continua enfrentando problemas para dormir e, em alguns momentos do dia, pensa no filho de repente no meio das atividades.

Ela contou que tinha o hábito de aproveitar o fim de semana para acordar um pouco mais tarde, mas que isso mudou com o assassinato de Yan. Ela tem despertado por volta das 5h, todos os dias, depois de uma madrugada de sono instável. “É muito difícil. Está fazendo um mês hoje que eles fizeram essa crueldade com meu filho e eu continuo aqui, pedindo a Deus justiça”, contou.

Em nota, a Polícia Civil informou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) continua investigando o caso, que o inquérito policial foi prorrogado, mas que não pode fornecer mais detalhes para não atrapalhar a apuração. Confira na íntegra:

A 1ª DH/Atlântico segue com as investigações acerca das mortes de Bruno e Yan Barros da Silva. O inquérito policial encontra-se prorrogado para coleta de novos dados e as prisões temporárias estão dentro do prazo. Oito pessoas foram presas e mais de 30 já foram ouvidas. Laudos periciais serão analisados. Mais detalhes não estão sendo divulgados, para não prejudicar o curso das apurações.

Entenda o caso
No dia 26 de abril, uma segunda-feira, um carro abandonado na entrada da comunidade da Polêmica, no bairro de Brotas, em Salvador, deixou os moradores curiosos. A polícia foi chamada e, por volta das 17h, policiais militares da 26ª Companhia Independente da PM (CIPM/Brotas) encontraram no porta-malas do veículo dois corpos, que no dia seguinte foram identificados como sendo de Bruno e de Yan. As vítimas receberam diversos tiros na cabeça e estavam desfiguradas.

A última vez em que os dois fizeram contato com a família foi naquele mesmo dia, algumas horas antes, quando estavam no supermercado. Bruno era pai de uma menina de dois anos e morava na mesma casa que o sobrinho Ian, no bairro de Fazenda Coutos. Os dois saíram cedo do imóvel, mas não disseram para onde iam. Por volta das 15h30, chegaram à loja do Atakadão Atakarejo da Rua Jânio Quadros, em Amaralina.

Eles foram flagrados furtando peças de carne e foram detidos pelos seguranças do estabelecimento. Bruno mandou uma mensagem de áudio para uma amiga contando que tinha sido detido e pedindo dinheiro emprestado para pagar pelo produto e ser liberado, mas tio e sobrinho desapareceram em seguida.

A versão da família, e que também está sendo a linha de investigação da polícia, é de que funcionários do supermercado chamaram traficantes que atuam na região e entregaram Bruno e Yan para os bandidos. As testemunhas, relataram que mais de dez criminosos foram até o local buscar as duas vítimas.

O passo a passo foi registrado em fotos. O primeiro registro mostra o momento em que eles foram flagrados roubando carne na rede de supermercado. Os dois estão agachados numa área interna do estabelecimento, ao lado dos produtos que teriam sido furtados e de um homem, apontado como segurança da loja.

O segundo momento mostra tio e sobrinho sentados numa escadaria do Boqueirão. As últimas fotos são dos corpos, ambos com os rostos deformados por conta dos disparos. As imagens circularam nas redes sociais e também foram analisadas pela polícia. Oito pessoas foram presas até agora, sendo três seguranças e cinco traficantes.

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