'Causos da mineração' em terras baianas

sustentabilidade
18.12.2019, 06:16:00
Atualizado: 18.12.2019, 07:06:42

'Causos da mineração' em terras baianas

Conheça mais sobre a atividade com histórias pitorescas contada por geólogo Adalberto Figueiredo

Conta-se que no século XVIII graças ao ouro de aluvião, o município de Rio de Contas prosperou tanto, e muitos moradores ficaram tão ricos, que eles se davam ao luxo de fazer demonstrações públicas da abundância. Conta-se que as tradicionais famílias costumavam lançar pó de ouro nas pessoas que se vestiam de imperadores e rainhas na tradicional procissão da Festa do Divino Espírito Santo. Conforme registros citados em livro pelo historiador Cid Teixeira, os moradores também costumavam importar roupas e objetos de decoração da Europa graças a riqueza do ouro. Foi a mesma riqueza que permitiu surgir na cidade os casarões em estilo colonial hoje tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 
O ciclo do ouro na Bahia durou cerca de 150 anos, até quando as jazidas começaram a se esgotar no fim do século XVIII. Rio de Contas passou a ter o turismo e a agricultura como atividades econômicas principais. 


Os registros oficiais contam que o primeiro diamante da Bahia teria sido encontrado por acaso, acidentalmente, por Cristiano Pereira do Nascimento, afilhado de José Pereira do Prado, conhecido como Cazuza do Prado. Cristiano teria encontrado a pedra preciosa no momento em que lavava as mãos no leito do Riacho das Cumbucas, na antiga Vila Santa Isabel do Paraguaçu, atual município de Mucugê. A partir daí vários homens, sob comando de Cazuza do Prado, terias recolhido outros diamantes na região. O segredo só foi descoberto quando um dos integrantes do grupo tentou vender um diamante, foi acusado de assassinar um minerador e teve que revelar a origem da pedra. 

 Em 1846, o mineralogista Virgil Von Helmreichen também chegou a relatar em Viena, que desde 1842 diamantes tinham sido descobertos na Serra das Aroeiras, na Chapada Grande. “A ocorrência de diamantes na Serra das Aroeiras foi descoberta no mês de março de 1842 pelo padre Queiroz e, até o fim de 1842, a população tinha subido de oito para dez mil almas entre as quais havia de 1.800 a 2.000 trabalhadores de diamantes propriamente ditos”, a firmou o mineralogista Virgil Von Helmreichen em 1846..

Ferrovias e Mineração sempre andaram juntas. Os metais não íam parar apenas nos trilhos, era uma questão de engenharia. As equipes responsáveis pela construção das ferrovias precisavam abrir caminho, cortar colinas, atravessar montanhas e ultrapassar rochas para diminuir a declividade do terreno. Foi desta forma que muitas reservas minerais de potencial econômico foram encontradas. Dando origem ao que veio a ser legalmente chamada de “minas manifestadas”. Elas não estavam nos projetos de exploração, mas foram encontradas por acaso. A lei pregava que o precioso achado deveria ser comunicado, imediatamente, as autoridades da época. Este tipo de descoberta foi muito frequente depois da Primeira Guerra Mundial, quando os projetos de expansão industrial ganharam força e a construção de ferrovias foi intensa no Brasil. Não por acaso, diversos documentos oficiais de mineração da época aparecem assinados pelo presidente Getúlio Vargas. Na Bahia estão na lista de minas manifestadas, diversas jazidas de manganês encontradas na região de Jacobina e Nazaré. São contemporâneas destes eventos as minas de manganesistas de Licínio de Almeida e Urandi.

As guerras também impulsionaram a mineração. Um dos momentos mais importantes ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, período em que o Brasil decidiu apoiar os países aliados. Nesta ocasião todos os territórios foram mobilizados para atender o esforço de guerra e as matérias primas produzidas no Brasil ganharam importância crucial como estratégia bélica. As jazidas de manganês da Bahia se valorizaram, assim como os depósitos de quartzo, usado na composição de radares de navegação. Foi assim também que muitas pistas de pouso foram abertas no sertão da Bahia, além do porto que precisou ser adaptado para ancorar navios de carga.

