Em solidariedade à corneta

victor uchôa
27.01.2018, 05:00:00

Em solidariedade à corneta


Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A noite de quarta-feira mal havia se instalado quando, num desses tantos grupos de WhatsApp, um Baêa que foi morar em Brasília (calma, não precisa xingar o cara, ele não é político) perguntou aos amigos se a TV fechada iria transmitir a partida do tricolor. Foi o que bastou para se estabelecer o impasse que mesclava sistemas de captação e transmissão, bastidores do esporte e resenha lúdica.

Não acompanhei a celeuma em tempo real, só li tudo depois da resolução, mas pelo que entendi a TV fechada anunciou o jogo do Bahia, depois tirou da grade, alguém chamou de boicote, mas na verdade estava mantido na grade só que em outro canal, acontece que era só pra quem tinha HD full color, disseram que era sacanagem, mas aí acharam pra quem não tinha o HD e no final das contas, eu não sei quem conseguiu assistir ao jogo. Como você já deve ter notado, caro leitor ou bela leitora, eu não entendi patavinas da discussão.

O fato é que, neste grupo, pouco se falou durante a partida. Em outro, porém, a turma não perdoava a atuação do time, muito menos a opção de Guto Ferreira de, neste início de uma temporada que começou mal tendo pré, mandar a campo uma escalação repleta de jogadores vistos como titulares.

Como o jogo do Vitória em Conquista foi transmitido pela TV aberta, os rubro-negros – ao menos nos grupos dos quais faço parte - não tiveram que investir o tempo e os argumentos na discussão sobre grades, High Definition, contratos de direitos e afins.

A manifestação destes só se fez necessária mesmo quando o jogo começou no Sudeste baiano, com disparos mirando o baixo nível técnico do embate, a notável falta de terraplanagem do campo de jogo e, com ênfase, o desempenho de Kieza – desempenho, no caso, é modo de dizer.

Noves fora o placar final das duas partidas, que terminaram com triunfos de Bahia e Vitória, não dá mesmo pra esperar comentários e participações festivas neste período do ano.

Pra começo de conversa, o nível do Campeonato Baiano é sabidamente lamentável, o que já demanda a aplicação de bastante energia somente no ato de acompanhar as partidas, seja no estádio ou no sofá.

O esforço ganha ainda mais amplitude quando sabemos que as equipes mal tiveram tempo de preparação e alguns jogadores estão com menos fôlego que muito corredor das areias de Amaralina.

Some aos fatores acima um lance como o ocorrido na partida do Vitória, em que o próprio bandeirinha sinalizou um toque de mão, mas foi incapaz de perceber que o defensor estava uns 82 metros dentro da área. Qual a única conclusão possível? A de que não há nenhuma explicação racional para Bahia e Vitória estarem participando deste torneio com seus principais jogadores.

De um lado, Mancini afirma que seu plantel é curto, o que tornaria o rodízio inviável. Botar os jovens pra calejar agora não seria uma boa opção? No Bahia, a impressão é que Guto Ferreira ficou mesmo foi cabreiro depois de duas derrotas e partiu pra solução mais fácil.   

Pelo sim, pelo não, deixo aqui registrada toda a minha solidariedade a quem passa os dias resmungando nos grupos e nas redes sociais. A energia de vocês é admirável.

*Victor Uchôa é jornalista e escreve aos sábados

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas