Caramurê monta a banca literária no Solar do Unhão  

entretenimento
14.05.2022, 07:00:00
Fim de tarde movimentado no MAM, com sarau poético (Foto: Nara Gentil)

Caramurê monta a banca literária no Solar do Unhão  

Novo ponto de vendas da editora baiana será inaugurado com lançamento de livro de Aléx Simões e sarau

Tem a arte, a arquitetura, a beleza natural e o clima propício para encontros culturais. Estamos falando do Solar do Unhão, que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia e seus espaços agregados, além da  Saladearte – Cine MAM, de  um Café e a partir deste sábado (14) passa a contar também um ponto de vendas da editora Caramurê, especializada em literatura baiana.
  
“O Museu é um ponto de efervescência cultural e nós chegamos com a proposta  de fazer lançamentos e outros eventos artísticos”, afirma o artista plástico e editor Fernando Oberlaender. E o primeiro deles será o lançamento do livro ‘minha terra tem ladeiras’, do poeta e performer Alex Simões, que rola das 16h às 20h, com sarau e leitura de poemas.

Será a oportunidade de ouvir Alex declamando alguns dos 22 poemas do livro - que combina textos inéditos com outros publicados em seus livros anteriores e em antologias. O ponto em comum entre eles é tematizar ou ter a Bahia e Salvador como cenário.

poeta e performer
Além Simões lança o livro "minha terra tem ladeiras" neste sábado (14) (Foto: Caio Lirio/Divulgação)

No texto de apresentação, Alex explica que foi provocado a escrever o trabalho e que suas andanças poéticas e concretas pela cidade podem ser circusncritas no triângulo Centro, Rio Vermelho e Península de Itapagipe. Mas a inspiração vem também da experiência aprendida com poetas como Gregório de Matos, Luiz Gama, Waly Salomão e Caetano Veloso.

“As ladeiras de minha terra são as mesmas pelas quais circulou Gregório de Matos e, em boa parte, é inspirado pelos seus versos, por sua veia lírica e por sua retórica, que sigo escrevendo, para esta Bahia, triste e dessemelhante, e, no entanto, minha terra amada”, escreve Alex. 

O poema de onde é tirado o verso que dá nome à publicação, batizado de Novíssima Canção do Exílio, é uma espécie de síntese desta cidade partida: tem festa, micareta, flores, mijo com lixo no ar e perigos vários: “Quer sair sozinho à noite?/ Bicha, é bom não arriscar!/ Sapatão vão te estuprar!/ Travesti, vão te matar!/ Minha terra tem ladeiras/Bunda pra lá e pra cá”.   

Os escritores Sandro Ornellas e  Itamar Vieira Júnior assinam, respectivamente, o pósfacio e a orelha do livro. Itamar destaca que os versos , pouco a pouco, revelam "lugares, contradições, uma Bahia que está muito além da paisagem que se sacramentou no imaginário popular”. Além de Alex, o recital no MAM contará com as participações dos atores Lúcio Tranchesi e Mônica Santana e da escritora Rita Santana. 

A nova livraria vai funcionar das 13h às 18h, de terça a domingo, seguindo o horário  do MAM. Por lá serão comercializados, além dos títulos próprios, livros de outras editoras e produtos personalizados como camisas, azuleijos, canecas e afins. “A ideia é oferecer. Além de boa literatura, opções criativas de presentes para o consumidor formador de opinião” afirma a publicitária Márzia Chastinet, sócia da  Caramurê. 


minha terra tem ladeiras

FICHA

Livro:  minha terra tem ladeiras

Autor  Alex Simões

Ilustrações  Fernando Oberlaender

Editora  Caramurê, 63 págs, R$ 35)


fotografia
Revista Zum traz ensaio de Lázaro Roberto (Foto: Divulgação)

Negritude em destaque  

O trabalho do fotógrafo baiano Lázaro Roberto, criador do Acervo Zumvi, é um dos destaques da revista Zum nº 22 (Instituto Moreira Salles, 184 páginas, R$ 57,50). Uma das revistas de fotografia mais importantes do país, a Zum traz um ensaio que destaca dife-
rentes aspectos da negritude que tem sido registrados por Lázaro nos últimos 30 anos. E também uma entrevista dele com a professora e curadora Denise Camargo. Nesta edição, a revista traz na capa ensaio da fotógrafa carioca Fernanda Liberti, séries do fotógrafo camaronês-nigeriano Samuel Fosso, autorretratos da artista Castiel Vitorino Brasileiro, registros da cena artística alternativa de Pequim nos anos 1990 pelas lentes de Rong Rong e o trabalho de Mabe Bethônico sobre as tragédias de Mariana e Brumadinho, entre outros destaques. 


feira de água de meninos
Foto: Rubens Guelman

Registros dos anos 60  

O fotógrafo Rubens Guelman lança neste sábado (14), a partir das 15h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, o livro A Fotografia de Rubens Guelman – Diversidades & Identidades (Editora PI, R$ 100). O trabalho reúne dez séries fotográficas documentais, que retratam o realismo urbano da década de 60, e stão em seu acervo inicial, de 1966 a 1968. As imagens revivem andanças em Salvador, Caruaru, Ilha de Itaparica e Recife e trazem flagran- tes  de personagens do cotidiano. Guelman, que mora em São Paulo, é gaúcho, mas faz parte de sua formação em engenharia em  Salvador. A foto acima, por exemplo, foi feita na Feira de Águas de Meninos, no ano de 1968.
 

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