Camarão, bacalhau, carne seca... Abará recheado faz sucesso em Salvador

bazar
09.01.2019, 06:00:00
Atualizado: 09.01.2019, 12:02:11
(Fotos de Renato Santana)

Camarão, bacalhau, carne seca... Abará recheado faz sucesso em Salvador

Conheça versões diferentonas do quitute, que têm recheios como camarão, bacalhau, polvo e até carne seca

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Abará é massa de feijão-fradinho, cebola, azeite-de-dendê, camarão seco e sal, envolta em folha de bananeira e cozida em banho-maria. Isso de acordo com o Dossiê Ofício das Baianas de Acarajé (2007) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Porque pelas ruas de Salvador, a criatividade vai muito além do combo vatapá, salada, camarão e pimenta das baianas de acarajé. Recheado ou temperado - o nome depende de quem produz -, ele tem o céu como limite: bacalhau, carne seca, lagosta, polvo, caranguejo, frango, vegetariano...

A turma da iguaria diferentona está firme e forte. O Abará do Fradinho tem cinco pontos de venda em Salvador e vende três mil unidades por mês. O Abaratto, que fornece para bares, mercados e leva foodbike para eventos, faz 1.500 bolinhos por semana. Pelo iFood, o Estação Bahia entrega mais de 1.200 quitutes por mês.

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Quem abriu a porteira da mistura, segundo o doutor em antropologia e professor da Faculdade de Gastronomia da Ufba, Vilson Caetano, foi uma baiana de acarajé cujo tabuleiro ficava perto da Faculdade Baiana de Medicina, em Nazaré. Na década de 90, ela substituiu o camarão seco pelo bacalhau, dando origem, assim, ao abaralhau, para agradar clientes adventistas, que consideram o camarão um animal impuro.

Treta
Tem quem não goste de chamar o bolinho com recheio de carne seca ou bacalhau de abará. “Não tenho problema nenhum, todos têm direito de trabalhar. Agora, abará com outro tipo proteína eu não concordo que tenha a nomenclatura abará. É uma comida sagrada, de matriz africana, vendida em tabuleiro de baiana de acarajé, que é patrimônio imaterial do Brasil, tombado pelo Iphan”, afirma Elaine Assis, herdeira da lendária Dinha do acarajé que está à frente do tabuleiro no Rio Vermelho.

No Restaurante Senac Pelourinho só sai abará tradicional. As mudanças, de acordo com a chef Jacqueline Bispo, descaracterizariam a receita. “Ocorre que que as pessoas querem comer esse tipo diferente. As próprias alunas criam suas versões” conta ela.

História
Tem raízes na culinária africana. De acordo com Vilson, a origem remete ao Século 18, com os primeiros registros nas cartas do professor Luís Vilhena. A receita mais antiga é do final do século 19, registrada por Manoel Querino. Outros nomes da iguaria pela África: abalá, olelé e manman. Nos terreiros de candomblé, é associado à orixá Oxum.

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Onde encontrar

Keka Bispo
Chef do Senac-BA, a cozinheira fornece, nas horas vagas, abará por encomenda (a partir de R$ 1,50), a depender do recheio, que pode ser de moqueca de camarão fresco ou bacalhau, amendoim e castanha ou pimenta doce (vegetarianos). Há seis anos ela faz as delícias. São necessários dois dias de antecedência, mas vale a pena: o sabor é incrível e a textura é fantástica: derrete na boca. Telefone: 71 99116-4000.

Abará com recheio de camarão da Abaratto

Abaratto
Tem duas food bikes (bicicletas equipadas para vender abará), 10 revendedores (como o Bar’Tal e a Fellini Panetteria) e recebe encomendas. Produzem cerca de 1.200 abarás por semana, chegando a picos de 1.500 no Verão.

Mas o negócio começou pequenininho, com Carmen Veloso, 62, que há seis anos viu na iguaria a possibilidade de ocupar o seu dia. Fornecia para bares e conhecidos. Há cerca de dois anos, seu filho, o administrador Fábio Veloso, entrou na jogada e eles criaram a marca Abaratto. O volume de pedidos foi crescendo e o pai dele, Isaac, e sua tia Conceição, chegaram para reforçar a equipe.

