Bahia e Palmeiras são os únicos que não contrataram na pandemia

e.c. bahia
15.09.2020, 05:00:00
Mano Menezes analisa carências do elenco do Bahia antes de buscar reforços (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

Bahia e Palmeiras são os únicos que não contrataram na pandemia

Em agosto, Bellintani dizia que tricolor não precisava de reforços; crise no Brasileirão fez mudar de ideia

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O Bahia corre contra o tempo para sair da situação delicada em que se encontra no Campeonato Brasileiro. Sem vencer há sete jogos, o tricolor soma apenas nove pontos e está em 16º lugar, a um passo da zona de rebaixamento, área da tabela que não frequenta desde 2018. 

A tentativa de reformulação começou com a troca no comando técnico: saiu Roger Machado e chegou Mano Menezes. Mas a mudança vai passar também pela contratação de reforços para o elenco. E é aí que o tricolor precisa ser rápido.

Entre os 20 clubes da Série A, apenas Bahia e Palmeiras não fizeram uma contratação sequer para o Campeonato Brasileiro. O Athletico-PR lidera a lista de equipes que mais contrataram, com 11 jogadores novos a partir da pausa no calendário forçada pela pandemia do novo coronavírus. Atlético-MG, com nove, e Sport, com sete, fecham o top 3.

O Santos vive situação diferente. O clube foi punido pela Fifa e está impedido de inscrever novos jogadores, mas tem acordos com os volantes Elias e José Welison.

Até aqui, os reforços do Bahia para disputar o Brasileirão ficaram restritos aos jogadores remanescentes da extinta equipe de aspirantes. Ao todo, dez foram promovidos para o grupo principal. Nomes como Mateus Claus, Matheus Bahia, Edson, Alesson, Fessin e Saldanha já foram utilizados no torneio.

Um dia depois de perder a final da Copa do Nordeste para o Ceará, o presidente Guilherme Bellintani chegou a avaliar que o elenco não precisava de reforços para a sequência da temporada. “Eu discordo frontalmente, de maneira muito clara, de que o problema do Bahia é contratação. Não acho que seja. Acho que isso seria uma atitude de um presidente irresponsável e que quer simplesmente gastar dinheiro do clube para fazer média com a torcida no curto prazo. Primeiro, que o clube não tem mais dinheiro para contratar. A gente precisa honrar os compromissos que tem até aqui. E, segundo, que não é esse o problema do Bahia”, analisou Bellintani na época. Era 5 de agosto.

O pensamento do presidente tricolor, no entanto, já mudou. No domingo, após a derrota para o Atlétigo-GO em sua estreia, o novo técnico Mano Menezes afirmou que a direção do Bahia assegurou a possibilidade de fazer contratações. E revelou que estabeleceu o jogo contra o Corinthians, amanhã, às 21h30, na Neo Química Arena, em São Paulo, como o prazo limite para a análise das carências do elenco e definição das peças que o clube vai buscar no mercado.

“Quando a direção do Bahia e eu estávamos ajustando o contrato, o presidente se predispôs, como diretoria do Bahia, para que a gente analisasse as questões de reforços. Essa é uma é uma ideia que vem se desenvolvendo e analisando. Eu disse a ele que gostaria de pelo menos ver os jogadores um pouco mais”, contou Mano após a derrota por 1x0 em Pituaçu.

“Nosso limite que estabelecemos é o jogo contra o Corinthians. Depois disso teremos uma parada de dez dias (até o jogo seguinte, contra o Athletico-PR). Existe essa ideia, mas temos que saber onde vamos atacar, com quem vamos contar, os setores que precisamos encontrar soluções que não estejam aqui. Essas discussões são sempre melhores de fazer de forma interna. Não vamos expor atleta”, explicou o treinador.

Mano já garantiu pelo menos uma nova peça para o elenco. O meia Eric Ramires, que volta de empréstimo do Basel, da Suíça, vai ser utilizado por ele.

Atacante vendido
Se por um lado o Bahia ainda não fez novas contratações para o Brasileirão, por outro o clube tem enxugado o elenco através de negociações, empréstimos ou contratos encerrados.

Desde o início da temporada, oito jogadores deixaram o grupo principal. Fora dos planos do Esquadrão, o lateral Giovanni e o atacante Arthur Caíke não tiveram os contratos renovados, enquanto o volante Yuri foi liberado para o Oeste. O meia Régis foi emprestado ao Cruzeiro e o atacante Fernandão entrou em acordo e rescindiu o contrato.

O Bahia ainda vendeu o volante Flávio para o Trabzonspor, da Turquia, e o atacante Gustavo ao Incheon United, da Coreia do Sul. O último a deixar o clube foi o também atacante Caíque, anunciado ontem pelo Al-Nasr Dubai, dos Emirados Árabes. Os valores não foram revelados, mas a negociação gira em torno de R$ 3 milhões. O Bahia possuía 60% dos direitos econômicos e receberá R$ 1,8 milhão. O Jacuipense tinha 40% e pega R$ 1,2 milhão.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas