Bolsonaro critica política da Petrobras: 'Petróleo é nosso ou de um pequeno grupo?'

brasil
22.02.2021, 11:08:00
Atualizado: 22.02.2021, 11:10:08
(Arquivo AFP)

Bolsonaro critica política da Petrobras: 'Petróleo é nosso ou de um pequeno grupo?'

Ele afirmou que é "inadmissível" presidente da estatal estar trabalhando remotamente

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (22) que a política da Petrobras atende interesses de "alguns grupos do Brasil". Falando a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, ele ainda criticou o trabalho do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e falou da Lei de Responsabilidade Fiscal, afirmando que ela permite que em estado de calamidade a companhia "olhe para outros objetivos". “O petróleo é nosso? Ou é de um pequeno grupo no Brasil?”, questionou Bolsonaro.

Na sexta, Bolsonaro afirmou que Castello Branco será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, que é atual presidente da Itaipu Binacional. Sofrendo pressões por conta dos aumentos no combustível, ele diz que o reajuste precisa ser mais transparente e ter previsibilidade. 

“É sinal que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras, atender os interesses de alguns grupos do Brasil”, disse o presidente. “A Petrobras, em um estado de calamidade, de acordo com o artigo 65 da Lei de Responsabilidade Fiscal, tem que olhar para outros objetivos também”, avaliou.

Segundo o Valor Econômico, Bolsonaro disse que Silva e Luna tem feito um bom trabalho em Itaipu. Já o presidente da Petrobras foi duramente criticado por trabalhar remotamente durante a pandemia. “Isso é inadmissível. Imagine eu trabalhando de casa, com medo do covid?”, reclamou. “Pode até estar fazendo bom trabalho de casa, mas para mim não se justifica ausência da empresa”.

Ele falou também no salário do presidente, afirmando que ele ganha mais de R$ 50 mil por semana, e sugeriu que os funcionários da Petrobras não são eficientes. "O ritmo de trabalho de muitos servidores lá está diferenciado".

O presidente garantiu que não vai interferir na política de preços, mesmo em meio às críticas.  “Mas não consigo entender num prazo de duas semanas ter reajuste em 15% (no diesel)”, afirmou. “Não foi esta a variação do dólar aqui dentro e do barril lá fora, tem coisa que tem que ser explicada. Eu não peço, eu exijo transparência de quem é subordinado meu, a Petrobras não é diferente”, disse.

Bolsonaro se queixou que ninguém no governo está buscando soluções para reduzir o preço para o consumidor.  “No fundo, ninguém fazia nada, eu tenho que descobrir sozinho isso. A gente vai mudar, mudanças teremos no governo sempre que se fizer necessário".

Queda nas ações
As ações da Petrobras começaram a semana com queda de 16%, puxando o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, que recuava mais de 4% logo após a abertura do mercado nesta segunda-feira, 22.

Na Bolsa de Nova York, o American Depositary Receipts (ADR) da Petrobras, recibos de ações negociadas por lá, despencava mais de 16% no pré-mercado.

A forte queda é uma reação do mercado financeiro à interferência do presidente Jair Bolsonaro no comando da petroleira. Na sexta-feira, ele indicou o general e ex-ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna, atualmente diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, para assumir a presidência da Petrobras e um assento no conselho de administração da estatal. Antes mesmo do anúncio do nome, declarações de Bolsonaro provocaram pânico no mercado financeiro e as ações da empresa tiveram queda de quase 8%. Num único dia, a Petrobrás perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado.

Até quinta-feira, a estatal estava cotada a R$ 383 bilhões, mas, após as falas do presidente da República, a empresa encerrou a semana valendo R$ 354,8 bilhões.

Para membros do conselho de administração da Petrobrás, a mudança no comando da empresa é vista como inevitável. Alguns conselheiros da estatal estudam votar pela recondução do presidente Roberto Castello Branco, mas o estatuto dá poder à União para fazer a troca.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas