Conheça o perfil dos fugitivos da prisão do Complexo da Mata Escura

salvador
04.04.2017, 22:00:00
Atualizado: 05.04.2017, 10:15:19

Conheça o perfil dos fugitivos da prisão do Complexo da Mata Escura

Dos 25 fugitivos, sete cometeram homicídio, outros sete são traficantes, nove participaram de assaltos; até agora, apenas um foi recapturado pela polícia

Eles são assaltantes, traficantes e homicidas. Fugiram em massa da unidade construída para ser de segurança máxima do Complexo Penitenciário da Mata Escura. Agora, eles estão entre nós! O CORREIO listou os 25 bandidos perigosos que escaparam nesta segunda-feira da Unidade Especial Disciplinar (UED), que integra o complexo. Dos 25 fugitivos, sete cometeram homicídio, outros sete são traficantes, nove participaram de assaltos, um realizou extorsão mediante sequestro e um já foi recapturado pela polícia em Simões Filho.

A UED destina-se à custódia de presos provisórios e condenados em regime fechado, bem como de internos submetidos a Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ-BA), todos os fugitivos eram condenados. Atualmente, a unidade tem 196 internos para 432 vagas. Antes da fuga, o prédio abrigava 221 presos. 

Visita
Era dia de visita na UED quando houve a fuga em massa. Todos os 24 presos estavam num grupo de internos que não iam receber visitação de parentes naquele dia. “Eles foram colocados no solário, uma área retangular feita com tela, que fica na parte de trás da unidade para manter temporariamente os presos até a conclusão da visita, iniciada às 8h e finalizada às 16h”, declarou Geonias Oliveira, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado da Bahia (Sinspeb).

Segundo Geonias, não havia vigilância externa no momento que os 24 internos escaparam. “Os poucos agentes penitenciários estavam concentrados em fazer a revista dos parentes dos presos que eram visitados e nas duas únicas guaritas não tinha policiais militares”, disse.

O material usado para cortar a tela pode ter vindo de fora da UED. “Tudo indica que foi um alicate, um facão ou uma serra. Os presos têm acesso livre a esses materiais através dos arremessos que acontecem lá e eles tiveram o tempo todo para cortar a tela”, apontou Geonias. O problema de objetos arremessados nas unidades prisionais foi denúncia do CORREIO em edição publicada em setembro de 2012. Drogas, celulares e até armas eram lançadas para dentro dos prédios por comparsas e parentes dos presos que chegaram ao complexo – que não tem muro no fundo – após percorrer extensa vegetação, que dá atrás da Avenida Gal Costa.

“A UED é chamada de segurança máxima, mas deixou de ser”, declarou Geonias Oliveira, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado da Bahia. Segundo ele, a unidade foi construída nos moldes das penitenciárias de segurança máxima americanas, mas há cinco anos não funciona com tal.

“Ela não tem mais automação por falta de manutenção. Tem um painel de controle que deveria funcionar com um simples apertar de botão, mas não funciona há cinco anos.  O sistema de vigilância externa é muito deficiente: não tem uma boa captação de imagem, pois o monitor além de ser pequeno, é de uma televisão analógica. Deveria ter policiamento ostensivo ao redor do prédio”, denuncia Geonias.

E os problemas não param por aí. “O patrulhamento teria que ser ininterrupto com cães. A construção de uma muralha no entorno se faz necessária para que os agentes possam caminhar por cima e ter uma visão total da área, além da instalação de sensores de movimento”, lista Geonias.

Rotina
A rotina na UED é igual às demais unidades prisionais do complexo. Os presos têm direito ao banho de sol. “Mas há um revezamento para evitar o conflito entre facções. Depois do banho, voltam para as galerias de origem”, informou o presidente do Sinspeb.

A UED é uma unidade que abriga os presos considerados mais perigosos do estado. Pela unidade passaram traficantes Maurício Vieira da Silva, o Maurício Cabeção, Eberson Souza Santos, o Pitty, e César Dantas de Resende, o César Lobão. 

Em setembro de 2009, bandidos metralharam e incendiaram 10 módulos policiais e 14 ônibus, além de deixar cinco policiais e outras oito pessoas feridas. A ordem para os ataques teria partido de dentro da UED, de presos ligados ao traficante Cláudio Eduardo Campanha da Silva, o Cláudio Campanha, apontado pela polícia como líder da facção criminosa Comando da Paz. O motivo foi a transferência de Campanha para o presídio de Catanduvas, no Mato Grosso do Sul. 

Medidas
De acordo com a Superintendência de Gestão Prisional da unidade, algumas providências já foram tomadas após a fuga. A Galeria C da UED, onde os fugitivos ficavam, foi esvaziada e todos os presos restantes foram transferidos para as galerias A e B. “Nós já tínhamos o planejamento de fazer uma reforma em toda a UED porque ela já estava sem as capacidades originais por conta do tempo. É como uma residência que precisa de reparos ao longo do tempo”, explica o Major Júlio César.

