Confira tudo que aconteceu no primeiro dia do júri de Kátia Vargas

salvador
05.12.2017, 05:55:10
Atualizado: 06.12.2017, 08:35:18

Confira tudo que aconteceu no primeiro dia do júri de Kátia Vargas

Médica é acusada de provocar acidente que matou irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes

Quatro anos depois, começou nesta terça-feira (5), o júri popular da médica Kátia Vargas, acusada de provocar o acidente que resultou na morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes, em outubro de 2013, no bairro de Ondina. O julgamento estava previsto para começar às 8h, no salão do júri do Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré. Contudo, começou só às 9h40, terminando dez horas depois. Um esquema especial foi montado para o julgamento, com a distribuição de senhas, na última sexta-feira (1º) para o público - além de reforço policial e do monitoramento do trânsito na região.

VEJA O QUE ROLOU NO PRIMEIRO DIA DE JULGAMENTO

Foto: TJ-BA/Divulgação

Sessão retorna às 8h desta quarta-feira (6). Expectativa é pelo depoimento de Kátia Vargas.

20h30 - Do lado de fora do Fórum
Antes de ir embora, a mãe das vítimas, Marinúbia Gomes, falou ao CORREIO que ficou satisfeita com o resultado do primeiro dia de julgamento. Ela confia que Kátia Vargas será condenada.

"Fiquei super satisfeita com o julgamento hoje. Correspondeu as minhas expectativas. Eu acredito e continuo com fé na justiça, que é só que nós queremos: a justiça. O que está em julgamento não é a pessoa Kátia Vargas, mas o fato. Ela pode ser até uma boa pessoa, mas o que está se julgando hoje é o fato, o acontecimento. Tenho fé na justiça. Estou tranquila", afirmou Marinúbia.

19h40 - Fim da sessão por hoje
A juíza Gelzi Souza decidiu encerrar a sessão, que será retomada na manhã desta quarta-feira (6), no Salão do Júri do Fórum Ruy Barbosa.

"São 19h40. Devido ao adiantado da hora, eu dou por encerrada a sessão e retomaremos o trabalho amanhã, a partir das 8h", afirmou a juíza.

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19h35
Kátia Vargas está em silêncio e de cabeça baixa. Marinúbia também. A juíza Gelzi Souza é cercada pelos advogados e promotores, na mesa. A ré pode falar ainda hoje.

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Termina o depoimento das cinco testemunhas de defesa de Kátia Vargas. Juíza se reúne com sua equipe para decidir, entre outras coisas, se a médica falará ainda hoje.

19h20
5ª e última testemunha de defesa - Carina Caldeira Lima (amiga)
A quinta e última testemunha da defesa de Kátia Vargas é também uma amiga da oftalmologista. Carina Caldeira Lima conhece a ré há seis anos. Elas participavam, juntas, de um projeto social denominado Corrente do Bem. Somente a defesa fez perguntas a ela, que enfatizou o caráter pacífico da amiga.

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19h05
4ª testemunha de defesa - Edmilton Pedreira da Silva (amigo)
Deficiente visual, aparentando ter cerca de 50 anos, ele começa a ser interrogado pelo advogado de defesa da ré.

Daniel Kignel: O senhor conheceu ela como? 
Edmilton: Com dois meses, descobrimos que ele (filho) tinha glaucoma e doutora Kátia fazia parte dessa equipe (no ano de 1994). Ele ficou uma semana no hospital e ela se apegou ao meu filho. Ele fez a cirurgia e foi aí que eu a conheci. (...) Ela sempre acompanhou meu filho e disse: ‘quando ele crescer, eu quero acompanhar esse menino’. Ela acompanhava e nunca cobrou um real. Ele tinha glaucoma, problema na retina, miopia. (...) Foi muito sufoco, mas arranjou doutor André (Castelo Branco, médico oftalmologista), que fez cirurgias sem cobrar um centavo. Agradeço a Deus porque colocou essa pessoa maravilhosa no meu caminho para ele não ter a mesma deficiência que eu. Já foram três cirurgias. (...) Tudo através dessa abençoada dessa doutora Kátia. Sou muito grato por esse anjo que Deus colocou na Terra para que o meu filho não ficasse cego. Não tem a visão 100%, mas consegue olhar pelo espelho, luz, vermelho, definir as coisas graças a essa pessoa.

Kignel: O senhor sabe se Kátia participa de algum projeto de assistência social? 
Edmilton: Não sei, mas só por ela abraçar a causa do meu filho, eu acredito que ela deve fazer, porque ela é abençoada.

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18h55
3ª testemunha de defesa - Ivete Perez Colares (amiga de Kátia)

Daniel Kignel, advogado de Kátia Vargas, começa a interrogar a terceira testemunha de defesa, Ivete Perez:

Kignel: Qual é a sua relação com Katia? 
Ivete: Minha amiga. Conheci quando tinha 6 anos de idade. [Conta que estudou com ela na infância e na adolescência, e também fizeram faculdade de Enfermagem].

Kignel: Como Katia era? 
Ivete: Sempre foi meiga, dócil. Na infância, tímida e retraída. Sempre que tinha confusão, ela Sempre se retraía mais ainda e chorava.

Kignel: A senhora manteve contato com Kátia? 
Ivete: Por telefone, continuávamos tendo bons contatos, principalmente pelo telefone.

Kignel: A senhora se recorda de Kátia agindo de forma enérgica?
Ivete: Nunca presenciei momento de fúria de Kátia. Ela sempre se retraía e chorava. (...) Mãe presente, mãezona, sempre a favor dos filhos.

Kignel: E no geral, como era a relação de Kátia com os filhos?
Ivete: Família estruturada, presente, com muito amor, muito companheira. Criaram os meninos com muito amor, super correta, sempre presente. (...) Ela é amiga, para a hora que precisar. E é a melhor oftalmologista.

18h50
É o fim do depoimento de Ana Teresa Oliveira Walter. A terceira testemunha de defesa também é uma mulher: Ivete Perez Colares, que já está posicionada para falar.

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18h40
Daniel Keller, advogado assistente de acusação, passa a questionar a segunda testemunha da defesa.

Keller: Você já pegou carona com ela (Kátia)? 
Ana: Já voltei de carona. 
Keller: A senhora consegue imaginar por que nesse dia ela estava a quase 100km/h? 
Ana: Não sei te dizer. 
Keller: Ela costuma dirigir a 100km/h? 
A: Não. Pelo contrário.

18h25
2ª testemunha de defesa - Ana Teresa Oliveira Walter 
(amiga de Kátia)
Após depoimento de perito, que tentou desqualificar a perícia, é chamada a amiga de Kátia Vargas, Ana Teresa. Ela é dona da academia de dança que a ré frequentava na época do acidente.

Começa afirmando que a médica, no dia do ocorrido, estava com uma lista de material escolar da filha e foi até a papelaria. Quando visitou Kátia no hospital, lembrou que ela disse: "Por que eu fui na papelaria?"

Ana conta que Kátia parece ter perdido a alegria de viver. "Por onde chegava era alegria, doce", diz. "Acho que ela nunca mais conseguiu retomar a vida dela depois do acidente". Citou também que a ré sempre foi envolvida em projetos sociais, fazendo constantes doações.

***

Durante a parada, a prima de Emanuel e Emanuelle, Mayane Dias, 31, saiu do tribunal revoltada com a participação do perito Alberi Espíndula: 

"Meu primo degolado, daquele jeito. E Emanuelle esbagaçada daquele jeito, agora, eu te pergunto: se não houve colisão (como disse o perito), quem foi que fez aquilo? Quem que catapultou? Eles mesmos tiveram o poder de voar?"

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18h10 - Sessão suspensa temporariamente
A juíza Gelzi Souza suspende a sessão por cinco minutos após desentendimento entre promotor e perito, que atua como testemunha de defesa. O promotor Luciano Assis perguntou quem pagou para o perito Alberi Espindula estar ali. Houve discussão. Antes, Assis e Espindula já discutiam sobre a perícia.

Promotor Luciano Assis x Perito Alberi Espindula

O representante do MP-BA questiona se o perito conhece os outros peritos que assinaram os laudos da ação.

Promotor: A que o senhor atribui tantos erros de tantos peritos? Foram seis.
Perito: Não vou entrar no mérito do porquê erraram. Mas que erraram, erraram. Infelizmente, se valeram de erros cometidos no exame do local para justificar demandas.

Marca de tinta de capacete em carro.

Promotor: Qual cor do capacete de Emanuel? 
Perito: Cor de capacete vermelha.
Promotor: Qual é a cor da marca em cima do vidro direito? 
Perito: Vermelha.
Promotor: Tem como explicar a coincidência?
Perito: O capacete era vermelho e preto. Não tem marca azul do capacete de Emanuelle.
Promotor: Tecnicamente, tem como explicar como a mancha parou aqui? 
Perito: Não tem como atestar que é do capacete.

(...)

Promotor: O senhor sabe dizer se lá no Ondina Apart Hotel onde Kátia adentrou no hotel passando pela grade, tinha alguma coisa que fosse vermelho? Porque a do risco o senhor falou que era a grade (que separa o estacionamento do local do passeio onde o carro bateu e onde os corpos dos irmãos foram encontrados).
Perito: Pelo que os peritos falaram, não.
Promotor: Confiro novamente que o capacete é vermelho e a marca do carro também.
Perito: Não quer dizer nada. 
Promotor: Para o senhor, não quer dizer nada.
Perito: A mancha poderia estar no carro anteriormente.

Burburinho no tribunal. A todo momento, familiares das vítimas balançam a cabeça, em sinal negativo, enquanto o perito tenta descontruir a perícia.

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17h50
A defesa afirma que apenas uma testemunha viu a colisão. O promotor Davi Gallo interfere e diz que, na verdade, foram cinco. Eles dizem que, se a colisão entre o carro e a moto tivesse acontecido, eles iam cair antes, e a morte não iria acontecer.

Promotor Davi Gallo x Perito Alberi Espindula 

Promotor: O senhor pode nos afirmar categoricamente que não houve choque? 
Perito: Não houve. 
Promotor: Tem material suficiente pra isso ser dito? 
Perito: Não teve. 
Promotor: A pergunta foi se é suficiente. 
Perito: Eu estou comentando o caso.
Promotor: O senhor atribui isso a uma alucinação coletiva naquele dia?
Perito: Óbvio que nao foi uma alucinação coletiva. [A defesa afirma que apenas uma testemunha viu a colisão. O promotor diz que foram cinco].

Promotor: A perícia é falsa? 
Perito: Esse colega, infelizmente, errou [são seis peritos]. Todos nós estamos sujeitos a errar. Posso afirmar em todas as letras que eles [seis] erraram aqui [na conclusão da perícia].

Promotor: O senhor é contratado pela Katia. Ela disse o que fazia nesse dia?
Perito: Não conheço. Sou contratado pela defesa.

Promotor: O senhor sabe que uma das vítimas teve a cabeça decepada?
Perito: Sim, isso ocorreu contra o poste.

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17h40
"Testemunha pode montar algo que aconteceu e acreditar que está falando a verdade. Isso acontece? Aqui, nenhuma testemunha está mentindo. Foi a falta de percepção porque aconteceu com velocidade grande, então, as pessoas não têm condições de ver tudo", diz Alberi Espindula.

1ª testemunha de defesa fala - Alberi Espindula (perito)
Primeira testemunha de defesa, Alberi começa a tentar desconstruir a tese de colisão intencional, levantada pelas testemunhas de acusação e pelos peritos do caso. Ele afirma que ensaios de compatibilidade, geralmente, são compatíveis mas não são conclusivos, e diz que não há chance de ter ocorrido da forma que a perícia aponta. Ele cita, por exemplo, um risco ascendente no carro de Katia, que teria sido feito na colisão com a grade do prédio e não com a moto.

Menciona também que a perícia não levou em consideração o bagageiro, item que muda a dinâmica do veículo - alega que isso não pode ser desconsiderado. Afirma também que na reconstituição do caso usou-se apenas uma pessoa para recompor o cenário, e que isso também muda a percepção sobre o que de fato ocorreu, já que havia duas pessoas na motocicleta.

Após mostrar fotos e vídeos, Alberi questiona uma das testemunhas de defesa. Diz que ele não viu o que ocorreu, de fato. Kátia Vargas olha com cara de choro a todo momento. Mais dois familiares das vítimas deixam o local.

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Uma amiga da família, que pediu para não ser identificada, chorou ao lembrar de como os “meninos” eram. “Eu morava de porta com ela. Cuidei dos meninos quando eles tinham quatro anos para Marinubia conseguir trabalhar. Eles eram super educados, uns sonhos de criança. É muito triste. Ela era uma mãe muito amorosa, agora está acabada com tudo isso”, disse enxugando as lágrimas.

A senhora foi ao júri popular apoiar a mãe mesmo estando sem senha. Ela contou que não conseguiu apoiar Marinubia na época do acidente. “Eu não aguentei. Ela era uma super mãe. Que Deus dê conforto a ela nesse momento difícil". Com relação ao júri, a amiga da família diz ser esperançosa. "Mesmo que a justiça dos homens falhe, a justiça de Deus há de ser feita."

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17h00
Juíza intervém e diz que mantém depoimento do períto:

"O perito contratado pela defesa não pode induzir a sua parcialidade até porque em processo penal qualquer pessoa pode ser testemunha, inclusive parentes da vítima que são ouvidas sob compromisso sendo as exceções as previstas no artigo 206 do Código de Processo Penal, que inclui apenas os parentes do acusado. Em segundo lugar, acomodamos o entendimento que a parte pode arrolar especialistas para que deponham e falem sobre conteúdo é laudo pericial e não se tratando de perito oficial, é tratado como testemunha". (Gelzi Souza)

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Ao contrário do registrado pelo representante do MP-BA, analisando os autos com devido cuidado às folhas 2145, a defesa de Kátia Vargas textualmente indicou o professor Alberi Espindula juntamente com Ricardo Molina como assistente técnico - em momento algum na época da presente indicação o MP-BA fez qualquer manifestação, defende o advogado de defesa José luiz de Oliveira Lima. 

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Daniel Keller e Luciano Assis dizem que perito seria assistente técnico e não poderia ser testemunha. "Existem dois laudos técnicos assinados pelo perito Ricardo Molina. Quero saber em que momento ele está como assistente técnico se ele não tem nenhum parecer?", diz Luciano Assis, promotor. 

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Acusação pediu questão de ordem porque o perito está como assistente técnico. O advogado de acusação, Daniel Keller, afirmou que o assistente técnico não pode ser tratado como testemunha. A juiza disse que discorda mas que colocará na ata. O perito justifica que “ a lei não permite oitiva de testemunhas se as mesmas não podem ser responsabilizadas por falso testemunho”. Para Daniel Keller, o perito só poderia ser informante, por falta de parcialidade no processo.

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Defesa começa a mostrar quatro fotos da reconstituição do acidente do que chamam ensaio de compatibilidade com imagem para sustentar que a mancha vermelha no carro pode não ser do capacete de Emanuel.

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16h33
Alberi Espindula, perito criminal é a primeira testemunha ouvida como de defesa. 