O kit de abará ainda pode anida ser acompanhado de um pote de vatapá e a pimentinha feita por seu Isaac. Os sabores de abará são camarão e bacalhau. Provamos o primeiro, que tem massa leve e salpicada com tomate e pimentão picados, além de ter pedaços razoáveis do crustáceo. Preço unitário: R$ 2,70. Pedidos via WhatsApp 71 98819-2200 e 98705-5457. Instagram: @abaratto_gourmet.

O abará com bacalhau do Estação Bahia

Estação Bahia
Da infância na Ilha de Itaparica, onde nasceu, veio o amor pelo abará na gastrônoma Iracy Campos, 60. A ideia de comercializar veio com o marido, o carioca Joab Campos, 65.

Eles começaram a empreitada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, mas não aguentaram ficar muito tempo longe da Bahia. Voltaram e hoje vendem mais de 1.200 unidades do quitute por mês, entre encomendas pelo WhatsApp e vendas pelo aplicativo iFood. Rola todo dia, menos aos domingos, quando o casal descansa.

O abará é bem gostoso. A massa, leve, tem pedaços generosos de recheio nos sabores camarão (R$ 1,50) e bacalhau (R$ 2). Há também a opção vegetariana (R$ 1,50). Pedidos via WhatsApp (71 99334-6460). Instagram: @estacao.bahia. Vendas também pelo aplicativo iFood.

A iguaria com recheio de polvo, do Abará do Fradinho (Foto: Instagram/Reprodução)

Abará do Fradinho
Tem cinco pontos de venda em Salvador, sendo três no Imbuí, um na Pituba e um em Stella Maris. Surgiu em 2015 e já nasceu abará recheado, como é chamado pelos seus criadores.

Inicialmente, era apenas Lucas Reis, 37, criador da receita, e um funcionário. Depois o sócio Ícaro Garotti, 35, entrou para o time. Atualmente, a produção é de cerca de 3 mil abarás por mês.

Tem de camarão, bacalhau, siri, carne seca, aratu, caranguejo, polvo, lagosta e xinxim de frango (R$ 10 a unidade). Endereços: R. João José Rescala (segunda a sábado, 16h-23h); R. dos Colibris (quarta a sexta-feira, 16h-22h); Imbuí Ville (quarta a sexta-feira, 16h-22h); R. Ceará (terça a sexta-feira, 16h30-21h); Praça do Petromar (sexta e sábado, 17h-22h). Também entrega em domicílio e os pedidos podem ser feitos via WhatsApp (71 99146-7732). Instagram @abaradofradinhooficial.

Kiabará

Um fundo de carro aberto faz aglomerar homens engravatados e moças de blazer e conjuntinho atrás do Shopping Sumaré, de segunda a sexta-feira, exceto feriados, de 16h às 18h30 - podendo acabar antes. É o Kiabará, que há quase 10 anos vende a iguaria.

Tudo começou em 2003, quando os baianos Paulo e Luciene Costa, marido e mulher de 64 e 58 anos, respectivamente, resolveram fazer acarajé em Goiânia, onde estavam morando.

Quando voltaram para a capital baiana, resolveram manter a produção. Criaram o Kiacarajé e começaram a vender na Avenida Dorival Caymmi – Itapuã o acarajé e o abará tradicional, só que o movimento não era muito grande no local.

Foi quando, há 9 anos, tiveram a ideia de vender o abará temperado na festa de Iemanjá. Deu tão certo, que saíram de lá direto para a porta do Salvador Trade Center, na Avenida Tancredo Neves, para divulgar o produto. O sucesso foi que nunca mais saíram.

Hoje, contam que muita gente se refere a eles como O Abará da Tancredo Neves. O quitute é generoso em tamanho, recheio e muito saboroso. Foi o mais recheado que provamos nesta reportagem. Havia muitos camarões no meio da massa.

Cada unidade custa R$ 5 e você pode encontrar a iguaria recheada com camarão apenas ou com camarão e pimenta (um lacinho feito da folha de bananeira distingue as opções).

