Cobrança de estacionamento em shopping vai deixar lazer e trabalho mais caros

salvador
20.06.2015, 13:31:00
Atualizado: 20.06.2015, 13:35:24

Cobrança de estacionamento em shopping vai deixar lazer e trabalho mais caros

Já pensou quanto mais caro será uma ida ao cinema? Ou simplesmente almoçar no local?

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Há seis meses, o publicitário Ivan Rodrigues, 26 anos, praticamente mora no Salvador Shopping. Ele chega, estaciona às 9h e só sai às 19h. Trabalhando como freelancer para mídias online, ele faz reuniões no shopping, almoça, vai em agências próximas dali e sempre acaba voltando ao seu “escritório”. Com o início da cobrança dos estacionamentos nos shoppings confirmada para começar a partir de segunda-feira — com valores entre R$ 5 e R$ 8 por período de duas horas — ele estima que seus gastos dentro do estabelecimento dobrem. Hoje, ele gasta cerca de R$ 300 por mês  e os custos devem chegar a R$ 600.

“Eu passo no shopping de 9h às 19h, almoço, vou para alguma agência, tenho alguma reunião, volto e deixo o carro estacionado aqui”, conta. Para ele, a solução  para minimizar o impacto no seu orçamento seria poder apresentar algum comprovante de consumo para ter desconto ou isenção do pagamento. “Deveria ter um valor mínimo, de R$ 20, R$ 25, que é um valor razoável para quem não quer consumir”, opina.

(Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

Mas não é só Ivan, que usa o shopping como local de trabalho, que será atingido pela cobrança. Já pensou quanto mais caro será uma ida ao cinema? Ou passar uma tarde no salão de beleza?  Ou simplesmente almoçar no local?

Alguém que almoce no shopping diariamente, gastando em média R$ 30 e ficando duas horas no estabelecimento, pagará R$ 6 de estacionamento. Ou seja, nos cinco dias úteis da semana, terá pago o equivalente a mais um almoço.

Cinema
Hoje, para  ir ao cinema acompanhado de um adulto e uma criança, você gasta cerca de R$ 95 — contando que a média de ingressos é de R$ 30 (inteira), mais uma meia que sai por R$ 15, mais duas pipocas, que custam R$ 10 cada. Agora,  com o valor pelo estacionamento, e considerando que o programa dure mais ou menos três hora, o gasto passará para até R$ 105 — um aumento de 10%.

Pensando em como isso pode aumentar os custos das idas semanais ao cinema, o administrador de empresas Erisvaldo Junior, 41 anos, está revendo se vai manter a rotina. “Se realmente começar a cobrar, eu não venho mais. Ou vou procurar algum shopping que não cobre estacionamento para ir”, disse, ontem, quando se preparava para mais uma sessão com o filho, Matheus, 17 anos.

Em uma simples ida ao cinema, eles gastam, em média R$ 120. “A gente almoça, passa um tempo, vai para o filme, às vezes também compra alguma coisa. Agora imagina com o estacionamento?”, questiona Erisvaldo. Mantendo essa média de gastos, acrescentando mais o valor de estacionamento por cerca de quatro horas (duração do cinema mais o tempo do almoço e compras), a saída aumenta para R$ 128.

Ir ao shopping para comprar um remédio pode ter um custo ainda mais alto, proporcionalmente. Ontem, o casal Fernanda Almeida, 40, e Sergio Lobato, 42, moradores da Federação, foi ao Shopping Lapa apenas comprar um remédio. Lá, as primeiras duas horas vão custar R$ 8. 

“Eu não achei o remédio em outras farmácias e vim aqui. Acho absurdo cobrar para quem vem comprar o mínimo que seja. Quando tiver que vir ao shopping, virei de ônibus, mas não vou pagar”, afirmou Fernanda. 

Beleza
E se você é mulher, a situação pode ficar ainda pior. É só lembrar o tempo que você gasta no seu salão de beleza. A advogada Isabela Lopes, 27 anos, que vai semanalmente a um salão no Shopping Barra, já começou a pensar no que vai fazer. Ao menos uma vez por mês, ela gasta cerca de R$ 600 no salão e passa de cinco a seis horas lá para fazer mechas e hidratar o cabelo, fazer escova e cuidar das unhas. Acrescentando que para aguentar tanto tempo lá é preciso fazer um lanche, cogitar pagar o estacionamento é algo que a preocupa. 

“Eu ainda não pensei em quanto vou gastar caso continue vindo ao salão, mas já comecei a pensar em alternativas para evitar esse gasto”, contou Isabela. 

Já para a psicóloga Lene Lima, 43 anos, que também frequenta o salão semanalmente no shopping, o problema vai além. Para ela, o Barra  é praticamente a sua segunda casa. “Aqui é quase um bairro, tem tudo, eu venho há muitos anos fazer tudo: almoçar, salão, comprar, vou na farmácia. E nem conto as horas aqui”, disse, aflita. A cada ida, são cerca de R$ 200 (salão mais lanche e compras).

Encontros
E os tradicionais encontros dos aposentados no Shopping Barra? Eles não estão satisfeitos com a mudança e pensam em um jeito de manter a tradição. “Eu agora não venho mais de carro. Não vou dar um tostão para o estacionamento. Vou pegar meu ônibus, que é de graça, e venho”, afirmou o empresário Alberto Muller. Ele conta que, por mês, desembolsa R$ 1.500 em consumo no centro comercial.

O casal de aposentados Guilherme, 76, e Vanda Braga, 70, diz ser “taxativamente contra” a cobrança. “A gente vem consumir e ainda vai ter que pagar? Quando começar a cobrar, nós vamos para outro shopping que tenha estacionamento de graça”, disse Vanda. Ir ao shopping faz parte da rotina da família: almoçam diariamente e fazem compras. “Chegamos hoje de manhã e estamos saindo agora (17h30), imagina quanto isso sairia?”, questionou Vanda. Só pelo estacionamento, o casal teria que pagar hoje R$ 13.

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