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Caso Kátia Vargas pode ter um novo júri
O julgamento da médica Kátia Vargas apenas começou, mas já existe a possibilidade de que um segundo júri popular seja feito, caso a oftalmologista seja condenada nesta quarta-feira (6). Com a condenação, ainda cabe recurso da defesa de Kátia. É o que explica o advogado criminalista Yuri Cerqueira. Ele contou que caso ela seja condenada, o primeiro recurso poderá ser remetido ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que pode determinar que um outro júri seja feito. 
Clique aqui e saiba mais.

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Kátia Vargas: clique aqui e veja o que disseram as testemunhas de acusação.

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16h26
Kátia Vargas retorna para o salão do júri após o fim do depoimento da 5ª testemunha de acusação. 

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16h18
Juíza encerra depoimento da testemunha Felipe Martins.

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Jurados fizeram perguntas para a testemunha. Eles anotam num papel e passam para a juíza fazer as perguntas:

O senhor consegue descrever a conduta dela no veículo?
Não, responde 

O senhor ouviu barulho de impacto onde?
Do carro na moto, responde 

Em que altura as vítimas colidiram? 
Na região da papeleira, afirma a testemunha 

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Rodrigo Dall´Acqua questiona a testemunha por ela ter dito em audiência anterior que o carro teria atingido o pneu dianteiro da moto. "Eu usei palavras diferentes para dizer a mesma coisa", respondeu a testemunha. 

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Promotor Luciano Assis faz questão de ordem dizendo que o advogado de defesa deve ser fiel ao que está escrito. Ele fez isso no momento que a defesa faz leituras de relatórios da reconstiuição. 

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O advogado de defesa voltou a questionar a posição da testemunha no momento do acidente, exibindo um vídeo. "O senhor confirma que o senhor estava exatamente onde colocou na reprodução sinulada? Exatamente ao lado do poste? Virando a cabeça e vendo as vítimas se chocando? Isso é possível de acordo com o vídeo?". Felipe reafirma que estava onde indicou.

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16h04
Marinúbia Gomes sai novamente do salão do júri pois serão mostradas novamente fotos dos corpos dos filhos dela depois do acidente. Outras duas parentes dos irmãos mortos também saíram. Kátia Vargas também não está no salão nesse momento que mostram fotos do acidente.

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Destino de Kátia
Há a possibilidade de que um segundo júri popular seja feito, caso a médica oftalmologista Kátia Vargas seja condenada pelo júri popular. Com a condenação, ainda cabe recurso da defesa de Kátia. É o que explica o advogado criminalista Yuri Cerqueira. Ele explica que caso Kátia seja condenada, o primeiro recurso poderá ser remetido ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que pode determinar que um outro júri seja feito.  A assessoria do TJ-BA explicou que um outro júri só será feito se a defesa identificar alguma irregularidade no júri realizado nesta terça e quarta-feira. “Os jurados não podem conversar entre si, por exemplo. Caso a defesa comprove que houve alguma troca entre eles, pode haver a determinação de um outro júri”, explicou a assessoria. Cerqueira ainda explicou que se houver recurso da defesa, Kátia só pode ser presa depois do trânsito em julgado. Ou seja, depois da determinação pelo Tribunal de Justiça.

"Ainda há a possibilidade de determinação da prisão apenas depois do parecer do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal”, disse.

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Dall´Acqua diz que peritos afirmaram ter marcas de contato do carro na calçada produzidas pelo Kia Sorento, o carro da médica.

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Defesa da médica começa a interrogar a testemunha Felipe Martins
Rodrigo Dall´Acqua pergunta onde o jornalista trabalhava na época. Ele disse que não estava trabalhando. Defesa questionou se ele deu entrevista na televisão na época do acidente. "Sim. Fui procurado". Defesa pergunta se a testemunha viu a moto trafegando no meio da pista. Ele confirma que sim. Defesa mostra fotos e vídeos.

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O promotor Luciano Assis pergunta a Felipe Martins  se ele tem alguma dúvida se o carro colidiu com a moto. A testemunha responde: 'O carro colidiu com a moto pela lateral'

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Kátia continua fora do salão do júri. 

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Maribúbia Gomes, mãe das vítimas, segue de olhos fechados com um lenço de papel na mão.

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Quando aconteceu esse fato pude presenciar o momento em que a moto lançou os passageiros em direção ao poste. Eles se chocaram ao poste. Me dirigi até as vítimas para ver o que podia fazer ou ajudar. Quando cheguei as vítimas não respiravam (Felipe Martins, testemunha). 

Testemunha, o jornalista Felipe Martins afirma que no dia do acidente tinha acabado de deixar a esposa no trabalho. "Retornei no sentido Barra e estava passando na localidade. Pude presenciar uma moto e um carro seguindo atrás da moto em alta velocidade. O carro se choca com a lateral e a dianteira da moto", diz. Ele afirma que foi prestar depoimento porque viu.

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Uma advogada, que não quis se identificar e assiste o júri, reclamou do som do local. "Não dá para ouvir nada da 15° fileira para trás. O áudio está muito ruim. A visibilidade é boa, conseguimos ver tudo, mas o áudio está muito ruim. Quem está lá dentro não entende nada. É interessante que isso seja cuidado para amanhã", disse.

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15h30
Começa depoimento da quinta testemunha: Felipe Martins de Almeida Souza

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Do lado de fora
Para o advogado criminalista Yuri Carneiro, que acompanha o julgamento do lado de fora do fórum, a espetacularização do caso influenciou no caso da médica Kátia Vargas. Para ele, se não houvesse o apelo popular, o destino do processo de Kátia poderia ser outro. Yuri ainda explicou de que forma a escolha das testemunhas pelos advogados. "Eles escolhem de acordo com o perfil. Não vão colocar testemunhas da idade das vítimas, por exemplo. Ou que tenham o perfil parecido com a mãe. É uma questão psicológica, de estratégia de defesa mesmo. São até três dispensas sem precisar de argumentação", destacou. Para o advogado, o julgamento deve se encerrar após as 10 testemunhas serem ouvidas, mas avalia que há a possibilidade de Kátia falar ainda hoje. "É muito difícil, mas pode acontecer. De qualquer forma, os debates ocorrerão amanhã e o julgamento deve se encerrar também amanhã".

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15h28
Acaba o depoimento da quarta testemunha. Kátia Vargas deixa o salão do júri.

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Novamente a defesa da médica passa vídeo de reportagem da TV Band onde a polícia afirma que teria imagens do choque. Advogado pergunta se testemunhas viram a reportagem e se foram induzidas a dizer que houve a colisão. Denilson disse que não viu esse vídeo. 

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Advogado de defesa repete aúdios de um taxista (que também seria testemunha) mas não foi ao depoimento hoje. Advogado diz que o taxista teria afirmado que estava no estoque (fila) quando passou o carro e uma moto em posição normal. 

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Dall'Acqua diz que, no momento da colisão, a testemunha Ariovaldo (que já foi ouvida pela manhã) diz que estava a cinco metros atrás "Não me lembro de ter visto esse carro não. Tão próximo assim, não. Se ele estivesse aí, eu não teria como ver o que eu vi. Ele podia estar passando, mas no momento da colisão ele não estava aí"

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Quando ela passou por mim estava no meio da pista. Quando eu vi o carro vindo em alta velocidade meu campo de visão passou a ser o carro, então não posso dizer se a moto estava no meio (Denilson Silva, ao ser questionado pelo advogado de defesa da médica)

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Dall'Acqua diz que existem imagens que mostram a moto sempre trafegando no meio.Ele também questiona a distância em que Denilson estava. Segundo ele as imagens de reprodução do dia indicam que Denilson estava a uma distância de 110 metros do poste onde ocorreu o acidente. Na fala incial Denilson é questionado qual a distância real que ele estava. 

