Crise na oferta de componentes foi pior que saída da Ford para indústria automotiva

donaldson gomes
21.01.2022, 06:00:00

Crise na oferta de componentes foi pior que saída da Ford para indústria automotiva

Automóveis 
O impacto do reposicionamento de mercado da Ford em 2021 – com o encerramento da produção de veículos no Brasil, incluindo-se  aí uma unidade na Bahia – foi mascarado por uma crise global que afeta o toda a indústria automobilística, avalia Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Segundo ele, o volume que a montadora vendia foi absorvido por outras marcas. “É cedo para dizer quem ganhou ou perdeu porque o mercado foi influenciado pela questão dos semicondutores”, diz. “Economicamente, o impacto é muito importante, são 5 mil empregos. É muito ruim para a Bahia e as cidades onde as plantas existiam. Gerava renda, empregos, movimentava o comércio, mas infelizmente aconteceu”, avalia, lembrando entretanto que a Ford manteve na Bahia o seu centro de pesquisas. “Foi uma decisão estratégica da empresa, a gente não tem muito o que dizer”.

Semicondutores
O grande desafio do setor no ano passado deve continuar a impactar o mercado automotivo global, avalia Moraes. Com os carros cada vez mais tecnológicos, a dependência de microchips, feitos com materiais chamados de semicondutores, cresce proporcionalmente. Já existem veículos com mais de mil semicondutores. E esta cadeia de fornecimento – que impacta também as indústrias de eletroeletrônicos, brinquedos e informática – foi bastante desestruturada pela pandemia. “Acreditamos que 2022 será ainda um ano desafiador, talvez numa proporção menor. 

Expectativa
Apesar de todas as dificuldades, o mercado automotivo brasileiro espera ampliar a produção e veículos em quase 10% neste ano, com 2,46 milhões de unidades. Além, disso, a projeção é de que o volume de licenciamentos aumente em 8,5%, chegando a 2,3 milhões. Em 2021, foram licenciados 2,1 milhões de veículos no Brasil, o que representou um crescimento de 3%, na comparação com 2020. Aqui na Bahia, o crescimento foi de 2%, com 78,4 mil novos licenciamentos. 

Culpa do boi
Nesta semana, o preço do petróleo atingiu a cotação de US$ 88 – a maior cotação desde 2014 – especialistas no setor estimam que o produto pode passar da casa dos US$ 100 no decorrer deste ano. E isso tudo com um agravante, em 30 de outubro de 2014 a cotação do dólar era de R$ 2,41 e agora está acima de R$ 5,40. O que significa naquela época o barril custava R$ 212, enquanto agora a principal matéria prima para a produção de gasolina, diesel e gás de cozinha sai por um preço médio de R$ 475, ou seja, 125% mais caro. Ou seja, é difícil esperar alívio nos preços deste jeito. Um integrante da cadeia de fornecimento de combustíveis compara a situação com o impacto do aumento da carne bovina para uma hamburgueria: “Se a carne aumenta, o hambúrguer fica mais caro e a culpa não é da lanchonete, é o preço do boi”. No caso, do barril e do dólar. 

Enquanto isso em Aratu...
Integrantes do setor portuário baiano veem com preocupação a movimentação da CS Brasil, que arrematou os dois terminais de granéis sólidos do Porto de Aratu, o TGS I e II. Como o Farol Econômico já noticiou, a empresa arrematou os espaços em leilão no mês de dezembro de 2020 por um valor de outorga superior a R$ 60 milhões, mas até hoje não assumiu a operação. O que se diz é que a empresa estaria tentando modificar o edital, que prevê a movimentação de soja e ferro em Aratu. Hoje, os granéis agrícolas já são movimentados pelo terminal da M. Dias Branco na Baía de Todos os Santos, enquanto a movimentação do minério depende de um projeto no Norte da Bahia, que só será viabilizado com a recuperação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Ainda sobre a soja, vocacionar Aratu para movimentar grãos pode “matar” uma operação pequena, mas significativa, que atualmente acontece pelo Porto de Ilhéus. 

OEC no Canal
A construtora OEC, do grupo Novonor (antiga Odebrecht)  venceu a concorrência para a construção do quinto trecho do Canal do Sertão, em Alagoas. A empresa entregou recentemente o quarto trecho da obra. Mais de 800 empregos devem ser gerados no pico da obra, com aproveitamento da mão de obra majoritariamente local. Cerca de 130 equipamentos pesados deverão ser utilizados nos trabalhos. O prazo total previsto no contrato é de 40 meses, sendo 27 para execução da obra. Quando estiver completo, o canal será a maior obra de infraestrutura hídrica de Alagoas e uma das maiores do Brasil, com 250 quilômetros de extensão, alcançando a cidade de Arapiraca e beneficiando mais de um milhão de pessoas em 46 cidades. A execução do novo trecho foi licitada por R$ 429,8 milhões.

Educação 
O Bernoulli Sistema de Ensino registrou um aumento de 48% no número de estudantes que utilizam as soluções didáticas desenvolvidas pela empresa, na Bahia, de 2020 para 2021. De 2018 até o final do ano passado, a alta foi de 56%. No Brasil, a expansão foi de 80%, com um salto de 111 mil estudantes em 2019 para 200 mil alunos, em 2022. A empresa atende 700 escolas parceiras, da educação infantil ao pré-vestibular. Hoje, o sistema de ensino está presente em mais de 340 cidades do País e também no Japão. Alguns dos parceiros na Bahia são Colégio Acesso e Colégio Asas, ambos de Feira de Santana, e os colégios Marízia Maior, de Salvador, Gauss, de Barreiras e Oficina de Vitória da Conquista.

Bahiacal
A feira Bahiacal, de negócios na área calçadista, entre 23 e 25 deste mês deve reunir 70 expositores, que representam mais de 310 marcas de calçados, acessórios, confecção, perfumaria e relojoaria, no Centro de Convenções de Salvador. A expectativa é de movimentar mais de R$ 60 milhões em negócios. A Aberc, organizadora da feira, estima que a mostra receba a visitação de profissionais de 650 lojas dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Maranhão e Tocantins.

Pra acelerar
O Programa Acelera Iaô, da Fábrica Cultural, está com inscrições gratuitas para afro empreendedores baianos até o dia 13 de fevereiro. O programa visa fomentar trabalhos nas áreas de moda, artesanato, gastronomia, música e serviços criativos. A Fábrica Cultural é presidida por Margareth Menezes, tem patrocínio do Grupo Carrefour Brasil e apoio da Prefeitura de Salvador.

Expansão 
A Unijorge escolheu Aracajú (Sergipe) como destino da sua primeira unidade de Educação à Distância (EAD) fora da Bahia. Serão oferecidos 39 cursos. Outra novidade da Unijorge é o novo campus de Cajazeiras, com modelo collab, que estimula a integração dos alunos ao local, o networking e o ambiente colaborativo.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas