Em arte não existe um produto definitivo, os caminhos podem ser revisitados

colunistas
30.04.2018, 05:09:00
Atualizado: 30.04.2018, 05:36:38

Em arte não existe um produto definitivo, os caminhos podem ser revisitados


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Para que algo se transforme em peça de arte é preciso um longo percurso. Um estado de reflexão que seja capaz de comprometer consciência, buscando o mundo mítico e simbólico. A busca da obra de arte passa por percursos que vão se acumulando, desenvolvendo um “algo” em conceitos e sensações que vão moldando identidades. A organização de um acervo de ideações tem início, mas nunca um fim. O fim do “algo” termina na finitude, quando se encerra o processo dialético. O mundo objetivo não compreende uma verdade absoluta, mas sim esclarecimentos, momentos em que se apreendem fenômenos que transcorrem numa visão dualista do real, buscando a pacificação dos elementos da natureza.

No transitar de percepções a arte organiza o caos, movida pela necessidade interna de expressar sentimentos e fatos decorrentes de uma época. O sonho com ação são motores da realidade, no engenho da captura de estranhamentos das várias vertentes da realidade. Em arte não existe um produto definitivo, os caminhos podem ser revisitados em novas postulações.

Reproduzir a natureza não é matéria para um artista criador, mas transfigurá-la em possibilidades, que dão novos significados ao já visto. Reprocessar vivências, singularidades, são tarefas pertinentes ao ofício de quem busca na arte um sentido de existir. O artista vive das ocorrências entre pessoalidade e o pluralismo contemporâneo. A arte requer uma grande dedicação, não só conhecimento do metier. Hoje, muito mais seu poder de revelação, questionamentos e funções. Há sempre uma jornada angustiante a cumprir. Sem conflito não há arte de essência. O artista não é mais um manipulador de fórmulas, sim um pesquisador, buscando resultados.

A arte está, e o artista reúne e transforma elementos, que recorda um motivo.

O tempo é eterno. Cada criador tem seu espaço nessa eternidade, um punhado de anos transitando entre lógica e emoção, coisas distintas, que podem unir-se fluindo para um produto sensível. Nas somações de vivências, retalhos de memória se constroem essência, que é matéria para a arte. No mundo das ideias poucos se destacaram pela originalidade como: Marcel Duchamp, Pablo Picasso, Paul Cézanne, Francisco de Goya, Jackson Pollock, e alguns expressionistas como: Wassily Kandinsky, Erick Heckel (foto) e Otto Mueller, que mesmo em linguagem figurativa recriaram a leitura do mundo material. Outros tomaram por empréstimo esta “originalidade” e criaram por acréscimos um outro estado de alma que tem seus méritos, hoje desobrigados do novo, diferente do modernismo. Assim um percurso na arte é um fruto da vontade, tempo e ideações.


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