"Não posso dizer que me equivoquei porque não calculei. Era a minha sensação mas nao tenho como precisar. 'Se o senhor esta dizendo (110m), então é', disse Denilson. Nesse momento a plateia ensaia um riso. 

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A mãe de Emanuel e Emanuelle e prima deles movimentam a cabeça em sinal de negativa quando a defesa faz perguntas. 

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Testemunha Denilson começa a ser ouvida pela defesa de Kátia Vargas.

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Do lado de fora
"Não acompanhamos direito o caso para ter um posicionamento. Esperamos que seja feita a vontade de Deus", disse Edna Lessa, comerciante de água de Coco que trabalha na frente do Fórum Ruy Barbosa há 17 anos

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Promotor Davi Gallo pergunta para a testemunha se no momento do acidente havia pessoas andando no entorno. "Para ser sincero não me recordo. Tinha um senhor que estava fazendo cooper, que passou  por mim e disse que foi de propósito. Eles bateram no poste. As pessoas foram arremeçadas naquela grade do hotel. Eu nem quis ir lá", afirma Denilson.

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Testemunha, que trabalha operando som e equipamentos audiovisuais em eventos,  diz que só procurou a polícia para testemunhar o caso na segunda-feira (três dias depois do acidente) depois que viu a mãe de Emanuel e Emanuelle na televisão pendindo que as pessoas que tivessem visto o acidente procurassem as autoridades. 

Pesou minha consciência e eu fui (Denilson Silva)

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Questionada pela acusação, testemunha relata que a médica emparelhou a moto de forma brusca. 

Quando ela pegou eles, eles voaram. Voou todo mundo (...)  foi muito rápido, questão de segundos (Denilson Silva).

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Denilson afirma que depois do acidente ligou para a mãe e falou: 'presenciei um assassinato'

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Enquanto a testemunha fala na plateia uma mulher sussurra que ele está mentindo. 

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A moto estava em velocidade razoável. O que chamou minha atenção foi o barulho alto de motor do carro. Foi muito rápido e o carro veio desenvolvendo uma velocidade muito rápida. Sabe quando um leão vem correndo pegar a presa? Foi a impressão que eu tive. Ela chegou no fundo, o carro balançou um pouco e ela jogou para a esquerda e pareou. No que pareou, encostou de vez (Denilson Silva, testemunha)

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Nova testemunha diz que médica empurrou a moto 

Eu estava fazendo um evento no Othon que também chegava ao hotel do lado. Por volta de 8 e pouca me pediram para ir no outro hotel. Eu estava esperando para atravessar quando ouvi um barulho muito alto. Algo chamou minha atenção e eu vi aquele carro em alta velocidade. Não deu para ver que era uma mulher, pensei 'Esse cara está louco'. Quando passou por mim, vi que era uma mulher. Nisso encostou e empurrou a moto. Eu estava a uns 40, 50 metros, porque estava na sinaleira. A colisão foi logo em seguida (Denilson Silva, testemunha). 

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14h35
Júri é reiniciado com o promotor Luciano Assis questionando se Denilson foi ouvido na delegacia, por um juiz e onde ele estava no momento do acidente. 

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Denilson Silva Souza será a próxima testemunha ouvida. Kátia Vargas acaba de retornar acompanhada de duas policiais.  

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14h33
Retorno do júri está atrasado 

Previsto para recomeçar às 13h40 o júri popular ainda não recomeçou. A família de Kátia Vagas e dos irmãos Emanuel e Emanuelle já estão no salão do júri. Os jurados estão entrando agora. Kátia não está no local.

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A juíza, advogados de defesa e promotores já retornaram do almoço. Os jurados e Kátia Vargas ainda não voltaram. Mãe das vítimas, Marinúbia também já está novamente na sala.

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No intervalo para o almoço, promotor Luciano Assis avalia que a médica Kátia Vargas deve ser ouvida provavelmente nesta quarta-feira (06). Já o promotor Davi Gallo avaliou que as testemunhas da manhã foram muito seguras nas suas falas.

"As testemunhas foram muito seguras e em momento nenhum caíram em contradição. Nós esperamos e temos certeza que ao término desse julgamento a justiça será feita"

Veja vídeo:

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Filas para voltar
Dois corredores enormes estão formados para o retorno da platéia ao salão do júri. 

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'Tenho certeza que ela será absolvida', diz ex-advogado de Kátia Vargas.

O ex-advogado de Kátia Vargas, o criminalista Vivaldo Amaral acredita com “veemência” que Kátia Vargas será inocentada. “Não há uma vírgula de prova que ela causou a morte dos jovens. Tenho certeza absoluta que ela será absolvida”, declarou Vivaldo ao CORREIO. Veja mais:  https://glo.bo/2A5GqNL

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O que está previsto para acontecer hoje a tarde?

- Mais sete testemunhas estão previstas para serem ouvidas. Duas de acusação e cinco de defesa

- Médica Kátia Vargas pode ser ouvida após as testemunhas. 


Resumo: o que aconteceu pela manhã no julgamento?

- Três testemunhas de acusação foram ouvidas pela manhã: duas afirmaram que viram a médica discutir com Emanuel e outra afirma que ela bateu no carro duas vezes 

- O momento mais emocionante  foi quando a mãe viu pela primeira vez as fotos fotos dos filhos mortos. Emocionada, ela chegou a sair do salão do júri.  

- Mesmo com senhas, público formou filas desde as primeiras horas da manhã. 

-  Primeiro dia do julgamento de Kátia Vargas começou com atraso de 1h30. Adovgados da Ordem dos Advogados do Brasil - seção Bahia, que estavam sem senha, protestaram e alegaram que teriam direitos de entrar no tribunal.

- Mãe de Emanuel e Emanuelle, Marinúbia Gomes, chegou no fórum  por volta de 6h30. "O sentimento é de confiança. Fé em Deus, fé na Justiça. A gente tem que ter, né?", disse a mãe de Emanuel e Emanuelle em entrevista ao CORREIO 

- Pena da médica Kátia Vargas pode chegar até 60 anos, diz advogado de acusação  

- Na porta do Fórum, parentes e amigos dos irmãos Emanuel e Emanuelle se reuniram com cartazes para pedir justiça e a condenação da médica Kátia Vargas 

- Marido de Kátia Vargas, médico oftalmologista Paulo Henrique Brito Pereira,  e seus dois filhos estão no Fórum Ruy Barbosa para acompanhar o julgamento

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Veja como está dentro do salão do júri de Kátia Vargas


12h59
Juíza Gelzi Souza, que conduz o julgamento, encerra depoimento das testemunhas - foram ouvidas pela manhã três da acusação. Magistrada dá pausa de 40 minutos para almoço. 

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Arivaldo reafirma, ao ser questionado pela defesa, que viu a médica bater na moto duas vezes. Defesa pergunta se a testemunha assistiu reportagens de televisão sobre o assunto antes de prestar depoimento. Advogado exibe vídeo no qual a delegada Jussara Souza diz que ele teria visto a discussão. Ele negou ter visto. 

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Rodrigo Dall'Acqua, advogado da defesa, questiona se a testemunha viu alguma discussão entre a motorista do carro e o condutor da moto. Arivaldo diz que não. 

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Rodrigo Dall'Acqua diz que imagens mostram que a moto não estava próxima do meio-fio, ao contrário do que diz a testemunha. 

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O advogado de defesa Rodrigo Dall'Acqua questiona a Arivaldo qual a real distância que ele estava do carro da médica. Arivaldo afirma que estava distante cinco metros do Kia Sorento dirigido por Kátia, confirmando sua versão. O advogado rebate a testemunha: "A imagem mostra que o senhor não estava a cinco metros, mas muito atrás", diz. A testemunha reforça sua versão. 