O carro fica estacionado atrás do Shopping Sumaré, quase no finalzinho da rua Rua Ewerton Visco à esquerda. Se você chegar às 16h, de longe já vai percebendo o movimento. Eles vendem em média 100 abarás por dia.

A labuta do casal, porém, não começa no fim da tarde. Todos os dias, elesl começam a preparação às 5h. Às 15h os abarás saem da panela e vão direto para o ponto de venda. Para quem quiser encomendar, o telefone/WhatsApp é 71 98627-9691. E-mail: contato@kiabara.com.br. Instagram: @kiabaragostoso.

O abará recheado com camarão do Divino Abará

Divino Abará
As irmãs Ticila (23) e Joelma Carvalho (30) começaram a vender abará tradicional no no Carnaval de 2016, na Avenida Centenário, para conseguir uma graninha extra.

Fizeram tanto sucesso que resolveram investir na produção da iguaria, mas com recheios. Atualmente, vendem 800 unidades de abarás congelados por mês. As vendas são feitas em kits com a partir de 10 unidades, nos sabores camarão, charque, calabresa, siri catado e azeitona (a unidade custa R$ 2).

Provamos o de camarão, que tinha sabor leve e textura densa. Pedidos via WhatsApp 71 9 9175-9642 e 99351-9645 ou pelo instagram (@divinoabara), com pelo menos um dia de antecedência.

Abará do Possaite

Na década de 50, a avó de Emanuel Possaite, 36, era baiana de acarajé e se apaixonou por um piloto da força aérea inglesa, que dava curso para militares aqui. Desse amor nasceu o pai de Possaite.

Acontece que o piloto teve que voltar para a Europa e o seu filho acabou tendo que ajudar em casa. Ele aprendeu a arte do tabuleiro e, tempos depois, ensinou para o filho Emanuel.

No horário comercial, ele trabalha no Aeroporto, fazendo o translado de pessoas para o avião. Quando não está por lá, tira um tempinho para preparar a iguaria no Jardim das Margaridas, com a esposa, Daniele.

Há 10 anos começou a produção do abará recheado. Inicialmente, era feita todo fim-de-semana para ser vendida em um depósito de bebidas, em sociedade com mais dois amigos de Emanuel. O sucesso foi tanto que, há 3 anos, nasceu a ideia de criar o Abará do Possaite, com ponto fixo, não mais no depósito, lá mesmo no bairro.

A demanda só fazia aumentar, o que acabou sendo muito pesado para o casal e, há 7 meses, eles resolveram voltar à produção caseira e atender somente pedidos por encomenda. Basta ter um dia de antecedência para pedir o kit. A partir de 50 unidades, custa R$200 e vem com moqueca de siri e/ou camarão (seco ou fresco), vatapá e pimentinha.

O abará é bem diferente, pois além de ser temperado com siri, camarão ou qualquer outro fruto do mar a pedido do cliente, ainda leve de quebra a moquequinha e os acompanhamentos. Telefone/WhatsApp: 71 98519-1466 (Emanuel) e 71 99242-1900 (Daniele). Instagram: @abaradopossaite.

Rei do Abará

O carro-chefe é o Abará à Moda da Casa, que vem coberto de ensopad, que pode ser de camarão fresco ou siri catado e custa R$15. Tem recheio e suculência de sobra.

A cozinha é comandada, há 24 anos, por Raimundo Brim, 51, e sua esposa Cláudia Brim, 48. A filha Larissa Brim, 24, faz a comunicação.

Eles começaram vendendo o abará com a receita passada pela mãe de Raimundo, na porta da casa da família, na Av. Vasco da Gama. De lá, foram para o Boulevard 161, no Itaigara, onde têm um quiosque. Funciona de segunda a sexta-feira, das 15h às 21h e aos sábados das 11h às 20h.

Também tem entrega em domicílio na sexta-feira, das 16h às 21h, e aos sábados, das 11h às 20h, recebendo em sua residência com toda segurança e comodidade.

Eles também atendem pedidos de encomenda, desde que feita com 24h de antecedência. Telefone/WhatsApp: 71 99255-9401. Instagram: @oficialreidoabara.

*Integrante da 13ª Turma do Programa Correio de Futuro, com orientação do editor Victor Villarpando

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