Carnaval movimentará R$ 1,8 bilhão em mais de 50 setores da economia

salvador
19.02.2019, 05:00:00
Este ano, são esperado 4% a mais de turistas na festa (Foto: Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)

Carnaval movimentará R$ 1,8 bilhão em mais de 50 setores da economia

Projeção é da Secretaria de Cultura e Turismo de Salvador (Secult)

A expectativa da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador (Secult) é de que cerca de 800 mil turistas aportem em Salvador para o Carnaval. Vindos principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Sergipe, os turistas de 2019 são um grupo aproximadamente 4% maior do que os que vieram em 2018. Entre os internacionais, os mais frequentes são da Argentina, França, Itália, Portugal e Alemanha. 

Isso porque 2018 já teve um bom desempenho: Salvador recebeu 9,3 milhões de turistas. Esse número é maior do que 2014, que detinha o posto até então. Naquele ano, quando a cidade foi uma das sedes da Copa do Mundo, os visitantes foram pouco mais de 9 milhões. A taxa média de ocupação hoteleira de 2018 – 61,8% - também foi maior do que a de 2017 (58%).

Isso significa uma movimentação econômica estimada em R$ 1,8 bilhão na festa, segundo a Secult.

“Projetamos um aumento de 3,2% na movimentação econômica, sobretudo de turistas nacionais e estrangeiros. Por mais que uma das principais despesas de viagem seja a passagem, eles consomem muito com hospedagem, alimentação, o varejo de uma forma geral e com o acesso ao conteúdo da festa, representado por blocos e camarotes”, diz o titular da Secult, Claudio Tinoco. 

Este ano, a venda de blocos cresceu até 40% e os hotéis no entorno do circuito estão lotados.

Para ele, a presença de clientes de abadás entre os turistas estrangeiros mostra um movimento novo. Até então, o que era notado pelos órgãos municipais era um perfil de turista mais associado aos aspectos da cultura da festa. Assim, o Centro Histórico, que une tanto as manifestações carnavalescas, quanto o patrimônio arquitetônico, era um dos principais destinos. 

A chegada dos turistas nos blocos com corda indica um público mais disposto a mergulhar mais na experiência da festa em si. “Isso é bom para a cidade e é uma consequência dessas inserções que Salvador teve em veículos de grande projeção internacional, como o New York Times e a National Geographic”, diz Tinoco.

A economia da festa é tão complexa que, para o presidente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), Pedro Costa, mesmo com o aumento das vendas de blocos, eles não estão entre os que mais lucram. Segundo ele, 53 segmentos de indústria faturam, de forma indireta ou direta, com a folia.

Entre elas, estão a própria indústria hoteleira – relacionada, principalmente, ao turismo –, bem como as de alimentos, têxtil, cervejaria e até petroquímica. De fato, a indústria hoteleira está otimista. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Glicério Lemos, as previsões apontam para uma média de ocupação maior do que a do ano passado – ou seja, passar de 96% para 97%. Entre os estabelecimentos perto do circuito, a expectativa de taxa de ocupação é de 100%. 

Para Lemos, o pré-Carnaval, que acontece neste fim de semana, com o Fuzuê e o Furdunço, também contribui.

“A antecipação do Carnaval aumenta a receita de hotéis, bares e restaurantes e gera emprego e renda. Somente este ano o setor hoteleiro espera contratar entre 15% e 20% a mais no número de contratação de mão de obra extra”, acrescenta.

A diferença, este ano, é que muitos hotéis já estavam fechados um mês antes da folia, segundo o presidente da Federação, Sílvio Pessoa. “Mas vamos lembrar que a cidade está cheia e não se fica somente em hotel, mas na casa de amigos, parentes, aluguel de temporadas e plataformas digitais. A hotelaria e os outros 50 setores que interagem no turismo estão ganhando”. 

Salvador também está entre as cidades mais buscadas no Airbnb, plataforma digital que facilita o aluguel de acomodações. De acordo com a assessoria da companhia, a capital baiana é a sexta mais buscada para o Carnaval – fica atrás do Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Guarujá (SP) e Ubatub a (SP). O preço médio por noite em Salvador custa R$ 605 no período. 


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