'Tenho certeza que ela será absolvida', diz ex-advogado de Kátia Vargas 

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O assistente de acusação indaga a testemunha sobre o fato de que a médica afirmou no primeiro depoimento à Justiça que não teria batido na moto.O promotor pergunta se ele ele tem certeza desse choque. Arivaldo afirma que sim "como se fosse hoje".

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O assistente de acusação perguntou se a testemunha estava confortável de participar do júri. Ele disse que não e que estar participando do júri é muito difícil. 

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Marinúbia não aguentou ver a foto dos filhos mortos, após o acidente. Ela saiu do salão do júri, amparada por uma amiga. 

Marinúbia é amparada por amigas ao deixar salão do júri (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

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Nesse momento, começaram a mostrar a foto dos irmãos mortos. A mãe deles, Marinúbia Gomes, começa a chorar. Kátia Vargas continua fora do salão do júri.

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"Quando eu desci do meu carro, vi que o pescoço do rapaz estava com bastante sangue. Peguei no pulso da jovem e ela começou a tremer. Pedi ajuda a uma pessoa, que retirou a moto de cima [das vítimas]. Mas a gente viu que não podia fazer nada", disse Arivaldo Lima

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Arivaldo ressalta que ligaram da delegacia para ele prestar depoimento e que não sabe como a delegada - Acácia Nunes, que conduziu o inquérito na época -  chegou até ele. 

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Arivaldo Lima, terceira das cinco testemunhas da acusação, disse que o carro jogou a moto em direção ao poste. Afirmou que as pessoas da moto estavam de capacete. A moto estava em trajetória normal, em linha reta. Ele afirma que a pista estava limpa, sem obstáculos. 

"A frente do carro, lado direito, bateu no fundo da moto, e depois a lateral arremessou a moto contra o poste. Foram dois toques sequenciais e bem rápidos", afirma a testemunha que estava atrás do carro da médica.

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Carro dirigido por médica invadiu passeio e se chocou contra grades de hotel em Ondina (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Testemunha Arivaldo Lima confirma que carro de médica bateu na moto dos irmãos. 

"Não tenho dúvida nenhuma. Eu estava muito próximo, a uns cinco metros talvez um pouco menos", disse Arivaldo.

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O promotor Luciano Assis pergunta se a testemunha foi ouvida na delegacia e na justiça. Ele confirma que sim e que também participou da reconstituição do acidente. Ele lembra o que aconteceu no dia:

"Quando a gente parou na sinaleira, após abrir eu segui em frente e  deixei para trás uma discussão que não me interessava. Eu desci uns quatro a cinco metros do local do acidente e vi que não tinha mais nada a fazer. Tirei a moto em cima dos corpos", afirmou Arivaldo, testemunha.

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Ele relata que só foi procurado pela polícia na segunda-feira, três dias depois do acidente. Ele disse que foi embora do local depois de falar com o policial. No momento do acidente ele dirigia uma Montana Branca.

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Ele disse que a moto passou pela direita dele primeiro a uma velocidade maior que a dele, que era de 60km/h. 

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A hastag #júrikatiavargas está no trend topics do Twitter de Salvador. 

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12h05
Começa depoimento da terceira testemunha Arivaldo Lima de Souza. 

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11h58
Kátia saiu novamente do salão do júri acompanhada por duas policiais. Termina o depoimento da segunda testemunha, que falou por 23 minutos.

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Representante da defesa da médica, Rodrigo Dall'Acqua pergunta se a testemunha prestou depoimento à polícia. "Quando eu voltei e vi o acidente eu fui dar depoimento", afirma ela destacando que demorou para que a delegada entendesse onde ela estava na hora do acidente. Ele mostra um vídeo onde a testemunha tenta explicar onde estava. Rodrigo pega um trecho do depoimento da testemunha onde ela fala com bastante convicção que estava na sinaleira que permite acessar Ondina através da Barra quando, na verdade, estava na segunda sinaleira. Ela confirma e depois diz que quando foi convidada a participar da perícia viu exatamente onde estava, que não era na segunda sinaleira

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Promotor Luciano Assis pergunta se a testemunha confirma o local exato onde estava de acordo com a reconstituição - o que está descrito na página 2535 do processo. Promotor pergunta se a testemunha, após ver o conflito entre o carro e moto, consegiuu continuar vendo a cena. "Eu sigo, mas não lembro mais", diz a testemunha. 

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O assistente de acusação diz que no depoimento de Kátia Vargas ao juiz foi feita a pergunta se tinha haviado discussão antes do acidente, mas na época, segundo a acusação, Kátia teria negado. Maria diz que viu uma gesticulação e, em seguida, Emanuel suspender a viseira do capacete. 

"No momento do tapa no carro eles estavam parados", diz a testemunha 

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Promotor Luciano Assis exibe um vídeo onde a testemunha disse  em juízo, na primeira fase do processo, que no conflito entre o carro e a moto ela teria visto outros carros. 

"Eu vi a encenação de levantar o capacete mas não visualizei tirando totalmente. E vejo que a pessoa de trás está de capacete também"

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Defesa protesta e diz que promotoria está conduzindo as respostas porque o promotor Luciano Assis falou que todo mundo sabia quem estava no carro. 

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"Eu estava vindo no sentido Barra quando presenciei um carro branco e uma moto numa discussão. Eu estava na rua paralela (da escola Dorilândia). O carro estava sentido apart hotel e a moto como se estivesse ao lado do carona. Tinham duas pessoas na moto. Eu vi que quem estava pilotando teve um conflito com a motorista (Maria Antônia Souza, sendo questionada pela promotoria)

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11h35
A segunda testemunha começa a ser ouvida: Maria Antônia souza. Nesse momento, Kátia Vargas não está no salão do júri - a presença da ré não é obrigatória. 

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Nesse momento, há mulheres convensando com a filha adolescente de Kátia. Um casal está falando com o marido da médica. O filho dela está sentado, quieto, apenas observando. 

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11h25
Mãe das vítimas, Marinúbia Gomes deixa novamente o salão do júri. Kátia Vargas também deixa o salão acompanhada por duas policiais militares enquanto outra testemunha da acusação será encaminhada para ser ouvida. 

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A juíza pergunta se a testemunha conseguiu visualizar qual foi a reação da motorista do Kia Sorento quando o motociclista encostou no carro dela. Ele diz que não. A juíza encerra o depoimento da primeira testemunha. O depoimento dele começou 10h18 e terminou às 11h25.

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Kátia não levanta a cabeça em nenhum momento. Permanece o tempo todo com o olhar perdido e semblante abatido. 

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O advogado de defesa Rodrigo Dall'Acqua questiona se a testemunha estava de fato no local onde afirma que indicou nos depoimentos. Ele também questiona se a testemunha viu uma fechada da moto no carro. A testemunha não confirma. O advogado também questiona, ao mostrar fotos, se ele viu que a moto tinha ou não um baú. A testemunha não confirma o baú apesar de ter na foto. 

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A defesa nesse momento passa um vídeo de outra testemunha. Os jurados estão com fone ouvindo. 
 

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O assistente de acusação Daniel Keller pergunta se a testemunha estava perto do hotel. "Eu acompanhei o que aconteceu porque estava caminhando. Eu estava a uns dez metros do local". A testemunha reforça que não houve discussão e sim um tapa de Emanuel no carro de Kátia. Álvaro confirma que a velocidade que a médica saiu foi maior que a da moto. 


"A distância que eu estava não dava para avaliar o choque. O barulho que eu vi não posso precisar. Eu vejo que tem um momento que a moto se choca, e o veículo em seguida derrapa. Na distância que eu estava e na preocupação que eu estava, a avaliação que eu fiz é que estavam próximos mas não tenho como precisar"

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O promotor Luciano Assis pede que a testemunha confirme se realmente não tinha ninguém na frente do carro de Kátia. Ele afirma que não tinha. Davi Gallo questiona se houve alguma arrancada perigosa da moto. A testemunha diz que não. 

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O promotor Davi Gallo pergunta para a testemunha se ele recorda do rosto da mulher que dirigia o carro e pede que ele confirme se é Kátia Vargas. A testemunha confirma após olhar para a médica que continua de cabeça baixa. 

"Eu fiz uma construção mental para entender o tapa e imaginei uma fechada na moto, mas não foi o que vi", diz a testemunha que é repreendida pela juíza, que destaca que ele só pode dizer o que viu. 

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O promotor Davi Gallo pergunta para a testemunha se ele confirma que Emanuel bateu no vidro do carro da médica. "Ela estava parada e ele seguiu?", pergunta Davi. Álvaro confirma que sim. Questionado sobre como viu os corpos, a testemunha relata que o corpo de Emanuel estava perto do poste e o da irmã perto do asfalto. 

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Enquanto a testemunha fala, Marinúbia Gomes segue com semblante de tristeza acompanhando o depoimento. 

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O promotor Luciano Assis mostra a página 3.536 do processo - nela aparece uma imagem da reprodução simulada do acidente para confirmar se a testemunha estava no local apontado. Nesse momento, o advogado de defesa pede para ver a imagem. 

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A primeira testemunha diz que acompanhou a cena porque achou que daria algum problema. Ele relata que a pista no sentido Rio Vermelho - a que aconteceu o acidente - estava com pouco fluxo. 

"Eu percebi que o momento em que há um choque o veículo perde o controle. Fiquei preocupado, mas não consegui dizer se houve choque entre os carros. Quando eu percebi que o veículo perde o controle, fiquei preocupado para prestar algum socorro. Me deparei com a situação mais grave do que eu poderia imaginar", explica a testemunha. 

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Álvaro Lima Freitas Júnior  é uma das testemunhas que também participou da reconstituição. Álvaro explica que o carro branco era um Kia Sorento. Ele não se recorda de ter outro carro no momento.

 "O tapa foi suficiente para me chamar atenção que era alguma reclamação.  A moto segue adiante e o veículo vai atrás. Fiquei acompanhando a uma determinada distância. A moto tomou a dianteira. É muito difícil estimar a distância", afirma. 

 A testemunha reforça ainda que a moto segue em linha reta e que o veículo vai atrás. "Não acompanhei mais a trajetória da moto. A saída do veículo é brusca. Acelerou forte". Enquanto ele fala Kátia Vargas segue de cabeça baixa. 

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Testemunha apresentada pela acusação, Álvaro Lima Freitas Júnior, relata que estava passando pelo local do acidente quando viu o carro que seria da médica passando por ele. "Eu queria que o senhor descrevesse o que o senhor presenciou naquele dia", pede o promotor Luciano Assis para a testemunha.

 "Eu estava participando de uma caminhada e estava no meu trajeto de retorno, quando ali perto do Salvador Praia Hotel passou por mim um veículo branco, para na sinaleira como se fosse fazer uma conversão à esquerda. Passa uma moto, desvia do carro, dá um tapa na lateral como que reclamando. E aí, desvia. O carro acelera. Eu acompanhei e lá na frente aconteceu", responde Álvaro.

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Mãe dos irmãos, Marinúbia Gomes, voltou ao salão do júri, depois ficar cerca de 15 minutos do lado de fora e acompanha agora o primeiro depoimento. Neste momento fala a primeira das cinco testemunhas da acusação: Álvaro Lima Freitas Júnior. 

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"Deus está no controle. A luta é por vitória, é por justiça... que seja feita para as ambas as famílias. É isso que eu quero, é isso que eu peço a Deus", diz Marinúbia Gomes do lado de fora do salão do júri

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Após ver Kátia Vargas pela primeira vez, mãe de Emanuel e Emanuelle deixa o júri chorando. Marinúbia está do lado de fora do júri, acompanhada de três amigas. 

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Sozinha e antes do início do depoimento da primeira testemunha a mãe das vítimas deixa o salão do júri. 

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Depois da escolha dos jurados, tem início o depoimento das testemunhas. No total estão previstas dez testemunhas - cinco de defesa e cinco de acusação. Primeiro serão ouvidas as testemunhas de acusação. A primeira pessoa ouvida será Álvaro Lima Freitas Júnior. 

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Kátia volta a usar lenço de papel para secar o rosto. Ela está de olhos fechados e franzindo a boca como se estivesse falando baixinho. O advogado de defesa, José Luis, está conversando com ela. Por um instante, depois que ele saiu, ela deu um leve sorriso para o defensor. Mas, depois, voltou a franzir o rosto e começou a rezar.  A médica está com os cabelos soltos, em tom castanho escuro e com uma franja. 

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Jurados em alerta
Um garçom vestido com roupa social está servindo café para os jurados. É importante, afinal, se um jurado dormir o júri pode ser até cancelado. 

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Com o rosto abaixado, Kátia Vargas limpa a face com um lenço de papel branco. "Ela está com o olhar perdido. Sem encarar ninguém", descreve a repórter Thais Borges, do CORREIO, que está no salão do júri

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 O julgamento está  parado porque os jurados estão lendo algumas das peças do processo. 

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Bastante emocionada, a mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle, Marinúbia Gomes está sendo abraçada pelo esposo, Otto Malta, padrasto dos jovens.

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Os advogados de defesa estão sentados nas três cadeiras atrás da ré.

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Kátia Vargas mudou de lugar no salão do júri. Ela estava na cadeira da ponta entre as três cadeiras disponíveis. Mas, a PM recomendou que ela ficasse na cadeira do meio. Ela está sentada entre duas policiais militares. Com o rosto meio baixo, ela agora está de olhos fechados e semblante entristecido. 

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Vestida de blusa branca social, Kátia Vargas parou de chorar. Ela segue olhando fixamente para o centro do salão. 

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9h40
Formado o corpo de jurados

Cinco mulheres e dois homens foram escolhidos para serem os jurados que definirão o destino da médica. 

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A 13ª sorteada também se diz impedida por ter feito manifestação em rede social sobre o caso. 

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Oitava sorteada se diz impedida de participar do julgamento porque fez publicação em rede social sobre o caso. 

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A defesa recusou a primeira jurada escolhida. A segunda e a terceria foram aceitas. Defesa recusou a quarta sorteada. Sexto sorteado é recusado pela acusação. Sétima sorteada é recusada pela acusação. Até o momento cinco mulheres já foram sorteadas. 

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Kátia Vargas chora enquanto a juíza lê os impedimentos da escolha dos jurados. 

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A ré, a médica Kátia Vargas, já está sentada na cadeira reservada.

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Policialmento está reforçado na região do fórum 

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9h27
Começou o ritual de abertura do julgamento. 24 jurados entrarão no salão do júri. Sete serão escolhidos.

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Atraso de 1h30 foi motivado por questões de acesso de senha de advogados ligados à Ordem dos Advogados do Brasil - seção Bahia. Eles protestaram e alegaram que teriam direitos de entrar no tribunal. 

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Capitã da Polícia Militar, responsável pela assistência militar no espaço, passa as orientações para os presentes:

"Que tenhamos um ritual processual tranquilo e passarei algumas orientações para a nossa própria segurança. Obrigada por todos terem comparecido ordeiramente. Estamos primando pela nossa segurança". 

A policial orienta:
1. Celulares no modo silencioso
2. Diz que  há policiais no salão para qualquer necessidade 
3. Silêncio 

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9h22
A juíza Gelzi Maria Souza, que conduzirá o julgamento, acaba de entrar no salão do júri. Minutos antes, promotores e advogados de defesa tomavam cafézinho. 

