Covid em minha casa: saiba como cuidar de um paciente minimizando riscos

coronavírus
01.08.2021, 05:00:00

Covid em minha casa: saiba como cuidar de um paciente minimizando riscos

Especialistas indicam o que fazer quando alguém que mora contigo precisa dos seus cuidados

Bom mesmo era o tempo daquela visita indesejada que chegava sem avisar, abria a geladeira da casa sem permissão, fazia xixi sem levantar a tampa e tomava conta do sofá. Atualmente, tentamos evitar um visitante microscópico bem mais perigoso e que pode matar. Contudo, até mesmo o coronavírus pode entrar na sua casa e infectar alguém de sua casa. O que fazer? É preciso vestir um jaleco invisível e encarnar um profissional de saúde para diminuir os riscos de mais infecções na casa e cuidar do paciente. Está preparado para a missão?

Ninguém está dizendo aqui que é preciso ser médico sem diploma. Apenas um braço direito deles. “Primeiro de tudo, e mais importante, é entrar em contato com seu médico para obter acompanhamento em tempo real. É preciso um tratamento, mesmo à distância. Só então, com possibilidade de ser tratada em casa, é possível seguir algumas orientações e cuidados”, orienta a médica oficial da Organização Mundial de Saúde, doutora April Baller, no site oficial da OMS.

Só para ter uma ideia, um estudo divulgado pelo médico e pós-doutorado na Universidade de Paris, Ramy Rahmé, no final do ano passado, mostrou que 55% dos casos de covid-19 no mundo apresentam sintomas moderados, com possibilidade se ser tratado em casa. Ou seja: você é importante também no tratamento, recuperação e cuidado com seu ente querido.

Mesmo assim, é possível iniciar os cuidados antes de procurar o médico em duas situações: apresentou algum sintoma suspeito ou esteve com alguém que foi diagnosticado com covid.

“É preciso separar esta pessoa dos demais. Isolar em algum cômodo da casa. Se precisar sair para outros espaços da casa como o banheiro, é preciso estar sempre de máscara e evitar contato. É preciso separar talheres e fazer alimentação separada”, resume o médico infectologista, Antônio Bandeira.

É crucial que, além de higienizado, o local de isolamento esteja ventilado, com janelas abertas e arejado. Isto evita que o vírus fique passeando pelo ar da casa.

Uma vez isolado, é preciso escolher alguém que cuide do infectado/suspeito. O “cuidador”. Quanto menos gente em contato, melhor. Este agente vai cuidar da alimentação do paciente, higienizar os talheres, limpar o banheiro, monitorar o quadro e estar sempre de máscara, pois ele estará exposto. Máscara N95 (Pff2). “Quando sair do contato, lave as mãos e se cuide. É bom também ter toalhas, cobertores, copos, pratos, talheres designados para o doente que só essa pessoa usa. lavar com água e sabão. Sabão "mata" o vírus então pode lavar sem medo. Desinfecte as superfícies no local onde o doente está”, orienta a doutora em Genética e Biologia Molecular, Izabella Pena, no seu perfil oficial no Twitter.

Karine Pimenta até tentou. Ela cuidou do marido de covid-19, mas acabou pegando também. Detalhe: na casa moram eles e o filho de 3 anos. “Todos nós estávamos em home-office. Em março deste ano, meu marido apresentou sintomas de gripe. Não levamos a sério, mas ele fez o teste: positivo! Isolamos ele no quarto. Porém, no mesmo dia eu também apresentei sintomas. Positivo também”, lembra Karine.

“Só andávamos de máscara pela casa. Não sei se nosso filho pegou. No sexto dia, meu marido piorou e precisou ser internado, enquanto eu, mesmo com sintomas leves, estava fadigada e não conseguia cuidar de Lipe. Foram dias eu deitada e ele no tablet até meu marido voltar”, conta Karine, que em julho apresentou novos sintomas. “Fui isolada novamente, avisei para todos que tive contato, mas o teste deu negativo. Todos respiram aliviados novamente”, completa Karine.

Daniella Tavares e David da Rocha pegaram covid, tiveram sintomas leves, mas precisaram cuidar de duas crianças, mesmo doentes (Foto: Acervo da família)

Casados há 11 anos, Daniella Tavares e David da Rocha tiveram uma situação parecida.  Daniella é da área de saúde e descobriu que estava grávida novamente um mês antes o coronavírus chegar ao Brasil, em março do ano passado. Ela teve licença e se isolaram por completo até o nascimento de Laurinho, no fim do ano passado. Contudo, ambos sentiram juntos os sintomas e tiveram que se virar para se isolarem das filhas, mas cuidando de ambas.

“Até hoje não sabemos como a covid-19 entrou na nossa casa. Foi um mistério mesmo, porque seguimos à risca todos os procedimentos que sugerem. A gente não saia de casa, estávamos em home-office e a visita de familiares era muito restrita. Ainda não conseguimos suspeitar por onde ele entrou”, disse David, que teve sintomas leves, assim como a esposa.

“Eu acordava, colocava a máscara e só tirava na hora de dormir. Higienizava a mão antes e depois de fazer qualquer coisa em casa. Foi bem difícil cuidar de um bebê e outra criança de cinco anos”, lembra David, que um mês depois de se recuperar perdeu o pai para a covid-19.

David e Daniella já estão vacinados. Em casos como este, dá para relaxar dentro de um lar em que todos estão vacinados? “Não, não dá. Mesmo vacinado, qualquer suspeita deve ser tratada como se o paciente não tivesse sido vacinado. Isolamento, escolher um cuidador, higienização, manter a casa ventilada e todos os protocolos que já citei”, completa Antônio Bandeira. O isolamento deve levar pelo menos 10 dias após aparição dos sintomas ou após o teste positivo para covid-19.

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Guia para cuidar de um paciente covid em casa

  1. Na primeira suspeita, destinar um quarto e um banheiro para uso exclusivo da pessoa infectada ou com suspeita de infecção. Deixe o lugar com a porta fechada, sempre limpo e ventilado (janelas abertas). Não sendo possível o isolamento no quarto, destine algum lugar e mantenha distância dos demais entes.
  2. Apresentando sintomas, procure um médico. Ele vai orientar o cuidador, que será escolhido na casa para cuidar do paciente e monitorar os sintomas. Este escolhido deverá sempre estar com máscara N95 e ter sempre com a higiene. Abuse do álcool 70%.
  3. O paciente/suspeito não deve compartilhar talheres, roupas de cama e banho ou qualquer outra coisa dos demais integrantes da casa. Sempre que usar o banheiro coletivo, é preciso limpá-lo/desinfeta-lo. Caso o familiar doente tenha condição, ele mesmo pode fazer isso. É preciso lavar os objetos de uso do paciente com água e sabão e manter o lixo também separado. No saco, identifique que se trata de lixo de paciente covid.
  4. Assim que houver suspeita ou confirmação, informe a todos que teve contato com a pessoa.
  5. Caso você more sozinho ou todos da casa estejam infectados com sintomas leves, cuidado ao pedir delivery. Avise ao entregador que está de covid e evite contato. A orientação é que o isolamento dure pelo menos 10 dias após os sintomas ou depois do teste positivo.
  6. Caso você more sozinho ou precise cuidar de alguém, mesmo de covid-19, use sempre máscara e higienize tudo que utilizar. Evite brincar ou se aproximar da criança ou do idoso que você cuida. Tente manter o mínimo de distância possível ou peça ajuda, principalmente se morar sozinho. Não saia de casa e mantenha o isolamento.

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