Empresas com almas solidárias

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21.12.2019, 19:36:24
Atualizado: 21.12.2019, 20:14:00
Najara Black percebeu que ajudar era uma forma interessante de retribuir e tornar o mundo melhor (Marina Silva)

Empresas com almas solidárias

Apoiar ações sociais ajuda a impulsionar os negócios e fortalecer marcas de produtos e serviços

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Em 2013, a empresária Najara Black, da N’Black, percebeu que precisava fazer alguma coisa que possibilitasse tornar a vida das pessoas, clientes ou não, um tanto melhor. Na época, ela pegou lenços e tecidos e foi a clínicas e hospitais que tratavam mulheres com câncer ensinar a pacientes e  equipes de saúde a fazerem turbantes, que ajudassem essas mulheres a verem sua autoestima resgatada. Desde então, não parou mais.


Este ano, nas proximidades dos festejos natalinos, ela reuniu clientes no Parque da Cidade para um encontro que possibilitasse a confraternização dos amigos, clientes e parceiros, além de aproveitar a oportunidade para arrecadar alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos para as famílias refugiadas que vivem em Salvador e que são auxiliados pelo Projeto Centro de Serviço ao Migrante, que funciona na sede da Unifacs .  


“Pequenos gestos são capazes transformar vidas, bairros e comunidades. Os clientes se unem às ações e, particularmente, o retorno é algo que não tem preço”, diz Najara, afirmando que ações como essas possibilitam devolver o auxílio recebido ao longo da vida. “Passamos por situações bem complicadas ao longo da vida e sei o que é precisar. As doações atendem não apenas à necessidade física imediata, mas também oferecem afeto e o consolo necessário”, diz a empresária. 


Na verdade, a perspectiva de transformar realidades possibilitou que Najara transformasse não apenas o seu trabalho e sua rede de atuação em parceiros, como também passou a doar as sobras de tecido das suas produções para quem vive de artesanato. “Sempre podemos colaborar com algo e isso nos permite trabalhar para a construção de um mundo melhor”, defende.


 Marketing Social 
Para a especialista em gestão de pequenas empresas, a administradora Flávia Paixão, ao contrário do marketing comercial, que busca  mostrar as vantagens de um serviço ou produto, o marketing social se caracteriza por despertar consciências, alterando atitudes e comportamentos para questões de uma comunidade. 


“Os consumidores estão cada vez mais conscientes. O comportamento de uma marca pode ser fator decisivo de compra para este tipo de público”, esclarece Flávia, reforçando que a humanização das  empresas gera  relacionamento com o público que, por sua vez,  se identifica  com ações realizadas por elas.  “Ações sociais, geralmente, estão conectadas com o propósito da empresa.  Na era digital, é possível ter acesso de forma mais transparente aos bastidores dos negócios e algumas empresas têm a sua imagem prejudicada quando não mantêm uma conduta condizente com o que transmite. Outras são fortalecidas, pois mostram que acreditam naquilo que comunicam”, completa.


Para Flávia, as ações sociais, do ponto de vista do marketing, fortalecem a marca, gera relacionamento e comunica o propósito da empresa. “Não adianta fazer uma ação pontual e no dia-a-dia não falar sobre o assunto porque os clientes percebem isso como um engodo e dizem: É só marketing!”, destaca Flávia, rememorando um caso recente de uma instituição financeira que abordava o respeito à diversidade na publicidade institucional, mas não implantou uma cultura interna de respeito. 
“A repercussão foi negativa, pois o público concluiu que era apenas marketing”, esclarece.
 

Flávia Paixão salienta a importância dessas ações sociais para uma empresa e reforça como elas são importantes para conquistar o público alvo (foto: Divulgação)

Natal especial 
Em 2019, a marca de cosméticos Óleos da Mi pegou  a possibilidade de abraçar uma causa e envolver seus clientes no processo através da Campanha Natal Solidário. 


Para cada doação de um quilo de alimento não perecível, o doador ganha um frasco de 10 ml do Óleo de Pracaxi. Todos os produtos arrecadados serão entregues para a Casa de Apoio Bom Jesus da Lapa, em Brotas, que acolhe idosos e pessoas que vem a Salvador em busca de atendimento hospitalar. 


“Além de alimentos, a Casa necessita de produtos de limpeza e higiene pessoal. Até o momento, já contabilizamos 50 kg de alimentos. Nossa proposta é também sensibilizar outros empresários a participarem de iniciativas com esse viés social”, completa a empresária Camila Reis. 

Camila Reis comemora os resultados da Campanhas do Óleos da Mi e já planeja novas ações para além do Nata (Foto: Divulgação)


No dia 02 de dezembro, o departamento de Jornalismo da Rede Bahia iniciou, pelo segundo ano consecutivo, a campanha Natal do Bem. De acordo com a gerente de jornalismo Ana Raquel, a proposta era garantir um Natal mais feliz para quem necessita de modo a envolver a comunidade na parceria. “Em 15 dias, conseguimos arrecadar 2 mil e seis presentes, vindos de todos os lugares da cidade, de pessoas comuns e até mesmo da sociedade civil organizada”, esclarece, lembrando que ao longo da campanha, foram realizadas diversas ações com os apresentadores que foram receber pessoalmente as entregas. “Foi uma proposta muito bonita que também foi realizada no interior do Estado”, completa.


Flávia Paixão defende que para realizar ações sociais numa proposta de marketing social é fundamental que essas iniciativas estejam alinhadas com o propósito do negócio, a razão de existir de uma empresa. “Para ter uma repercussão positiva, a empresa precisa fortalecer a sua cultura empresarial”, diz.


Força da marca e da sociedade

Parceiros  Se o empresário deseja fazer algo em prol da sociedade, vale buscar conhecer parceiros que possam fortalecer a ação, sejam eles clientes, colaboradores, fornecedores ou outras iniciativas que já realizam esse tipo de iniciativa
Propósito  Antes de ajudar, verifique se a ação possui vínculo e identificação com sua marca, serviço ou produto. Não adianta investir em açã social se não há uma cultura empresarial coerente por trás.
Pessoas distintas Avalie o retorno que as ações trarão para a empresa, mesmo que não seja um retorno financeiro. Se não for possível identificar, vale separar o auxílio da pessoa física e da pessoa jurídica

Conexões  Ações conectadas ao propósito da empresa fortalecem a relação com o consumidor, fortalecendo a marca e as relações. Invista nessas iniciativas!


Quando a união é capaz de fazer a diferença para todos


O fortalecimento de uma marca por meio de ações sociais ou a implantação de um marketing social num negócio não precisam ser encarado como algo com intenções duvidosas. Flávia Paixão lembra que os negócios de impacto ou os negócios sociais têm como meta principal atuar no sentido de promover soluções para questões que envolvam a coletividade. “Apesar da  discussão se estes tipos de negócios podem ou não ter fins lucrativos, vale salientar que eles desempenham um papel importante e são fundamentais para atuar onde o Estado não alcança e onde a sociedade civil organizada não consegue dar respostas e isso colabora com toda a sociedade”, afirma.  
A administradora faz questão de salientar que, se essas ações são realizadas por uma empresa, é fundamental observar qual o retorno que o negócio terá. “Esse retorno não precisa ser necessariamente financeiro. Pode ser de divulgação, fortalecimento da marca; por exemplo. Caso o empreendedor acredite que é desnecessário pensar nisso, é melhor fazer como pessoa física”, esclarece, reforçando que não há nada de errado nesse tipo de ação. 
Para aqueles que possuem o desejo de ajudar, mas não sabem onde começar, a  dica de Flávia é que esses empresários comecem buscando parceiros. “Mesmo que sejam outras empresas que já realizam algum tipo de trabalho social”. A administradora salienta que esse apoio possibilita que ambos unam forças e potencializem suas iniciativas. Ela destaca ainda que as parcerias auxiliam, sobretudo, aos pequenos empreendedores que acumulam muitas tarefas e  não sabem por onde começar. “Buscar ajuda é bom para que a ação aconteça".

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