Empresas começam a ver o erro como parte do crescimento para organização e profissionais

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14.10.2019, 06:00:00
Atualizado: 14.10.2019, 06:31:58
O empresário usou o erro do passado para reerguer sua empresa e para o aprendizado pessoal (Arquivo Pessoal)

Empresas começam a ver o erro como parte do crescimento para organização e profissionais

Organizações ainda têm movimento tímido, mas mudam de postura

Quem não dispensa a Disney como alternativa de passeio e lazer não imagina que antes de construir um império e se transformar em referência por gerações, o criador de personagens como Mickey Mouse e o Pato Donald faliu uma empresa: a Laugh-O-grams. Na verdade, Walt Disney não conseguia manter emprego algum em companhias cinematográficas ou agências de publicidade por não possuir habilidades em gestão similares ao talento artístico. 

Ele chegou até mesmo a acumular uma dívida de 15 mil dólares e conseguir a façanha de reunir 43 credores ao mesmo tempo. Os erros, no entanto, mostraram a Walt Disney como se reerguer e acumular uma fortuna de 1,1 bilhão de dólares.

De acordo com a sócia-diretora da Véli Soluções em RH Margot Azevedo, o erro é uma etapa essencial para chegar à inovação e à superação. A especialista em recursos humanos salienta que, no mercado atual, onde as empresas estão deixando a gestão ‘comando-controle’ e passando a adotar uma orientação baseada na inovação e numa gestão mais horizontal, o erro é visto como parte de um processo de aprimoramento do profissional e da própria organização.

Ela ressalta que embora a cultura de punir o erro ainda seja muito comum, as organizações mais focadas em práticas contemporâneas de gestão compreendem o erro de uma outra forma. “A perspectiva é que o erro seja cometido e que a superação ocorra de modo rápido para que o aprendizado também chegue de modo mais ágil”, afirma,  destacando o fato de que o erro passa então a ser visto como ferramenta de aprimoramento. 

O psicoterapeuta e escritor Victoriano Garrido fala que só erra quem tenta, por isso mesmo, o erro é parte integrante da realização e da inovação. 

“Mais que uma mudança na cultura das empresas, é preciso que o profissional compreenda que o autoperdão é muito importante para que a superação venha e essa capacidade de ser indulgente consigo mesmo promova o amadurecimento, ampliando a inteligência emocional”, argumenta. 

Aprendizado
Garrido faz questão de chamar  a atenção para o fato de que a sociedade contemporânea valoriza muito um conceito de sucesso enquanto o fracasso é desconsiderado como etapa fundamental de preparação para a superação e o aprendizado. “Vivemos numa era de culto ao belo e não se fala do fracasso ou das tristezas, esquecendo que cresce mais aquele que mais fracassa. É preciso rever a relação com esse professor que nos prepara para as grandes vitórias”, pontua.

O psicoterapeuta destaca  que as frustrações advindas do erro possibilitam o exercício da resiliência. “Um profissional capaz de superar a frustração e o estresse está mais preparado para lidar com pressões, agindo diante da necessidade com muito mais assertividade”, diz.

Para ele, pessoas que são muito protegidas dificilmente conseguem responder bem à frustração gerada pelos erros, daí a necessidade de que haja uma educação com a qual se limite o excesso de proteção, acredita.

Para a especialista em recursos humanos Margot Azevedo, para que de fato haja a superação do erro, é importante que o profissional reconheça sua falha e busque integrar os esforços de solução. “É fundamental que essa pessoa não camufle e tão pouco busque responsabilizar terceiros. Em seguida, é preciso comunicar a situação a quem pode minimizar as consequências”, diz Margot, ressaltando o compromisso em não repetir o erro, pois nessas situações não é de praxe que haja tolerância.
 

Leia o relato de Josival Moreira
Fênix
 Mantive uma empresa que atuava na  fabricação de embalagens. Tínhamos clientes de portes variados e faturávamos bem. Em um determinado momento, achei que seria interessante ter, no nosso portfólio, grandes nomes e essa vaidade empresarial me custou bem caro. Isso porque esses clientes pressionam muito e terminam virando donos do negócio. Próximo do período da Páscoa, deixamos de atender nossos pequenos clientes que traziam rentabilidade certa para atender o pedido de uma grande multinacional alimentícia, que mobilizou 62% da nossa capacidade produtiva. Na época da entrega, o cliente devolveu toda a nossa produção porque a cor da embalagem apresentava uma diferença de tom imperceptível a olho nu. Arcamos com todo os custos, inclusive o da incineração dessa embalagem que não servia para nada. Quando entendi que aqueles grandes clientes comprometiam muito nossa capacidade de produção, eram muito exigentes, fato que provocava  investimentos  pesados em equipamentos e profissionais, vi que já não tinha mais capacidade de recuperação. Quebramos. Esse erro me fez compreender muito do universo dos negócios e da vida, pois, muitas vezes, cegamos para o entusiasmo da novidade e deixamos de atentar para parâmetros que, embora sejam mais modestos, são mais rentáveis e seguros. Hoje, mudamos de ramo e oferecemos serviços, especialmente na área de cartões como  vale refeição, combustível, alimentação... mas a lição do passado ficou para sempre na minha história. Entreguei a gestão da empresa para a família e investi numa proposta de autoconhecimento. Estou preparando o lançamento de um livro.

Ferramenta de acerto

Reconhecimento Quando o erro for inevitável, reconheça a responsabilidade com o equívoco. Não repasse
 responsabilidade para terceiros ou fique procurando atribuir culpas a outras pessoas envolvidas no processo

Comunicação  Um erro não deve ser escondido ou camuflado. Busque comunicar o ocorrido, com atenção especial para aqueles que ajudarão a encontrar uma solução ou minimizar os danos advindos desse erro

Superação  Não adianta chorar sobre o leite derramado. Então, respire fundo, faça uma autoanálise e busque fazer parte das soluções


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