Caso Márcio Pérez: policiais se entregam e são levados para presídio

salvador
20.12.2018, 18:43:33
Atualizado: 20.12.2018, 21:39:29

Caso Márcio Pérez: policiais se entregam e são levados para presídio

Eles serão levados para o Presídio da Mata Escura, em Salvador

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Os soldados Maurício Correia dos Santos e Saulo Reis Queiroz, envolvidos na morte do empresário Márcio Pérez, se apresentaram na tarde desta quinta-feira (20) à Corregedoria da Polícia Militar. Eles serão levados para o Presídio da Mata Escura, em Salvador.  

Os militares estavam com mandados de prisão preventiva em aberto, após solicitação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que investiga as circunstâncias da morte de Perez, ocorrida no dia 19 de setembro, em Armação. A solicitação foi acatada pela Justiça nesta quarta-feira (19).

Os policiais foram encaminhados para a realização do exame de corpo de delito, no Departamento de Polícia Técnica e, em seguida, serão levados para a Coordenação de Custódia Provisória, no Presídio na Mata Escura.

Em contato com o CORREIO, o promotor de Justiça Davi Gallo, que acompanha o caso, afirmou que tanto Maurício Correia quando Saulo Queiroz já entraram com o pedido de habeas corpus. De acordo com Gallo, embora a prisão seja preventiva, "não é impossível" que a Justiça conceda.

"O inquérito policial diz que eles executaram o rapaz, tanto que o juiz entendeu, e atendeu ao requerimento da polícia, que representou pela prisão preventiva. Eles são os responsáveis e eu não tenho dúvidas, acho difícil que o habeas corpus seja concedido", afirmou à reportagem.

Ainda de acordo com Gallo, a previsão é de que o inquérito seja recebido pelo Ministério Público até a próxima quinta-feira (27). "Depois disso, nós ofereceremos a denúncia à Justiça. Essa prisão é algo que já estávamos correndo atrás há algum tempo, porque ela pode ser decretada em qualquer fase do processo".

O Parecer Ministerial de prisão, ou seja, o documento com os argumentos jurídicos e fácitos, segundo Gallo, tem 20 laudas de conteúdo. "O parecer é exaustivo no sentido de elencar por motivos que determinam a prisão. Estamos aguardando o inquérito policial", complementou Gallo, sem comentar o que teria motivado o crime.

Investigação
Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a versão apresentada pelos policiais não coincide com relatos de testemunhas e outras peças do inquérito.

O pedido de prisão preventiva da dupla foi solicitada na segunda-feira (17). De acordo com o diretor do DHPP, delegado José Bezerra, eles podem voltar a ser ouvidos antes do encaminhamento do inquérito ao Ministério Público, que deve acontecer na próxima semana.

O caso
O crime aconteceu na noite de uma quarta-feira. Márcio Pérez estava estacionando o próprio carro na porta de casa, acompanhado de uma mulher, quando foi surpreendido por uma viatura da 58ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Cosme de Farias). Segundo testemunhas, era por volta de 23h e a viatura estava apagada.

Os vizinhos da vítima contaram que o empresário se assustou e saiu com o carro, mas foi perseguido e baleado na nuca pelos militares. Depois de ser atingido, o consultor perdeu o controle do veículo, subiu o canteiro e atingiu uma árvore. A mulher que estava com ele não ficou ferida.

Os policiais não explicaram o que estavam fazendo em Armação, 10 km distante da área em que eles atuam, Cosme de Farias. Também não ficou claro por que a viatura estava com as luzes apagadas e por que só havia dois PMs dentro do veículo, quando a ronda é sempre feita com três militares.

Perez era formado em Economia e sócio de uma empresa que presta consultoria a uma operadora de telefonia. Os pais dele são espanhóis, mas viveram por alguns anos no Brasil, por isso, o empresário tinha naturalidade espanhola.

O pai e a mãe retornaram para a Espanha, mas Márcio resolveu permanecer no Brasil. A família era natural da cidade de Ponte Caldelas, onde o corpo do empresário foi enterrado. Márcio era filho único e deixa duas filhas.

Registro
A TV Bahia e o CORREIO tiveram acesso ao registro feito pelos militares após o assassinato, onde eles explicam o que aconteceu naquela noite. Segundo o registro, os PMs foram abordados por pessoas próximo ao antigo Centro de Convenções, por volta das 23h. Elas contaram que homens em um carro branco, modelo Fiat Palio, estavam realizando assaltos na região. Os policiais teriam identificado um veículo suspeito alguns metros à frente e ligaram a sirene da viatura, pedindo que o motorista parasse.

Ainda segundo o relato dos militares, quando os homens no veículo perceberam a presença dos policiais atiraram contra a viatura e tentaram fugir, o que deu início a uma perseguição com tiroteio. Os policiais contaram que o carro de Márcio surgiu no meio da confusão, em alta velocidade e colidiu no canteiro central.  O caso foi registrado na 9ª Delegacia (Boca do Rio). 

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