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Os jurados já chegaram ao salão do júri. O sorteio dos sete que serão escolhidos será feito em instantes. 

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Quem serão os jurados que definirão a vida de Kátia Vargas?
Os lugares reservados para os jurados ainda estão vazios. Em cada cadeira há um colete preto de identificação.

1. Nenhum dos jurados pode ter parentesco (nem genro e sogro, por exemplo) ou ter se manifestado publicamente sobre o caso em alguma situação anterior. Tanto a defesa quanto a acusação podem, ainda, recusar até três jurados sem justificativa.

4. A partir do momento em que os sete jurados são definidos, eles ficam incomunicáveis. Não podem se falar nem mesmo entre eles. Até mesmo para ir ao banheiro precisam estar acompanhados de um oficial de Justiça.

5. Nenhum jurado pode dormir. Nesse tipo de julgamento, se um deles dormir, o júri deve ser cancelado.

6. Os jurados fazem um juramento e, em seguida, começa a chamada fase de instrução. É quando serão chamadas as cinco testemunhas de acusação e as cinco testemunhas de defesa, além do interrogatório da própria Kátia.

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Agora, os nove lugares reservados para a família de Kátia Vargas estão completos. São  dois adolescentes, casal de filhos da médica, e sete adultos. 

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Os familiares de Kátia Vargas estão do lado direito e os das vítimas, do lado esquerdo

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Dentro do salão do júri tem pelo menos seis fileiras vazias. Algumas pessoas do público ainda estão acessando o fórum. 

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Dos nove lugares reservados para a família de Kátia Vargas seis já estão ocupados. Do lado da família de Emanuel e Emanuelle os nove lugares estão ocupados. Uma das pessoas é Marinúbia Gomes, mãe dos jovens mortos.

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Cara a cara
Hoje será a primeira vez que Marinúbia Gomes e Kátia Vargas vão se encontrar. Elas nunca se viram depois do acidente que terminou com a morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle. 

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Por dentro do júri
Sentados em lados opostos as famílias da médica e dos irmãos mortos não estão se olhando. Os advogados também não estão se encarando, mas estão entretidos na própria conversa. 

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Defesa e acusação já estão prontos 
O advogado José Luis de Oliveira Lima lidera o time de três advogados de defesa da médica que também tem Rodrigo Dall'Acqua e Daniel Kignel. Todos já estão no salão do júri assim com os promotores Davi Gallo e Luciano Assis além do assistente de acusação Daniel Keller. Kátia Vargas ainda não entrou nos salão do júri.

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A médica Kátia Vargas chegou no Fórum Ruy Barbosa pouco antes de 8h.  

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Os primeiros 9 lugares de cada lado do júri estão reservados para as famílias de Emanuel e Emanuelle e também para os da médica Kátia Vargas. 

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A família de Kátia chegou antes do Tribunal de Justiça permitir o acesso da imprensa ao fórum. Os advogados de defesa - que são três homens -, dentre eles José Luis de Oliveira Lima, e já estão no salão do júri assim como os promotores do Ministério Público Davi Gallo e Daniel Keller. 

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Não serão permitidas imagens de dentro do salão do júri. Mas, o CORREIO está com a repórter Thais Borges dentro do salão passando as informações em tempo real. 

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Apoio para Kátia
O marido de Kátia Vargas, médico oftalmologista Paulo Henrique Brito Pereira,  e seus dois filhos estão no Fórum Ruy Barbosa para acompanhar o julgamento da médica oftalmologista. Eles estão em uma área reservada e não falaram com a imprensa. Em 2013, Paulo falou sobre o acidente. "Tá um quadro muito difícil para mim, como marido, ver isso e eu poupo os meninos de verem", afirmou na época. Relembre:  https://glo.bo/2BMn9xZ

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8h02 - abrem os portões para acesso da platéia
No total, 220 pessoas do público receberam senhas para assistir o julgamento. De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia, a capacidade da sala onde ocorrerá o júri de Kátia Vargas é de 432 lugares - mas por uma questão de segurança não haverá lotação máxima do espaço. Além das 220 senhas para plateia, foram reservadas cotas para membros da defesa e acusação, famílias da ré e vítimas, jornalistas e Ordem dos Advogados do Brasil - seção Bahia (OAB-BA).

Clique aqui e leia mais sobre as pessoas que enfrentaram longas filas para ver o júri

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O julgamento está marcado para começar às 8h mas até o momento a médica Kátia Vargas não chegou ao Fórum Ruy Barbosa

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Kátia Vargas pode não comparecer ao júri
Mesmo assim ele acontece. Veja explicação do advogado de acusação, Daniel Keller

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Ministério Público acredita na condenação 

"Temos prova da frieza com que foi cometido esse duplo assassinato. Nós vamos começar a apresentar o processo hoje. Vai ser um processo longo. De dois a três dias. Esperamos justiça. Alguns acusados vem, outros não vem. É um direito constitucional. A pena pertence ao juiz. O MP vai apresentar provas, e haja prova ", afirmou Davi Gallo, promotor do Ministério Público da Bahia

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Pena da médica Kátia Vargas pode chegar até 60 anos, diz advogado de acusação 

"As provas estão todas constituídas no processo. As provas estão bem claras- temos provas testemunhas e pericial. Tudo aponta para o duplo homicídio doloso. Acredito que ela vai ser condenada. A pena pode chegar de 24 a 60 anos", disse Daniel Keller assistente de acusação e advogado da família de Emanuel e Emanuelle

Clique aqui e leia mais sobre os argumentos da acusação 

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Fãs do caso 
Mãe e filho, que moram em Cajazeiras, motorista Francisco Cantuária e sua mãe, a dona de casa Josélia chegaram ao fórum às 5h. Eles se declaram "fãs do caso". "Hoje chegamos mais tarde, já estava garantido", disse ele, que foi o segundo da fila para pegar a senha de acesso ao júri. A expectativa é grande, segundo o motorista. "Ansiosos, muito ansiosos", relatou Josélia. 

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Mãe dos irmãos chega ao Fórum Ruy Barbosa
A mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes chegou por volta das 6h40 ao Fórum Ruy Barbosa, acompanhada do advogado Daniel Keller.

"O sentimento é de confiança. Fé em Deus, fé na Justiça. A gente tem que ter, né?", disse a mãe de Emanuel e Emanuelle em entrevista ao CORREIO, ao chegar ao Fórum Ruy Barbosa.

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Família angustiada
Prima dos irmãos Emanuel e Emanuelle, Mayane Torres também estava na porta do Fórum Ruy Barbosa. "É muita aflição, muita angústia. Ontem eu disse que não queria ser da minha família agora, porque a gente estava muito angustiado desde que entrou em dezembro. Que ela seja condenada sim, porque ela cometeu um crime, ela errou", disse a prima. Ela também falou sobre a entrevista exclusiva de Kátia Vargas ao CORREIO.

 


"Discordo da matéria [entrevista que Kátia Vargas deu ao CORREIO]. Foi ela que se transformou em monstro', disse Mayane Torres, prima dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes.

Cartazes pedem justiça
Na porta do Fórum, parentes e amigos dos irmãos Emanuel e Emanuelle se reuniram com cartazes para pedir justiça e a condenação da médica Kátia Vargas

Cartazes pedem justiça pela morte dos irmãos
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Fila no Fórum
O júri está marcado para as 8h, mas por volta das 6h30, uma fila, com cerca de 70 pessoas, já tomava a frente ao Fórum Ruy Babrosa, no bairro de Nazaré, na manhã desta terça-feira. O primeiro a chegar foi o estudante de Direito José Roberto Magalhães. Ele chegou no local às 3h30. "Cheguei cedo porque queria ficar tranquilo. A expectativa é grande, afinal, vai ser um júri técnico que para o meu currículo vai contar muito", relatou ele, que mora no bairro de Nazaré. Para organizar a ordem de quem vai chegando, José Roberto fez uma lista com nome e horário de chegada.

