De volta à boemia - com restrições, é claro

salvador
07.04.2021, 19:40:31
Atualizado: 07.04.2021, 21:26:01
Bares no Imbuí ficaram vazios (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

De volta à boemia - com restrições, é claro

Bares, restaurantes e lanchonetes retomaram as atividades nesta quarta, mas movimento foi fraco

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Antes da pandemia, o auxiliar de escritório Robson Santos, de 53 anos, era um grande frequentador de barzinhos. Com a chegada da covid-19, o ‘garçom, desce mais uma’ ficou escasso, reservado para ocasiões especiais, como nesta quarta-feira (7). Robson estava voltando para casa do trabalho e foi surpreendido com as mesas e cadeiras dispostas na rua. “Não sabia que estaria liberado para funcionar. Eu estava passando, vi aberto e ainda vazio, aí disse ‘opa, vou ali tomar minha cervejinha’ porque aproveito para relaxar um pouco”, contou. “Mas é coisa rápida, umas duas ou três rodadas e depois é casa porque a gente também não pode se espalhar, a pandemia está aí”, completou.

Esta quarta-feira foi o primeiro dia da nova fase de retomada dos bares, restaurantes e lanchonetes em Salvador. Os locais estão liberados para funcionar de quarta a domingo, de 11h às 19h, mas muitos preferiram não abrir e, como já esperado por funcionários e proprietários dos estabelecimentos, o movimento foi fraco. Por volta das 16h30, no Rio Vermelho, o Largo de Santana tinha somente cinco mesas ocupadas e um bar aberto. No Largo da Mariquita, todos os bares estavam abertos e cerca de oito mesas estavam ocupadas. Na Vila Caramuru, dos 10 estabelecimentos, seis estavam abertos e também com poucas mesas ocupadas. Segundo os funcionários do local, o movimento durante o almoço também foi fraco. 

Pouco bares no Rio Vermelho resvolveram abrir nesta quarta-feira (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

A Prefeitura de Salvador liberou o funcionamento de 11h às 20h, mas, com o decreto do toque de recolher, que proíbe a circulação de pessoas a partir das 20h, até o dia 12 de abril, os bares, restaurantes e similares devem encerrar o atendimento presencial às 19h para que os funcionários possam retornar às suas casas. O serviço de entrega em domicílio (delivery) pode funcionar até a meia-noite. 

O decreto também estabelece a proibição da venda de bebidas alcoólicas, inclusive por sistema de entrega, das 18h de sexta-feira (9) até às 5h do dia 12, em toda a Bahia. Ou seja: os bares e restaurantes podem abrir, mas a cervejinha gelada, a caipirosca ou o bom vinho não vão ser permitidos. Vale lembrar que os shoppings funcionam até sábado às 19h, mas os bares e restaurantes que tiverem acesso independente poderão funcionar nos mesmo dias e horários do restante da categoria. As lanchonetes também voltaram a operar de quarta a domingo, das 7h às 15h.

Na Praça do Imbuí, na Avenida Jorge Amado, a maioria dos bares abriu e alguns poucos concentraram uma maior quantidade de pessoas. Gabriele reuniu a namorada Ana Cristina, que veio de Cruz das Almas, e a amiga Tainá para comemorar o aniversário de 30 anos. A data coincidiu com a reabertura dos bares e restaurantes e elas aproveitaram para matar a saudade e colocar o papo em dia. “Cheguei para estrear o barzinho. A gente não consegue se encontrar com tanta frequência porque eu moro no interior e tem as questões de trabalho, então aproveitamos dessa vez que o aniversário caiu num dia de semana e os bares não estão cheios”, disse Ana Cristina. 

Movimento no Imbuí ficou concentrado em poucos bares (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Os amigos Lina, Cláudio e Carla também se reuniram para uma cervejinha. Eles estavam com máscaras, que foram retiradas somente na hora de comer e beber e com um frasco de álcool em gel em cima da mesa, além de máscaras reservas no bolso para serem trocadas. “Estamos só nós três e eu sei que todos estávamos de quarentena, sem frequentar os lugares e ainda moramos sozinhos. O bar está vazio, com distanciamento, todos os protocolos. E eu sou da área de saúde, sei das recomendações que a gente deve seguir. Vamos tomando os cuidados e saindo de forma excepcional”, disse Lina.

Reabertura com cautela
Com a reabertura, os protocolos de segurança já estabelecidos, como os relatados por Lina, Cláudio e Carla, voltam a ser exigidos. A prefeitura de Salvador publicou um informativo contendo todos os detalhes das regras necessárias. Entre elas, está a aferição de temperatura na entrada, disponibilização de álcool em gel, uso obrigatório da máscara, disposição de informativos sobre os protocolos e a não oferta de alimentos e bebidas em cortesia.

Além disso, as mesas devem ter limite de seis pessoas e distância mínima de 2m. Os restaurantes com serviço de buffet devem disponibilizar EPIs aos funcionários e os clientes devem permanecer a uma distância mínima de 1m em relação ao expositor em que estiverem dispostos os alimentos, com uso obrigatório de máscara. 

Algumas pessoas resolveram aproveitar a reabertura para tomar uam cervejinha (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Não agradou todo mundo
A decisão da retomada com restrições de dia, horário e venda de bebidas alcóolicas desanimou alguns donos de estabelecimentos, principalmente de bares. Na manhã desta quarta, uma carreata organizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seção Bahia (Abrasel-Ba) protestou por mais flexibilidade de funcionamento. 

A manifestação formou uma fila de carros no Centro Administrativo da Bahia (CAB) que, ao som de buzinas, chegaram até a frente da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Através das redes sociais, a Abrasel Bahia declarou: “Precisamos de condições para garantir a sobrevivência de mais de 280 mil famílias baianas que dependem diretamente de bares e restaurantes. Uma pesquisa realizada mostrou que 7 em cada 10 bares e restaurantes irão fechar se não tivermos condições verdadeiras de trabalho para mudar essa situação desesperadora”, dizia a publicação.

O presidente da Federação  de Hospitalidade e Turismo do Estado da Bahia (Fetur-Ba), Silvio Pessoa, apoiou o movimento. “Nós aceitamos fechar durante dois dias por semana (segunda e terça), mas sempre falamos que o fechamento das atividades cedo era inviável porque 80% do movimento de bares e restaurantes é à noite. Nossa categoria é distinta das demais, já que a grande maioria das pessoas trabalha em horário comercial, de 9h às 18h. Nós seguimos todos os protocolos, mas precisamos de mais flexibilização no horário”, explicou.

O gerente do bar Mais Amado, que fica no Rio Vermelho, Álcio Nicosia, concorda e acrescenta que a reabertura pode não trazer lucros e, até mesmo, causar prejuízos para os bares. “O movimento fica muito fraco durante o dia, no final de tarde é que começa a chegar algumas pessoas, mas tem que fechar às 19h. Com o toque de recolher e a restrição para final de semana, fica impraticável. É reabrir por reabrir, não vamos ganhar dinheiro. Quem não se organizar direito vai perder dinheiro, por isso que muitos optaram por permanecer fechados mesmo com a permissão de reabrir”, opinou Nicosia. 
 

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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