Conheça os bairros de Salvador onde os rodoviários se sentem inseguros

salvador
27.10.2017, 16:26:00
Atualizado: 27.10.2017, 18:16:32

Conheça os bairros de Salvador onde os rodoviários se sentem inseguros

Sindicato listou áreas onde trabalhadores não querem atuar

Trabalhar no transporte público, em Salvador, não é uma tarefa fácil, mas a rotina dos rodoviários está ainda mais complicada por conta da insegurança. O Sindicato dos Rodoviários da Bahia listou as áreas em que os trabalhadores se sentem mais inseguros na capital. Confira a lista:

1. Santa Mônica 
2. Valéria
3. Base Naval
4. Nordeste de Amaralina
5. Vale das Pedrinhas 
6. Santa Cruz
7. Amaralina
8. Calabetão

Segundo o vice-presidente do sindicato, Fábio Primo, o medo de trabalhar em algumas áreas da cidade é superado somente com o tempo.

"Os motoristas novos não querem rodar nessas áreas. Eles só se sentem um pouco mais seguros depois de um tempo rodando na linha, quando ficam conhecidos, e se sentem à vontade", afirmou.

Diretor de Saúde do sindicato, Pedro Celestino disse que o medo tem efeito direto no bem-estar dos trabalhadores. "Esses ataques provocam lesões psicológicas na categoria, que fica amedrontada, sequelada, e tudo isso influencia no desempenho laboral. Hoje, nós temos uma categoria que, de certa forma, em detrimento dos abalos psicológicos, trabalha de forma vulnerável", avaliou. 

Para discutir essas e outras questões, em 2016 foi criado um Comitê Integrado de Defesa do Transporte Rodoviário, que reúne representantes do Sindicato dos Rodoviários, Secretaria da Segurança Pública (SSP), Ministério Público Estadual (MP-BA), empresas de ônibus e órgãos municipais. O grupo é responsável por pensar estratégias para lidar com os problemas que envolvem o transporte público. 

Na quarta-feira (25), um ônibus foi queimado no bairro da Santa Cruz e outro na Avenida Juracy Magalhães, próximo à Ceasinha do Rio Vermelho. Um cobrador ficou ferido, e teve parte do corpo queimado. Ele recebeu alta médica e, segundo o sindicato, está em estado de choque.

Os coletivos foram incendiados após um homem ser morto em confronto com a polícia na Santa Cruz. Os autores dos ataques já foram identificados pela polícia, e estão sendo procurados.

Paralisação
A insegurança também é responsável pela interrupção do serviço de transporte público. Na quarta-feira, os rodoviários deixaram de circular no Complexo do Nordeste de Amaralina, onde os coletivos foram incendiados, e até o final da tarde desta sexta não haviam retomado as atividades. Pela manhã, foi a vez do bairro de Santa Mônica ficar sem ônibus após homens ameaçarem queimar alguns veículos.

O secretário municipal de Mobilidade (Semob), Fábio Mota, informou que as empresas de ônibus podem ser penalizadas pela suspensão do serviço, dependendo da motivação.

"Toda vez que o serviço é suspenso nós somos informados, porque o sistema é monitorado 24 horas, então, se um ônibus muda a rota ou se não saí do fim de linha, por exemplo, nós ficamos sabendo. As empresas de ônibus são notificadas sobre a interrupção do serviço, mas se for uma questão de falta de segurança, a gente muda o fim de linha, como fizemos na Santa Cruz e no Vale das Pedrinhas", disse.

No caso de Santa Mônica, o secretário informou que uma equipe da Semob foi até o local, mas a situação foi normalizada e o serviço voltou a funcionar. A empresa de ônibus não foi notificada.

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