Fila na porta do Fórum Ruy Barbosa
(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

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Perguntas sem respostas
Uma das questões que precisam ser respondidas a partir de hoje, quando começa o julgamento, é o que aconteceu instantes antes de a moto ocupada pelas vítimas se chocar contra um poste no bairro de Ondina.

É que, apesar de câmeras da Avenida Oceânica terem registrado o momento seguinte à colisão, quando o carro da médica entra na contramão e se choca contra o portão do Ondina Apart Hotel, a imagem do momento em que o carro passa pela moto ocupada pelos irmãos é encoberta.

Outra questão que precisa ser respondida é se houve contato entre o carro da médica, um Kia Sorento branco, e a moto ocupada pelos dois irmãos. Também não há confirmação se, de fato, houve discussão entre Kátia Vargas e Emanuel antes da morte dos dois. A versão é apresentada por uma testemunha do caso.

Os irmãos Emanuel e Emanuelle, com 21 e 23 anos, respectivamente, na época, morreram no dia 11 de outubro de 2013 após a moto pilotada por Emanuel bater contra um poste em frente ao Ondina Apart Hotel, na Avenida Oceânica.

Segundo testemunhas, a colisão aconteceu depois que os irmãos e a médica discutiram numa sinaleira antes do local do acidente, depois de a médica ter fechado a moto ao sair de uma rua transversal. Segundo testemunhas, Emanuel teria batido no capô do carro e seguido logo após a abertura do sinal. Mas a médica, que estava na faixa ao lado e cujo sinal estava fechado, teria ultrapassado o sinal vermelho e ido atrás da moto. As imagens mostram o carro em alta velocidade seguindo a moto. 

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Quais são as regras do júri? 
1. O primeiro procedimento será o sorteio dos sete jurados entre os 25 previamente escolhidos aleatoriamente para participar de todos os procedimentos no Tribunal do Júri do mês de dezembro. Esses 25 são sorteados entre uma lista de 1,5 mil pessoas escolhidas por ano – indicadas por vários segmentos da sociedade, como repartições públicas, associações de bairro, de classe, sindicatos, entidades culturais e universidades.

2. É necessário ter, no mínimo, 15 presentes – se somente 14 aparecerem, o julgamento pode ser até adiado.

3. Nenhum dos jurados pode ter parentesco (nem genro e sogro, por exemplo) ou ter se manifestado publicamente sobre o caso em alguma situação anterior. Tanto a defesa quanto a acusação podem, ainda, recusar até três jurados sem justificativa.

4. A partir do momento em que os sete jurados são definidos, eles ficam incomunicáveis. Não podem se falar nem mesmo entre eles. Até mesmo para ir ao banheiro precisam estar acompanhados de um oficial de Justiça.

5. Nenhum jurado pode dormir. Nesse tipo de julgamento, se um deles dormir, o júri deve ser cancelado.

6. Os jurados fazem um juramento e, em seguida, começa a chamada fase de instrução. É quando serão chamadas as cinco testemunhas de acusação e as cinco testemunhas de defesa, além do interrogatório da própria Kátia.

Relembre os fatos marcantes do caso

11 de outubro de 2013 - Após uma suposta discussão no trânsito, médica Kátia Vargas, que dirigia um Kia Sorento, persegue a moto ocupada pelos irmãos Emanuel e Emanuelle Dias. Segundo a polícia, o Sorento toca na moto, que se choca contra um poste e os dois morrem na hora. A então delegada titular da 7ª Delegacia (Rio Vermelho), Jussara Souza, recebe imagens de câmeras de segurança do local do fato. Ela anunciou que indiciaria Kátia por duplo homicídio com dolo eventual. 

14 de outubro de 2013 – O Ministério Público do Estado questiona internação da médica em hospital particular e solicita laudo. Ela estava no Hospital Aliança. 

15 de outubro de 2013 – Amigos e familiares cantam parabéns para Emanuel, que faria 22 anos neste dia. No mesmo dia, a prisão preventiva de Kátia é decretada. 

17 de outubro de 2013 – Kátia Vargas deixa hospital e é presa. Detran abre processo para cassar sua carteira de habilitação. 

18 de outubro de 2013 – A polícia conclui o inquérito e a médica é indiciada por duplo homicídio 

25 de outubro de 2013 – Ministério Público denuncia a médica à Justiça e pede reconstituição do crime. 

1º de novembro de 2013 – O advogado Sérgio Habib assume a defesa de Kátia Vargas. Antes dele, era o advogado Vivaldo Amaral quem defendia a médica, mas ele foi afastado a pedido da família. 

9 de novembro de 2013 – Sérgio Habib apresenta defesa da médica e diz não haver provas da batida. 

28 de novembro de 2013 - Laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) aponta que as câmeras não registraram o momento exato do contato entre os veículos. No dia seguinte, um novo laudo diz que “conduta imprópria” de Kátia causou o acidente. No mesmo dia, acontece a primeira audiência do caso e testemunhas são ouvidas. Defesa contrata o perito Ricardo Molina. 

11 de dezembro de 2013 – Parecer de Ricardo Molina desqualifica laudo do DPT 

12 de dezembro de 2013 - Kátia Vargas depõe em segunda audiência e nega colisão

16 de dezembro de 2013 - Kátia Vargas é libertada da prisão após dois meses e passa a responder ao processo em liberdade. Ela ficou detida por dois meses no Conjunto Penal Feminino, na Mata Escura. 

27 de dezembro de 2013 – A médica Kátia Vargas divulga um vídeo gravado por sua então assessoria de imprensa. Nas imagens, ela diz que não jogou o carro que dirigia contra a moto onde estavam os irmãos Emanuel e Emanuelle.

"Não posso assumir algo que não fiz. Acredito na Justiça dos homens e na divina. Se perdermos a fé na Justiça, acho que perderemos a fé na vida. A verdade existe e tem que aparecer", disse Kátia Vargas.

22 de abril de 2014 - Tribunal de Justiça da Bahia decide que Kátia vai a júri popular. 

28 de abril de 2014 – O advogado Sérgio Habib deixa a defesa da médica, que é assumida pelo escritório do advogado José Luis Oliveira Lima, que fica em São Paulo. Oliveira Lima é conhecido nacionalmente por ter defendido nomes como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. 

11 de novembro de 2014 – Kátia pede autorização para viajar ao Canadá para visitar a filha, que completaria 15 anos, na época. A adolescente estava fazendo intercâmbio. No entanto, a viagem não foi autorizada pela Justiça. 

16 de maio de 2016 – Supremo Tribunal Federal negou recurso da defesa para que Kátia não fosse a júri popular. Era o último apelo para que o julgamento não acontecesse dessa forma. 

11 de dezembro de 2016 - Reprodução Simulada é feita. A reconstituição foi solicitada pelo Ministério Público, a partir da versão das testemunhas. 

8 de maio de 2017 - O Laudo da Reprodução Simulada é encaminhado pelo DPT ao TJ-BA. 

7 de agosto de 2017 - Justiça marca júri popular de Kátia Vargas para 7 de novembro

24 de setembro de 2017 – Pai dos irmãos Emanuel e Emanuelle, o projetista Waldemir de Sousa Dias, 59 anos, morreu após sofrer uma parada cardíaca no apartamento onde morava sozinho, no Barbalho. 

3 de outubro de 2017 – O julgamento da médica é adiado para o dia 5 de dezembro. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a alteração na data foi um pedido do advogado de defesa da médica, que esteve em outro julgamento, nos Estados Unidos, na mesma data. O advogado José Luis Oliveira Lima participou do júri da Fifa.

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