Ainda conforme o major, desde o ano passado, um anexo do Presídio Salvador vem sendo reformado abrigar os presos enquanto a UED passa por requalificação. A expectativa é de que a reforma do anexo acabe em dois meses. Assim que os presos forem transferidos, será iniciada a reforma da UED.

O major salienta que as medidas de reforma foram adotadas antes mesmo da fuga. Até o momento, existem três níveis de apuração sobre o caso: da própria corregedoria da Seap, da corregedoria do Batalhão de Guardas e investigação da Polícia Civil. Questionado sobre a possibilidade de negligência dos agentes, o major considerou prematuro antecipar os dados das investigações.

Além disso, a Vara de Execuções Penais do Ministério Público (MP-BA) também realizou nesta terça uma inspeção na unidade para analisar as condições que facilitaram a fuga. Segundo a assessoria do órgão, a procuradoria ainda decidirá se deve abrir uma investigação sobre o caso.

Dados
Segundo os últimos dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça (Infopen), divulgadas em junho de 2014, entre os mais de 300 presos da unidade na época, 242 estavam sem condenação e apenas 60 haviam sido sentenciados. Entre os condenados, 15 foram sentenciados a mais de quatro a oito anos de prisão, 17 a mais de 8 a 15 anos, 10 deles a mais de 15 a 20 anos, 5 a mais de 30 a 50 anos, 2 a mais de 50 a 100 anos e um a mais de 100 anos de prisão. Ainda segundo o levantamento, 138 presos tiveram reincidência por tráfico de drogas, 9 por tráfico internacional de drogas, 40 foram pegos novamente com porte ilegal de armas de uso restrito, 60 por roubo qualificado (quando há lesão corporal/morte da vítima), 12 por formação de quadrilha, entre outros crimes.

Alerta máximo
De acordo com Secretaria de Segurança Pública, todas as unidades de Salvador e Região Metropolitana estão em alerta máximo e os policiais já receberam as fotos dos foragidos para a captura. A assessoria de comunicação da SSP disse ainda que as informações sobre movimentações suspeitas podem ser enviadas, com total sigilo, para o Disque Denúncia da Secretaria da Segurança Pública (3235-0000).

Até agora, somente Ivanildo Bispo dos Santos, o Dentinho, foi recapturado. Ele foi preso por policiais militares em Simões Filho, região metropolitana de Salvador. Ainda estão foragidos: Alex Santos Hamburgo, Cláudio Santos de Jesus, Flávio Bastos Carneiro, Hamilton Rodrigues dos Santos, Jackson Santana de Jesus, João Cleison Mota Carvalho, Lucas Santos de Almeida, o Mata Rindo, Luciano Alves de Jesus Silva, Marcos Aurélio Soares Teles, Moisés Luis Souza Araújo, Romilson Santos de Almeida, Carlos Alexandre de Jesus Anjos, Cassio André Bastos de Souza, Davidson Barbosa da Silva Reis, Edson Paulo de Jesus, o Girino, Eduardo Nery dos Santos, Egberto Lima Santos Filho, Elissandro do Santos Paixão, Eriberto Souza Machado, Jackson Mercês Correia, Joanderson Conceição Santos, Lones Ferreira da Costa, Sólon Vieira de Carvalho e  Wellington de Jesus dos Santos. 

Outras fugas na Bahia
As recentes fugas, rebeliões e mortes dentro dos presídios escancararam a fragilidade do sistema prisional brasileiro. A Bahia não ficou de foram e também vivenciou o clima de tensão. Em janeiro, dezessete presos pertencentes à facção Bonde do Maluco (BDM) fugiram de uma cela da Cadeia Pública, também no Complexo Penitenciário da Mata Escura. Os detentos cerraram as grades do recinto, violaram outras três barreiras fixas e pularam um alambrado de cerca de três metros de altura. A capacidade dessa penitenciária é de 808 presos e, antes da fuga, estava com 1.247. Inaugurada em 2010, esta foi a primeira fuga da unidade, de acordo com a Seap.

Na mesma semana, nove presos fugiram em cidades baianas. Cinco internos escaparam da prisão em Jequié, no Sudoeste Baiano, e quatro fugiram de um presídio em Remanso, no Norte da Bahia. Além desses, outros 21 detentos fugiram do cárcere em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo, totalizando, nessa época, 47 fugitivos no estado no intervalo de apenas três dias. No Brasil, mais de 110 detentos foram assassinados em brigas de facções dentro dos presídios, sendo 60 mortos no Amazonas, 33 em Roraima e 26 no Rio Grande do Norte. 


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