Conheça mulherões que estão maternando: pessoas, textos ou canções

flavia azevedo
15.06.2018, 05:00:00
Atualizado: 15.06.2018, 08:53:38

Conheça mulherões que estão maternando: pessoas, textos ou canções

Por Flavia Azevedo

Tacilla escreve sobre mães solo, Andréia relembra Dolores Duran, Cecília fala de sexo e comida na televisão. Mariana canta e brinca com as crianças. Todas estão maternando: filmes, pessoas, textos ou canções.

Ela mora numa casa linda construída a quatro mãos com Henrique Dantas, cineasta e parceiro de vida há 21 anos. Um amor do qual nasceram Cauê e Cora, as crianças que brincam nas árvores e os acompanham em temporadas no Capão. Tacilla Santos já foi atriz e trabalhou com movimentos sociais e ONGs. Ama ler, escrever, viajar, dançar e encontrar os amigos. Faz yoga e jura que vai começar a malhar amanhã, mas enquanto procura o tênis lembra que cruzou os dedinhos e abandona a ideia, ainda que cheia de culpa. Formada em Comunicação Social, é Mestre e Doutora em Administração pela UFBA. Atua na área acadêmica, mas também escreve para cinema e tevê. Esse "lado B" quase sempre em parceria com o marido. Acaba de ser nomeada professora adjunta da universidade UNILAB.  Enquanto aguarda o início das aulas, trabalha no roteiro do filme  “A Liga Sertaneja”, da Hamaca Filmes, que compõe a carteira de projetos do Núcleo Criativo GRIOT. Além disso, escreve o roteiro da série “A Casa das Mães Solo”, de sua autoria.

Cecília Amado nasceu no Rio de Janeiro, mas nada a faria mais baiana do que ser neta de Jorge Amado e Zélia Gattai. Ela é filha de Paloma e mãe de Felipe, de 12 anos. Em 2014, se mudou para Salvador onde se deleita com o cheiro, a música, o invisível, o mágico, o sagrado e as pessoas. "Ando nas ruas e tenho aparições, pessoas encarnadas de tanta história que vão além de transeuntes", diz a cineasta que é devota de Iemanjá e torcedora do BBMP. Aos 18 anos, trocou a faculdade de psicologia pelo set do filme Tieta, de Cacá Diegues. Daí em diante, emendou um filme no outro incluindo, no currículo, cinco anos de TV Globo. Atualmente, tem dois filmes saindo do forno:  o longa-metragem  Onde Dormem Os Sonhos (documentário sobre a infância na periferia de Salvador) e o média UPB-Tempestade Emocional,  sobre Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz. Além disso, edita a série Da Manga Rosa (pro Cine Brasil Tv) onde fala sobre sobre comida e sexo, principalmente do ponto de vista feminino.

Elis Regina é a maior inspiração. Da cantora, claro, porque a musa da vida é a filha Nina que todo ano desfila beleza na Festa de Iemanjá, vestida a caráter, amadíssima pelos amigos da mãe. Andréia Prado nasceu em uma família de artistas e viveu a infância no Sul da Bahia, entre música e poesia, cantando nos saraus promovidos pelos adultos da casa. Estudou teatro e música, foi RP de casas noturnas de Salvador. Mas já nos anos 80 começou a ser o que queria, cantando numa oficina experimental de teatro com o grupo “Por enquanto que se danem os dinossauros”. Nunca mais parou. Muitos anos e diversos prêmios depois, anda com o coração batendo forte por um novo projeto. "Dolores Urbana" é o nome do show em que interpretará canções de Dolores Duran, sob a direção artística de Marcelo Praddo. Um espetáculo popular e urbano que terá sonorização do Carrinho Multimídia, da VJ Ana Dumas. Em outubro, nas ruas de Salvador.

É lindo o trabalho: história, ancestralidade e música para crianças. Mas também tem a Mariana Caribé cantora solo e uma vida inteira dedicada ao encontro da arte com o "maternar". Este, o verbo que sempre foi dela, encontrou a expressão máxima em 2010, quando nasceu Beatriz. Pronto. Tudo fez sentido para a mulher que toca flauta desde menina, que se graduou em música, pedagogia e musicoterapia e que sempre acreditou no poder transformador da cultura tradicional da infância. Filha de psiquiatra e psicóloga e com raízes fortes no Recôncavo baiano, cresceu entre cantorias em família. Assim, decidiu desde cedo que "educar através da arte e cuidar do outro" seria a sua missão de vida, o seu jeito de encontrar (e oferecer) saúde e alegria. Por isso, forma educadores como professora universitária. Por isso, trabalha na formação de platéias oferecendo arte de qualidade a crianças, relembrando brincadeiras cantadas e de roda com o grupo @corrupiando.


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