Em menos de 15 dias, Salvador teve mais de 1.600 denúncias por poluição sonora

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14.02.2019, 05:00:00
Atualizado: 14.02.2019, 16:41:23
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Em menos de 15 dias, Salvador teve mais de 1.600 denúncias por poluição sonora

A busca pelo silêncio orbita em diversos bairros de Salvador. Nos 13 primeiros dias do ano, o disque denúncia da Semop, o Fala Salvador (156), tocou mais de 128 vezes por dia – foram 1.671 denúncias durante o período, calculou o órgão a pedido do CORREIO; duas nos Barris. A antiga presidente da Federação das Associações de Bairros de Salvador, em processo de transição, Ivonete Bispo costuma dizer, quando perguntada sobre barulho nos bairros: “O que falta nos bairros é a conversa”. Se sobra ruído, falta diálogo.

De 2016 a 2018, a Semop até verificou uma redução na quantidade de queixas: as 60,9 mil denúncias caíram para 41 mil. Ou seja, de 166 por dia foi para 112. Mas, qual é a realidade por trás das estatísticas?

Na região do Parque do Abaeté, em Itapuã, bairro mais barulhento de Salvador por dois anos seguidos, o barulho não dá trégua de sexta a domingo.

“Conversar não existe. Um 'tum, tum' que não para. A gente ainda fica doida”, repete Luciana de Santos, 38.

Também não existe pedir para abaixar o volume. “Na periferia é que é difícil. Chegue e diga: ‘vai acabar o som’. Duvido”, ironiza Ivonete.

Justamente devido aos riscos, os agentes da Semop são acompanhados pela polícia em ações de apreensão e fiscalização nos bairros. Acontece que a percepção sobre o significado da poluição sonora é quase inexistente, avalia Débora Barretto, especialista em acústica. “Mas, se o som é alto, você gasta energia para se proteger do ruído”, explica.

Do esforço, aparecem as consequências como hipertensão, estresse e alterações gástricas. Existe um limite legal para o volume do som estipulado pela Semop: das 22h às 7h, o máximo é de 60 decibéis. E a obrigação de adequar a prática à lei é exclusivamente do produtor do ruído, não o contrário. Ou seja, no caso do barulho emitido por um bar, cabe ao proprietário restringi-lo, e não ao cidadão isolar sua casa do barulho.

“Quem tem que investir no isolamento é o bar, a boate, que seja. Ouve quem quer ouvir. É um respeito e mesmo um dever, porque o silêncio é um direito”, complementa Débora. 

Caso não seja cumprido o dever, a multa, explica a Semop, varia de R$ 1 mil a R$ 173 mil, de acordo com a infração. Embargo e interdição também são possíveis. A pasta não respondeu quantas autuações foram realizadas em 2019 até o fechamento da matéria. No dia a dia, mesmo com cumprimento da legislação, o equilíbrio ainda não foi encontrado. Às vezes, é preciso dar o silêncio como resposta.

*Com supervisão da editora Mariana Rios


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