Descoberta de talentos: veja histórias de quem encontrou novas habilidades

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13.06.2020, 13:30:00
Atualizado: 15.06.2020, 18:13:16
Redival começou a plantar flores, como uma forma de sentir a presença da mãe e das filhas (Foto: Acervo pessoal)

Descoberta de talentos: veja histórias de quem encontrou novas habilidades

CORREIO destaca cinco dicas para estimular a criatividade neste período de isolamento social

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Plantar flores, construir um livro, descobrir uma habilidade manual ou até começar a vender alguma coisa. Sim, a pandemia tem despertado talentos que, as vezes, não se imaginava que existissem. O momento é mesmo de autoconhecimento para descobrir o que pode abrir novas perspectivas, diante de um isolamento social necessário, sobretudo, para os que estão acima dos 60 anos, como diz a especialista em desenvolvimento humano, Susanne Andrade.

“Estou vendo pessoas fazendo trabalhos manuais para desestressar nesse momento. Há também profissionais que estavam esgotados de sobrecarga de trabalho e repensam novas estratégias para carreira no pós-covid. A renovação ajuda a estimular a criatividade”, pontua.

Presente 
É viver cada experiência como se fosse a primeira vez, como acrescenta Susanne. “Quando fazemos isso, descobrimos novos talentos curtindo o presente. O exercício da gratidão nos ajuda a preencher espaços do nosso cérebro, a gerar conexões positivas e isso acaba trazendo felicidade. Se estou feliz, consigo enxergar e me conectar com os meus talentos e novas descobertas”.

Isso não quer dizer, no entanto, que tem sido fácil ficar em casa ou distante de quem se gosta. Mas dá para encontrar uma habilidade que ajude a transformar a quarentena em renovação também. Que talento ainda está escondido aí dentro? Esta é uma boa pergunta.


QUARENTENA FLORIDA

Presença Quando a pandemia passar, com certeza, a casa de Redival Cordeiro vai ter se transformado em um jardim. Depois de trabalhar em banco e lotérica, hoje ele fica em casa faxinando e fazendo comida.  Isso quando não está cuidando das flores que plantou desde o começo da pandemia. 

Até o fim da pandemia, a casa de Redival vai ter se transformado em um jardim
(Foto: Acervo pessoal)

“Minha mãe adora plantas e sem poder visitá-la e dar aquele abraço e beijo como fazia todos os dias, as flores e plantas se tornaram a presença da minha outra flor”, conta. Redival troca a terra, beija seu "xodó". Às vezes, ele até chora só de lembrar dos netos, das filhas e da mãe.

“Flores lembram vida e elas são a minha vida, isso fez com que eu cuidasse melhor das plantas. Tiro foto e mando para elas. A quarentena é um horror, mas preciso estar vivo para dar esse abraço, quando tudo passar”.

As flores acalmam. “Minha mãe tem uma floresta de plantas e eu sempre observava ela plantar nos meus bate-papos,  as flores nos fazem entrar em outro tempo. Eu não tinha, antes, todo esse afeto que tenho pelas flores. Elas se tornaram a presença das pessoas que amo nesse momento de isolamento”.


NOVA HISTÓRIA

Recomeço A professora Conceição Mesquita nunca tinha feito um curso online, porém, o isolamento social fez com que ela colocasse em prática um projeto antigo: o de construir um quiet book,  espécie de livro sensorial para crianças especiais.

Pela primeira vez, Conceição fez um curso online para construir um livro sensorial
(Foto: Acervo pessoal)

Conceição acabou contaminada pelocoronavírus e após vencer a quarentena, a vontade de concluir o projeto ficou ainda maior. “Eu nunca tinha tempo. Comecei a fazer as aulas e fiquei muito motivada”.

O livro foi um estímulo para que ela também começasse uma pós-graduação online em educação especial.

"A experiência de fazer o livro tem me feito pensar  muito no outro e nesse cuidado. Quando você estuda algo que te toca, te dá prazer, te incentiva, então a gente tem certeza que está fazendo a coisa correta". 


UM POUCO DE PACIÊNCIA

Habilidade Antes mesmo da pandemia, o publicitário Abadia Ribeiro tinha ido a uma loja onde vende materiais de  bijuteria para tentar consertar um botão.

Abadia começou a produzir pulseiras
(Foto: Acervo pessoal)

Viu ali uma variedade de coisas e acabou levando algumas para casa. Porém, a iniciativa de fazer as pulseiras surgiu durante o isolamento social.

“Nunca acreditei que tivesse alguma habilidade manual e paciência para essa atividade. É curioso como descobrimos  habilidades”. Na onda do "faça você mesmo", assistiu à alguns vídeos, foi lá e fez. Ao todo, Abadia já fez 30  pulseiras.

"Numa era onde quase tudo se faz via internet, manusear algo e transformar num objeto ou obra é bastante  gratificante". 

OUTRA VOCAÇÃO

Motivação Durante a quarentena, a psicopedagoga Racy Tanajura começou a estudar aromaterapia e óleos essenciais. Por conta de uma doença autoimune, ela costumava utilizá-los no tratamento.

Racy criou um perfil no Instagram para vender os óleos
(Foto: Acervo pessoal)

Os estudos a envolveram de tal maneira que Racy decidiu vendê-los. “Nunca havia vendido nada. Buscar novas aprendizagens foi importante para sentir que tenho projeto de vida e propósito que me ajudam a acreditar que superaremos a covid- 19”. Até perfil no Instagram ela criou, depois dos 10 primeiros frasquinhos.

"Nunca pensei em vender nada. Nunca tive essa experiência, mas estou gostando muito. De repente vi que tinha essa possibilidade de vender uma coisa que amo, que sou apaixonada".      


DICAS PARA ESTIMULAR A CRIATIVIDADE NA QUARENTENA

Desacelere A oportunidade de estar em casa nesse momento é uma chance de desacelerar e se auto observar, fortalecer o autoconhecimento, como destaca a especialista em desenvolvimento humano, Susanne Andrade. “Quanto mais a gente se conhece, mais a gente se conecta com os nossos talentos. Curtir nós mesmos e nossa companhia ajuda a ter muitos insights. Quando fazemos isso, descobrimos novos talentos, curtindo o momento presente”. 

Repense Carreira, prioridades, valores. Também faz parte do exercício rever esses aspectos: “É o momento de repensar e se conectar à vida. É entender o que realmente quero fazer”, afirma a especialista, que lembra também a importância de usar essas descobertas para cuidar da saúde mental, diante da pandemia. “Hoje, 60 anos pode representar uma fase de recomeço, com mais maturidade, liberdade e qualidade de vida”, completa. 

Faça conexões positivas Em um cenário de incertezas, pensar no futuro só vai trazer ansiedade. Por isso, Susanne Andrade recomenda focar no presente. “ Coloque a mão no seu coração e pare para ouvi-lo. Isso nos traz uma conexão muito forte com o amor. E o amor, eu diria que é o princípio para tudo, inclusive para a criatividade e também para trabalhar sua própria intuição”. 

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