Diabéticos têm pior evolução com covid-19

artigo
24.06.2021, 05:03:00
Atualizado: 24.06.2021, 12:36:44

Diabéticos têm pior evolução com covid-19


Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O paciente com diabetes não controlado é um paciente de risco e tende a evoluir pior caso contraia a covid-19, podendo desenvolver a forma mais grave da doença. O risco de pegar a doença é igual tanto para diabéticos quanto para a população em geral, porém, devido ao sistema imunológico do diabético sofrer alterações por causa do excesso de açúcar no sangue, ele tende a responder pior à doença. Esses pacientes têm mais chances de apresentar complicações pulmonares  e uma redução da resposta imune ao coronavírus e, se além do diabetes, houver obesidade e hipertensão, o quadro se agrava ainda mais.

Fatores de risco
A pandemia acelerou o ganho de peso e problemas nos processos metabólicos, causados pelo excesso de consumo de carboidratos e álcool e à pouca atividade física. Esses fatores de risco são muito importantes para a ocorrência da obesidade e do diabetes. O diabetes é uma doença que precisa de um acompanhamento multiprofissional com endocrinologista e nutricionista, além do psicólogo. O apoio familiar também é essencial, porque muitas vezes é preciso mudar a dieta e os hábitos de toda a família.
 
Sintomas
O diabetes é uma doença silenciosa, mas existem indicações importantes para realizar o rastreio, que é feito com a dosagem da glicemia em jejum e da hemoglobina glicada. Todas as pessoas acima de 45 anos e aquelas mais jovens, mas com fatores de risco, como histórico familiar de diabetes, obesidade, síndrome metabólica e circunferência abdominal elevada, devem fazer exames.
 
A maioria dos pacientes não apresenta sintomas, porém aquele que apresenta uma hiperglicemia mais importante pode ter perda de peso inexplicável, aumento da sede, boca seca, aumento do volume da urina, e aumento da fome. Por isso, quando muitos descobrem que são diabéticos, já apresentam complicações por causa da doença, como a retinopatia diabética, que afeta a visão; alterações neurológicas como a neuropatia diabética; nefropatia diabética. Pacientes que infartam ou apresentam doenças cardiovasculares também devem ser rastreados para diabetes.  

Tratamento
A doença precisa ser acompanhada de forma sistemática, pois o cenário clínico do paciente muda e é preciso adequar o tratamento. Além disso, com o passar do tempo, há uma tendência de ficar mais difícil de controlar a doença. O controle nos primeiros meses de tratamento é extremamente importante porque existe o conceito de memória metabólica, ou seja, se o paciente conseguir controlar bem os níveis de glicemia logo no início, isso vai trazer uma memória metabólica que ajuda a reduzir riscos a longo prazo.
  

 Ricardo Barretto Pithon é endocrinologista

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas
  • Assinaturas: 71 3480-9140
  • Anuncie: 71 3203-1812
  • Ache Aqui Classificados: 71 3480-9130
  • Redação: 71 3203-1048