Em carta, Jairinho nega tortura e fala de relação com Henry

brasil
31.12.2021, 08:48:00
Jairinho está preso pelo crime (Brunno Dantas/TJ-RJ)

Em carta, Jairinho nega tortura e fala de relação com Henry

Ex-vereador diz que sempre teve bom relacionamento com enteado

O ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, escreveu uma carta em que fala sobre a acusação de torturar e matar o enteado Hery Borel, de 4 anos, no Rio de Janeiro. Jairinho está preso pela morte do garoto há quase nove meses, assim como a mãe de Henry, Monique Medeiros.

Na carta, escrita a mão e enviada ao Uol, Jairinho diz que é inocente e nega ter agredido Henry. Ele não explica como a morte do garoto aconteceu. "Se não houve lesão, não houve agressão, isso foi visto por todos", escreve em determinado momento. O laudo da perícia indica 23 lesões em Henry. O menino morreu por conta de uma hemorragia interna e laceração no fígado causada por ação contudente. Jairinho questiona a perícia.

No texto, Jairinho diz que vive uma "via crucis" no presídio Petrolino Werling de Oliveira. 

O ex-vereador diz que sempre teve uma boa convivência com Henry e que nunca houve nenhuma reclamação sobre agressões à criança. Ele diz que desde que Monique foi morar com ele, convivia com a criança pelo menos quatro dias da semana e que os avós do menino sempre estavam por perto.

"Todas essas pessoas foram categóricas em dizer que NUNCA viram nada de anormal com Henry, no comportamento em relação a mim, ao contrário, disseram que eu o tratava muito bem e ele nunca reclamou de mim!", escreve.

O Ministério Público do Rio acusou Jairinho de torturar Henry em outras ocasiões, com conhecimento e permissão de Monique, que manteria o relacionamento por "vantagem financeira".

Relato de babá
A babá Thayná de Oliveira Ferreira chegou a dizer que Henry era agredido por Jairinho e tinha medo do padrasto. Em uma ocasião, em fevereiro, ela teria ligado para contar o fato a Monique. Ao falar à Justiça, contudo, Thayná mudou a versão e disse que nunca viu nenhuma agressão.

Na carta, Jairinho fala do dia em que teria acontecido esse episódio. "O resumo da tortura é, eu chego mais cedo em casa, abro a porta, ele vem correndo e diz: 'Tio Jairinho, tio Jairinho?'. Vem correndo e me dá um beijo, pula no meu colo e me dá um beijo, vai no quarto comigo, fica menos de 10 minutos e vai para a rua novamente", escreveu. "Isso virou um episódio de tortura! Depois, o que a babá fala com a Monique, é coisa das duas".

Investigação policial
Jairinho diz que não há "qualquer indício" de que ele tenha feito algo com Henry.  

"O delegado não tinha motivo algum para desconfiar de mim. O que houve foi uma espetacularização da investigação criminal e criação de um enredo de condenação antecipada, incitando a ordem pública!", afirma.

Ele questiona os laudos que sustentam que o garoto foi agredido. Diz que o conteúdo deles é contraditório, afirmando que a última versão dos laudos até descreve Henry de maneira incorreta, afirmando que ele tinha olhos castanhos e que no dia da morte usava fraldas descartáveis, o que a família nega.

Dia da morte
Sobre o dia da morte, Jairinho escreve que nenhum vizinho ouviu nada que indicasse uma agressão, mesmo os apartamento sendo "colados um no outro".

Na versão dele, ele tomou remédios para dormir e foi acordado por Monique para socorrer Henry, o que fez imeditamente. 

Um vídeo mostra Jairinho aparentemente tentando reanimar Henry no elevador do prédio - a defesa do ex-vereador diz que isso contradiz a versão de que ele omitiu socorro ao garoto. A Polícia Civil diz que o vídeo passou por perícia e que descarta a versão de tentativa de socorro.

Jairinho também cita que Henry recebeu massagens cardíacas já no hospital, argumentando que ele não chegou morto à unidade médica. Já a médica Fabiana Barreto disse à Justiça que ele chegou sem vida, mas que as massagens foram feitas "pela comoção, por ser uma criança".

Ele alega que não houve no hospital suspeita de ser um crime e questiona novos laudos feitos sem exumação do corpo. "Em momento algum no hospital, senão teriam chamado a polícia ou conselho tutelar, as médicas viram qualquer sinal de violência. Tanto que foi dito em sede policial e em juízo. Nenhuma das três viu qualquer sinal de lesão, nem a assistente social, que era a função dela, viu nada!".

Jairinho foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação de stemunha. Monique vai responder por homicídio triplamente qualificado, na forma omissiva, tortura omissiva, falsidade ideológica e coação de testemunha.


 

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