Consumidores brasileiros preferem comprar com quem defende propósitos e valores

sustentabilidade
26.03.2019, 13:00:00
Consumidores estão mais exigentes com as empresas no que diz respeito à questões de sustentabilidade (SHUTTERSTOCK)

Consumidores brasileiros preferem comprar com quem defende propósitos e valores

Questões como ética e autenticidade ganham peso e contribuem para estreitar relações com os consumidores

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Hoje, 83% dos consumidores brasileiros preferem adquirir produtos e serviços de empresas que se posicionam em relação a causas alinhadas a seus valores e crenças pessoais e dispensam as que preferem se manter neutras. 77% dos consumidores brasileiros afirmam que suas decisões de compra são impulsionadas por valores éticos e autenticidade das empresas. Isso foi o que mostrou a décima quarta edição anual do Global Consumer Pulse Research, da Accenture Strategy, que entrevistou aproximadamente 30 mil consumidores do mundo todo, incluindo 1.564 brasileiros, para entender as expectativas em relação às marcas e empresas.

De acordo com o líder de Accenture Strategy para a indústria de Produtos, Mauro Rubin, o propósito vai além de um mero posicionamento empresarial em relação ao assunto do dia. “Ter um propósito é ter um compromisso genuíno e significativo em relação a princípios com os quais os consumidores se importam - como saúde e bem-estar, uso de ingredientes naturais, sustentabilidade ambiental e família - e que sustentam cada decisão de negócios", afirma. "Nos últimos anos, muitas empresas deixaram de se posicionar por complacência, letargia ou receio de polarização, permitindo o crescimento de competidores de menor porte", completa.

Ao todo, 79% dos consumidores brasileiros querem que as empresas se posicionem em relação a assuntos importantes, envolvendo áreas como sociedade, cultura, meio ambiente e política. Além disso, 76% afirmam que suas decisões de compras são influenciadas pelos discursos, valores e ações dos líderes das empresas. Os consumidores se sentem atraídos por empresas comprometidas com o uso de ingredientes de qualidade (83%), o bem-estar de seus funcionários (78%) e que acreditam na redução do uso de plástico e na melhoria do meio-ambiente (74%).

Consumidores ativistas

Ainda de acordo com a pesquisa, 79% dos consumidores brasileiros acreditam que ações individuais de protesto, como boicote a empresas ou desabafos nas redes sociais podem influenciar o comportamento das empresas. Já 34% dos entrevistados já se decepcionaram com a forma de agir de uma empresa e sentiram que a empresa traiu suas crenças. Como resultado, 65% deixaram de fazer negócios com a essas organizações.

Outro ponto importante é o fato de 87% desejarem maior transparência sobre a origem dos produtos, condições de trabalho mais seguras e uma posição clara em relação a questões como testes em animais.

"Estamos na era da transparência radical, em que os consumidores emitem suas opiniões, valores e crenças e analisam atentamente cada ação e exigem responsabilidade das empresas e de seus líderes. Eles não toleram falta de autenticidade", explica Rubin, ressaltando que a voz dos consumidores pode alterar a trajetória financeira das empresas. “Eles são mais do que simples compradores, são stakeholders (parceiros) ativos que investem tempo e atenção e buscam uma sensação de propósito compartilhado. Espectadores passivos não têm vez nessa nova era", continua.

A pesquisa entrevistou consumidores do mundo todo para entender suas expectativas em relação às marcas e empresas de quem elas costumam adquirir produtos e serviços. O estudo incluiu respostas online dos entrevistados de 35 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Holanda, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Japão, Malásia, México, Noruega, Polônia, Reino Unido, República Tcheca, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça, Tailândia e Turquia. O levantamento foi conduzido entre os meses de agosto e outubro de 2018.

Competitividade ética

Organizações em busca de conexões mais fortes com seus consumidores e de sustentação de sua competitividade por meio de propósitos devem:

Definir os valores defendidos pelo seu negócio: É importante que as empresas se posicionem e mostrem claramente que papel querem ter na vida de seus clientes.  Para tal, os líderes devem entender o que move seus clientes, o que leva seus funcionários a trabalharem para eles e os motivos para que outras empresas fechem parcerias com eles. Assim, descobrirão o que torna a empresa única e poderão fazer a diferença.

Ser claro e autêntico: Os consumidores não toleram falta de autenticidade. Se o comprometimento da empresa com uma certa causa for sincero, seus princípios irão conduzir cada decisão de negócios. O propósito irá unir consumidores, funcionários e stakeholders. Mas exige uma liderança que entenda que ações valem mais do que palavras.

Engajar os consumidores em um nível mais profundo: Com os consumidores se alinhando ativamente a empresas específicas e influenciando seu sucesso, as empresas podem capitalizar essa energia envolvendo os clientes na co-criação de novos produtos e serviços, criando iniciativas ou parcerias e investindo no crescimento da empresa em troca de serviços personalizados de recompensas. Incluir os consumidores em seus ecossistemas de inovação irá ajudar as empresas a se manterem relevantes, identificar novas oportunidades de crescimento e mercados e entregar o que foi prometido.


 

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