Eduardo Athayde: Santa Casa da Bahia, inovando desde 1549

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31.05.2017, 06:25:00

Eduardo Athayde: Santa Casa da Bahia, inovando desde 1549


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A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria, ensinava São Tomás de Aquino, filósofo e sacerdote dominicano do século XIII. Seus ideais formaram os pilares das Santas Casas de Misericórdia. A portuguesa foi fundada em 1498, em Lisboa, com o mandato de visitar os enfermos e os presos, remir os cativos, vestir os nus, dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, abrigar os viajantes e enterrar os mortos.

Espalhada pela Europa, Ásia e África, às vezes sem instituições físicas, seus irmãos, como ainda são chamados os integrantes da instituição, iam ao encontro dos enfermos e inválidos, invocando os sentimentos de fraternidade e solidariedade. No Brasil, a primeira Santa Casa instalou-se em Santos, a segunda, em Olinda e a terceira em Salvador, em 1549.

Fundada pelo governador-geral Thomé de Souza, junto com a Cidade de São Salvador, a Santa Casa da Bahia representou um imenso impulso para a recém-nascida cidade como uma das instituições mais inovadoras na época, tendo em vista o alcance das suas ações espalhadas pelo mundo desde a mais antiga confraria, a Confratermitá di Santa Maria della Misericórdia, fundada em Florença, em 1244.

Ajudando a construir a história dos baianos, abrindo espaço para celebrações sociais, recepcionando os viajantes e suas novidades que chegavam movidas a energia eólica, única disponível à época para transportar as caravelas, recebia doações, treinava pessoas e acolhia os enfermos com as mais novas técnicas médicas vindas da Europa.

Hoje, mantida por irmãos e irmãs (600) que têm o compromisso comum de servir ao próximo, a irmandade da Santa Casa da Bahia [www.santacasaba.org.br], com cinco séculos de funcionamento ininterruptos, continua inovando em tecnologias, investindo na saúde, na capacitação profissional e na gestão, com apoio da Fundação Dom Cabral, provendo meios para garantir o equilíbrio dinâmico, também chamado de sustentabilidade.

O Hospital Santa Izabel - fundado em 1549 como Hospital da Caridade - mantém serviços médicos para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), pacientes particulares e conveniados a planos de saúde. Reconhecido como centro de alta complexidade cardíaca pelo Ministério da Saúde, recebeu “Excelência na Segurança” da Organização Nacional de Acreditação (ONA) e o “Selo Diamante”, da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista – SBHCI.

Os seus sete Centros de Educação Infantil (CEIs), filantrópicos, referências para instituições de ensino infantil, atendem crianças que recebem educação em regime integral, acompanhamento psicológico, atendimento odontológico e quatro refeições diárias, tudo gratuito, graças às doações recebidas - www.santacasaba.org.br/doacoes.

Na área cultural mantém o Museu da Misericórdia e o Centro de Memória Jorge Calmon, preservando acervo documental da memória do país. Cumprindo a missão de sepultar os mortos, o rendimento do Cemitério Campo Santo, gerido com novas técnicas estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conam), é aplicado em projetos sociais próprios.

Para essa inovadora instituição multicentenária “a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”, como afirmava Albert Einstein. Servindo através dos séculos em nome da misericórdia, o legado dos irmãos da Santa Casa da Bahia é passado de mãos em mãos, com humildade e sabedoria, imbuídos de compaixão e solidariedade.

* Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil. eduathayde@gmail.com

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