Conheça o vendedor de loja que largou tudo para viajar pela América com seu cão em um Fusca 1978

lampião cãogaceiro
01.12.2018, 05:00:00

Conheça o vendedor de loja que largou tudo para viajar pela América com seu cão em um Fusca 1978


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Jesse e Shurastey em El Chlaltén, na Argentina: bons companheiros (Foto: Reprodução/Instagram)

Em um dia você está atendendo clientes em uma loja de roupas de shopping, sem dinheiro, sem tempo para curtir o seu cachorro e sem perspectivas de ficar rico para conhecer o mundo. No outro dia, imagine, você simplesmente está conhecendo o mundo. E com o seu cachorro! Não, o curitibano Jesse Koz, 25 anos, não ganhou na Mega Sena. Ele largou o emprego, vendeu a moto, comprou um Fusca velho e caiu na estrada. Não sem antes colocar dentro do fusquinha o seu fiel escudeiro, o Golden Retriever Shurastey.

Assim, quase que de um dia para o outro e como uma válvula de escape (ou escapamento) para superar a vida entediante, surgiu o projeto Shurastey or Shuraygow, hoje inspiração para mais de 67 mil seguidores no Instagram. “Eu não tava mais feliz com o que eu tava fazendo. Até ganhava um salário bom, sempre fui bom vendedor. Mas, eu queria mais para minha vida”, explica. Uma semana antes de cair no mundo, Jesse avisou à família e fez um pré-roteiro básico. Pronto. Saiu de Balneário Camboriú no dia 6 de maio de 2017. Já visitou 4 países, passou por 13 estados brasileiros e rodou mais de 40 mil km.

Shurastey e o privilégio de conhecer a neve (Foto: Reprodução/Instagram)

O seu companheiro de viagem nunca reclamou de nada. “Paramos a cada duas, três horas. Ele desce, faz o que tem que fazer e segue viagem. A maior parte do tempo vai dormindo. Não fala, não reclama. Um cachorro é o melhor companheiro de viagem que se pode ter”. Shurastey é um cabra sortudo! Assim como dono, o Golden Retriever de 3 anos também tinha a vida meio paradona. Enquanto eu, o Cãogaceiro, só conheço os segredos da caatinga ou no máximo as praias do litoral do Nordeste, ele passou pelos Pampas, conheceu a neve em Bariloche, escalou as pedras de El Chalten, na Patagônia, e sentiu o clima meio europeu de Buenos Aires e Montevideo.

Parada em Itacaré antes de chegar em Salvador (Foto: Reprodução/Instagram)

Até no Fim Del Mundo, o Ushuaia, Shurastey chegou. Passou também por Chile e Paraguai. Voltou ao Brasil por Foz do Iguaçu e chegou à Bahia mês passado, às vésperas do primeiro turno das eleições. Aqui, passou por locais incríveis como Porto Seguro, Itacaré e Arraial d´Ajuda até finalmente estacionar em Salvador, onde ficou no apartamento de um seguidor que também tem um Golden, a mesma raça de Maria Bunita.  “Estamos encantados com a cidade”, disse Jesse, que conheceu alguns pontos turísticos como o Farol da Barra, o Pelourinho e o Elevador Lacerda, sempre com o amigão do lado.

Recepção calorosa de um grupo de Goldens no Farol da Barra (Foto: Reprodução/Instagram)

Logo depois da entrevista que nos deu em frente ao Clube Espanhol, seguiu para Aracaju e hoje está no Rio Grande do Norte, em Pipa. Até o Alaska, provável destino final, ainda tem muito chão pela frente. “A ideia é ir até o Pará e depois continuar seguindo. Nosso destino final seria o Alaska. Bastante chão!”, confirma Jesse, que nasceu em Curitiba, no Paraná e morou em Santa Catarina. “Era o que eu conhecia do Brasil. Diante desse mundão, isso é muito pouco. Todo mundo gosta de viajar. Vi nisso uma forma de ser feliz e agora já tô há um ano e sete meses vivendo na estrada”.

Além do Shurastey, Jesse tem seu outro companheiro de viagem: o Dodongo. Um Fusca 1978 cheio de penduricalhos e que só cabe ele e o cachorro. “Comprei porque sempre gostei de Fusca e queria passear nod finais de semana. Casou direitinho com o projeto”. O bichinho guenta o tranco. Quando ainda estava em Salvador Jesse contabilizava mais de 36 mil km rodados. Enfrentou pouquíssimos problemas mecânicos. “Coisas pequenas. Nunca furou um pneu pra você ter uma ideia”. E, mesmo que o Fusca desse problema, é aí que pode acontecer o melhor da viagem, por mais que isso pareça contraditório.

Fusca Dodongo teve poucos problemas mecânicos. O pior (e o melhor) da viagem (Foto: Reprodução/Instagram)

“As pessoas! Quando você mais precisa, as pessoas aparecem e vem te ajudar. O mais incrível de tudo isso é fazer amigos”. São esses amigos improváveis, e os possíveis problemas no carro, que podem mudar os planos. Aliás, o plano maior é viver. “Não temos um roteiro de viagem planejado. A gente chega na cidade e se quiser ficar uma semana fica. Se quiser ficar um mês, fica também. Não tô viajando, tô vivendo”. Jesse vive sem planos e sobrevive de parcerias. Para manter o projeto e continuar inspirando pessoas a mudar de vida, precisa de apoios de empresas, marcas de produtos pets como ração, fabricantes de barracas de camping e etc. “O Shurastey tem um seguro pet, por exemplo”, revelou.

Aliás, quando Jesse e Shurastey não conseguem onde dormir, pernoitam em uma barraca adaptada ao teto do Fusca. A barraca foi adquirida em parceria com uma empresa especializada no produto. Mas, essa dupla precisa de mais para chegar até o Alaska. Quem quiser ter o seu nome atrelado a um projeto tão legal é só procura-lo pelo direct do Instagram. A nós, que também adoramos colocar as patas na estrada, nos resta desejar boa viagem e dizer que sonhamos um dia também explorar lugares tão distantes como esses.

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