Quando a 2 Guerra Mundial chegou ao fim, a produção mineral brasileira foi convocada para atuar ativamente em mais uma mudança nos rumos da economia. O esforço de reconstrução do país iniciado no fim dos anos 50, se prolongou até a década de 70 com o início da guerra fria, e aumentou a necessidade de metais. O problema é que eles eram caros, em sua maior parte importados e pesavam muito negativamente na balança comercial brasileira. O país chegava a importar 100% do concentrado de cobre usado internamente. Foi neste período que o governo estabeleceu o Programa Nacional de Substituição das Importações. O objetivo era incentivar a criação de siderúrgicas e metalurgias nacionais, aumentar a produção interna e diminuir a dependência do mercado internacional. Na Bahia, entre os nomes que ganharam destaque na época, estão figuras como Francisco Baby Pignatari, responsável pelos estudos iniciais que viabilizaram a criação da Mineração Caraíba, em Jaguarari, nos anos 70. Depois disso, a empresa entrou definitivamente para a história da economia nacional ao fornecer cobre em grande escala e permitir que o Brasil se transformasse em exportador do produto. 

 Nos anos 60, impulsionada pelo era desenvolvimentista, a Bahia vê surgir a Companhia de Ferro Liga. A criação da mineradora envolve uma história de superação, determinação, gestão e preocupação social. Nascido em família de poucos recursos em Minas Gerais, José Corgosinho de Carvalho Filho, aproveitou todas as bolsas de estudo que surgiram no seu caminho e conseguiu se formar engenheiro de minas, metalurgia e civil. Depois de trabalhar no Rio de Janeiro e em Brasília, se muda para a Bahia e funda aquela que se tornaria uma das maiores empresas do Brasil, a Ferbasa. De beneficiado a beneficiário. A empresa mantem atualmente um dos maiores projetos sociais do país voltado para cidadania e educação gratuita de qualidade para criançs e jovens de baixa renda. 

Durante muitos anos quem chegou a Salvador através da BR-324, em algum momento se guiou pela chaminé que despontava no horizonte logo depois do acesso de Simões Filho. Era o sinal de que a capital estava próxima e a viagem chegava ao seu destino. A chama que virou farol era resultado da queima de quase 300 mil toneladas de minério de manganes da antiga fábrica da Fibra – Eletro Siderúrgica Brasileira. O minério de manganes entra na composição do ferro liga, insumo para produção de aço. Mais do que um sinal, a chama era resultado de uma época em que a siderurgia baiana começou a migrar para o antigo Polo de Aratu. O período foi marcado pela verticalização da indústria da mineração e o manganês, assim como cobre, foi uma das forças propulsoras para o crescimento desta parte da região metropolitana de Salvador. Antes da instalação da Fibra o Brasil importava ferro liga, depois dela virou exportador.


TALCO é rocha: a rocha é macia e depois de processada pode ganhar textura aveludada, perfume e cor. O talco é um do minerais mais consumidos no mundo, principalmente para fins cosméticos e industriais. Na Bahia as principais produções estão na região de Brumado, no sudoeste da Bahia


Conta a lenda que na região de Boquira, um morador fazia a limpeza do terreno quando encontrou uma pedra diferente. Ela tinha um brilho intenso, era prateada e apresentava peso denso. Curioso, ele levou a pedra para a cidade e foi logo mostrar ao Padre Macário, na época uma das principais autoridades da região. O Padre por sua vez levou a pedra para o farmacêutico, não sem antes mostrar a pedra a todos que encontrava no caminho. Alvoroço feito. Em pouco tempo todos na cidade queriam saber de que se tratava. Mas bastou o farmacêutico olhar a pedra e identificar que se tratava de minério de chumbo. Descobriu-se depois que a região tinha chumbo aflorante, aquele que fica na superfície, à flor da terra. Atualemte a mina está exaurida.

 
 


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