Baile leva música instrumental, dança e samba-reggae para o Campo Grande

salvador
03.07.2018, 21:03:00
Atualizado: 03.07.2018, 21:17:10
(Betto Jr./CORREIO)

Baile leva música instrumental, dança e samba-reggae para o Campo Grande

Tradicional apresentação da Orquestra do maestro Fred Dantas faz parte das comemorações da Independência da Bahia

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Após passar pelo seu auge na segunda-feira (2), o 195º ano de comemorações do Dois de Julho também teve festa nesta terça-feira (3), com a tradicional apresentação da Orquestra do maestro Fred Dantas no Baile da Independência, na praça do Campo Grande. Centenas de pessoas acompanharam ao show – junto das imagens do caboclo e da cabocla - que começou ao som do hino da cidade de Salvador e levou música instrumental, samba-reggae e até valsa para o centro da capital baiana. 



A chefe de cozinha Andrea Oliveira, 42 anos, saiu de casa, no bairro de Fazenda Grande do Retiro, bem cedinho à procura de um emprego. No final da tarde, viu a aglomeração na praça do Campo Grande e resolveu ficar. “Não sabia que os caboclos estavam aqui e nem que ia ter um show grande desse. Estou impressionada”, comemorou ela, após o dia cansativo “Adoro ouvir música, porque me dá tranquilidade”, completou.

Além do maestro Fred Dantas e seus músicos, a apresentação contou ainda com participações da cantora baiana Lia Chaves e do ator e cantor Mário Bezerra (membro da Cia Baiana de Patifaria). Teve também canções que representam a baianidade, como São Salvador, de Dorival Caymmi, e Na Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso. “O 2 de Julho é uma data que se faz por si só, mesmo se não tivermos palco com ocupações artísticas. Mas, o que faço nesses dois dias é capitalizar o sentimento de resistência e luta e prologar as comemorações em torno dos caboclos e do fogo simbólico”, afirma o maestro Dantas, que também promoveu o XXVI Encontro de Filarmônicas no 2 de Julho.

(Fotos: Betto Jr./CORREIO)


O Baile da Independência, segundo ele, foi inspirado em uma festa que já existia na metade do século passado, em Salvador, que tinha o objetivo de complementar as manifestações cívicas e religiosas da data. “Dois de Julho é o dia em que as pessoas manifestam as paixões – seja políticas, religiosas, etc. Já 3 é dia de festa, de reconstrução artística desse momento. O Baile é uma farra. Tem muita dança no meio da rua”, acrescenta Dantas. 

Após tocar músicas baianas e trazer influências do samba-reggae para a música instrumental, a orquestra levou ainda valsa, boleros e até salsa para a praça. A clássica Danúbio Azul, por exemplo, invadiu o centro de Salvador e conquistou o público de todas as idades. Soteropolitanos como a aposentada Isabel Rios, 61, levaram seus familiares para o local. “Ontem não pude acompanhar ao desfile, mas hoje aproveitei para curtir o Baile. Amo dançar e sou apaixonada por música instrumental de qualidade. É um verdadeiro espetáculo”, conta ela, que acompanha a programação musical há cinco anos. 

Apesar de integrar a Igreja Messiânica, ela reverenciou as imagens dos caboclos. “Agradeci porque acredito muito nos antepassados. Acredito que não temos apenas uma vida e sei que toda nossa história é fruto de muito sangue e luta”, explica. 

Programação cultural
As programações culturais em torno data magna ainda seguem nesta quarta-feira (4), às 18h. Excepcionalmente neste dia, o Espaço Cultural da Barroquinha apresenta o 14º encontro da série Patrimônio É..., roda de conversa mensal sobre educação patrimonial que, desta vez, discute o tema Rotas da Independência. As celebrações serão encerradas às 18h30 da quinta-feira (5), com a volta dos Carros Emblemáticos à Lapinha. O ato contará com a participação da orquestra do maestro Reginaldo de Xangô, fanfarras e grupos culturais.

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