De escondidinho a fricassê: Vico, do Vitória, é cozinheiro de mão cheia

e.c. vitória
09.05.2020, 07:00:00
Cozinheiro de mão cheia, Vico prepara o almoço na companhia da esposa Karen (Arquivo pessoal)

De escondidinho a fricassê: Vico, do Vitória, é cozinheiro de mão cheia

Atacante do Leão tem aproveitado a paralisação do futebol para praticar outro dom

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Estrogonofe, escondidinho, macarronada, tilápia ao molho de leite de coco, fricassê de frango. "Sei fazer de tudo", orgulha-se Vico. Cozinheiro de mão cheia, o atacante do Vitória está aproveitando o tempo livre em casa durante a pandemia para preparar algumas receitas. “Gosto de cozinhar e fazer coisas elaboradas. Tenho o dom na cozinha. Aprendi com minha mãe e é uma coisa que eu sempre gostei”. Dona Sandra, 56 anos, fez questão de ensinar o filho a se virar sozinho. A esposa Karen, 25 anos, agradece.

Com os campeonatos paralisados e as atividades da Toca do Leão suspensas desde o dia 17 de março, o maridão tem tido tempo para preparar jantares românticos. “A gente não tem esse tempo com as nossas esposas, nunca passamos muito tempo em casa, pois estamos sempre viajando, na correria, então está sendo bom ter um tempo, fazer jantares românticos, estar junto, conversar. Nós dois somos românticos e gostamos de surpreender um ao outro”, revela Vico, que está casado há um ano e meio.

Desfrutam das iguarias culinárias e também mantêm a forma juntos. Na companhia de Karen, Vico treina no apartamento onde moram, em Pituaçu. “Coloco um tatame na varanda e aqui no condomínio tem uma pista de cooper", conta. "Tenho um preparador físico que me acompanha já há dois anos, ele me passa treinos on line e vai me acompanhando por Face Time. Não fico parado”. O objetivo é estar bem condicionado quando o futebol for retomado no Brasil. Um assunto que deixa ele dividido. 

“É um pouco complicado falar disso, porque a gente tem visto muitas pessoas sofrendo com essa pandemia, algumas infelizmente estão morrendo. É algo que temos que realmente ter cuidado. Futebol, querendo ou não, é aglomeração. É um esporte que tem contato, não vai ter jogador longe do outro, então acho que tem que esperar realmente ver o que os médicos vão achar disso. Não cabe a mim essa escolha. Lógico que eu quero que volte, quero jogar, já estou agoniado dentro de casa. A torcida sente falta do futebol, o mundo sente falta do futebol, porque nos dá alegria, mas não cabe a mim falar se tem que voltar ou não”. 

Quando a bola rolar, Vico quer voltar a apresentar o bom desempenho do começo da temporada. Ele foi titular em oito dos 10 jogos comandados pelo técnico Geninho nos três primeiros meses do ano. As duas ausências foram por suspensão. Além de dar uma assitência, o atacante marcou três gols.

“Foi um começo muito bom. Creio que foi o meu melhor ano, por fazer gols importantes. O nosso time estava bem, a gente vinha numa sequência boa. Perdemos apenas um jogo e passamos de duas fases na Copa do Brasil. A gente vinha numa batida muito boa. O time inteiro estava muito encaixado e isso me ajudou a ter um começo de ano bom. Foi o melhor começo da minha carreira até agora”, avalia o jogador de 23 anos, que foi revelado pelo Grêmio e defendeu a Ponte Preta no ano passado.

Vico estreou a rede ao fechar o placar no triunfo por 2x0 no Ba-Vi da Copa do Nordeste, na Fonte Nova. Depois, fez outros dois contra o Lagarto-SE, no Barradão. Além de garantir a classificação à terceira fase da Copa do Brasil, assinou uma pintura. Ele dominou a bola fora da área e acertou o ângulo. “O do Ba-Vi foi um gol mais emocionante. Era um tabu grande e tem esse gostinho de quebrar esse tabu. Foi importante. Gol em clássico não tem comparação com nada, mas também o do Lagarto foi o mais bonito da minha carreira”, diverte-se. 

Solidariedade

Além de servir a própria mesa depois de cozinhar, Vico está fazendo campanhas nas redes sociais para levar comida a pessoas afetadas pela pandemia de coronavírus. No final de abril, ele iniciou arrecadação de dinheiro para converter em cestas básicas. A iniciativa segue até junho. Os alimentos estão sendo vendidos a preço de custo por uma rede de supermercados, que disponibilizou duas contas para depósito ou transferência (imagem a seguir). O comprovante da transação bancária deve ser enviado via WhatsApp para o telefone (71) 99364-7777.

Foto: Divulgação

“Eu sempre tive isso dentro de mim de ajudar o próximo, ainda mais nesse momento em que a gente está sofrendo, todo mundo está sofrendo. Aqui em Salvador, às vezes eu saía na rua e via que as pessoas estavam passando por dificuldade. O mundo inteiro sentiu essa crise, o mundo inteiro parou”, lamenta.

No último dia 1º, Vico também lançou em parceria com outros três atletas do Vitória uma rifa solidária com o mesmo objetivo de doar cestas básicas. Ele, Alisson Farias, Léo Ceará e Jean doaram uma camisa autografada cada para ajudar na causa. Cada rifa custa R$ 10, pode ser adquirida aqui e o sorteio será realizado no dia 10 de junho. “Eu vi que muita gente pede camisa no Instagram. As pessoas vão realizar o sonho de ter uma camisa do Leão e vão ajudar outras pessoas", convida Vico.

***

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