Barra, um bairro tão visitado e tão inseguro

entrelinhas
11.09.2021, 05:00:00

Barra, um bairro tão visitado e tão inseguro

Notícias que marcaram a semana

Barra pesada. A expressão linguística tipicamente brasileira é nome de filme (de 1977), de música (Trio Parada Dura e Dicró) e de programa policial famoso (na TV cearense). Em Salvador, virou apelido-adjetivo para um dos bairros mais famosos da capital por conta dos diversos episódios de violência recente. Não foram casos quaisquer.

No começo da semana iniciada no dia 5 de setembro, dois casos em dias consecutivos chamaram a atenção para o bairro, que já vinha envolvido em casos graves nas semanas anteriores. 

Primeiro, no domingo (5), três pessoas foram baleadas na região do Porto da Barra após um tiroteio. Rodrigo Cerqueira de Jesus, conhecido como Tosca e suspeito envolvimento com o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil, morreu. A mãe dele e um amigo não identificado ficaram feridos. Tosca, que seria o alvo dos bandidos, é suspeito de fazer parte de uma facção que atua no bairro do Cosme de Farias.

O tiroteio aconteceu no início na noite num bairro que tem o costume de receber intenso número de turistas e soteropolitanos para ver o belíssimo pôr do sol. Ou seja, o risco de bala perdida era enorme.

No dia seguinte (6), um corpo apareceu boiando nas águas do Porto da Barra, uma das praias mais frequentadas da cidade - e que atualmente precisa ter o acesso controlado para não lotar - e que já foi eleita por meios de comunicação estrangeiros como uma das mais bonitas do mundo.

O homem estava com os pés amarrados com corrente e a linha de investigação aponta para suicídio. O fato da praia estar fechada na segunda-feira reduziu o que seria uma possível história de terror para banhistas.

Em agosto, dois moradores de rua acabaram morrendo após o barraco onde viviam ser incendiado propositadamente.

Segundo moradores e comerciantes ouvidos pelo CORREIO, o clima é pesado mesmo. O gerente de uma loja de roupas que fica em frente à praia contou que instalou um novo portão, na frente do primeiro, para tentar se proteger dos bandidos. Mesmo assim, a loja já foi vítima de furtos. “A gente pode esticar o expediente até mais tarde, a prefeitura autorizou, mas eu não fico. Quando o movimento está pequeno, com pouca gente na rua, eu fecho a loja, independentemente do horário”, contou.

A Associação dos Moradores e Amigos da Barra (Amabarra) publicou uma nota nas redes sociais em que cobra do poder público medidas concretas no enfrentamento à violência.

Questionada sobre as queixas da população em relação à insegurança no bairro, a Polícia Militar informou, em nota, que realiza policiamento ostensivo em vias públicas e atua no atendimento às solicitações recebidas. Pelo visto, não tem sido suficiente. 

***

Com reservatórios em baixa, risco de apagão é cada vez maior
A Geração Z pouco lembra ou nem era nascida quando o Brasil viveu a crise dos apagões, em 2001. Pois esse passado que não agradou a ninguém (talvez só aos vendedores de velas, lanternas e adjacentes) está com dias contados para voltar, inclusive em solo baianos. 

Se continuar desse jeito, vai ter apagão na Bahia. A Bahia está dentro de um sistema nacional. A energia gerada aqui vai para outros estados também e, com certeza, a crise afeta a todos, independentemente de como estejam seus reservatórios”, explicou o professor e especialista no assunto Leandro Carralero.

Os reservatórios do Nordeste, em geral, estão com um pouco menos da metade de suas capacidades e a tendência, agora, de chuva. No entanto, reservatórios importantes do país, como Furnas, estão abaixo dos 20% da capacidade e a situação não deve mudar muito nos próximos meses, daí o aviso de Carralero. 

Para completar, por conta do baixo nível dos reservatórios e da necessidade de usar termelétricas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou uma bandeira tarifária 50% mais cara, que já começa a valer nesse mês. Se segurem. 

***

Falsas médicas
A investigação ainda está no começo, mas o caso das falsas médicas de Cruz das Almas, denunciado pelo CORREIO, é grave, e pode ter causado uma morte. Duas médicas que nunca estiveram na cidade tiveram seus nomes carimbados e assinados em protocolos. Uma delas, inclusive assinou atestado de óbito de um paciente, que teria morrido em decorrência de um erro médico.

No entanto, no mesmo dia, a verdadeira médica estava trabalhando em Uauá, a 374km de Cruz das Almas.
Além de um possível exercício ilegal da Medicina, há possibilidade de que médicos que nunca foram contratados pela prefeitura da cidade tenham trocado de plantão com os funcionários e usado os CRMs das duas médicas, prática que era facilitada pelo pouco controle nas unidades de saúde de Cruz das Almas.

***

Inflação afeta o café da manhã
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostrou o porquê que muitos soteropolitanos estão tendo que cortar, pouco a pouco, parte do café da manhã. Nos últimos 12 meses, a inflação da cesta básica na capital foi de 15,93%. Itens como café em pó (4,88% de aumento), a manteiga (4,20%) e o leite integral (2,20%) foram alguns dos que mais puxaram a alta.

Assim, aos poucos, a refeição mais importante do dia, segundo alguns profissionais de saúde vai perdendo sustança. “Eu não lembro quando foi a última vez que comprei queijo ou presunto para o café da manhã”, disse a técnica de enfermagem Elisangela Lima, 46, ao CORREIO. Tem gente trocando café por chá.

***

"A pele escura desperta alarmes. A pele escura está associada à marginalidade, e quem criou esse emblema desgraçado foi o racismo e a gente sabe. Mas eu vou continuar denunciando, gritando, porque eu preciso, eu preciso dizer, eu preciso falar, eu preciso denegrir o meu eco da resistência, e ele sempre vai ecoar. Eu sempre vou falar, gritar, esbravejar, a dor que eu passo todos os dias",  Sulivã Bispo, ator e humorista baiano, que denunciou uma abordagem racista no Aeroporto de Recife quando embarcava de volta a Salvador

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas