Enem: tecnologia para turbinar Ciências

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22.08.2018, 04:00:00
Atualizado: 22.08.2018, 10:04:09

Enem: tecnologia para turbinar Ciências

Videoaulas e apps ajudam nos conteúdos de Física, Química e Biologia

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A estudante Aline Santana, 20 anos, não imagina a vida sem o celular. É a primeira coisa que ela olha quando acorda, às 6h30, para ir trabalhar. É onde ela checa o horário do ônibus, se atualiza sobre as últimas resenhas dos grupos de WhatsApp e lê as notícias. No caminho para o serviço, manda mensagens para os amigos, ri de alguns memes e paga as contas pelo internet bank.

O que a menina que sonha em se tornar psicóloga ainda pode fazer é usar o aparelho como aliado na hora dos estudos. Em menos de três meses serão aplicadas as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e a orientação de professores ouvidos pelo CORREIO é que os estudantes assistam a videoaulas e usem aplicativos para ajudar no aprendizado, incluindo as disciplinas de Ciências da Natureza. Mestres de Química, Física e Biologia têm utilizado a tecnologia também em sala de aula.

Há 15 anos o professor Carlos Duplat leciona Química para estudantes do ensino médio, mas tem percebido mudanças nos últimos anos.

“A utilização de alguns recursos, como videoaulas e aplicativos, consegue atrair a atenção dos estudantes e facilita o processo de aprendizado. Desde que comecei a empregar essas ferramentas percebi que eles estão mais interessados e o retorno tem sido bastante positivo”, afirmou.

A prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias será aplicada no dia 11 de novembro, segundo dia do Enem. Segundo o professor, a internet é importante por ajudar o estudante a exercitar os conteúdos uma vez que decorar tabela periódica não basta.

“Memorizar fórmula e decorar tabela é ultrapassado. Os alunos precisam identificar os assuntos que mais caem e saber relacioná-los. A prova exige interpretação”, afirmou Duplat.

E é justamente aí que está o 'xis da questão'. O professor Vivas, de Física, também leciona para estudantes do ensino médio e disse que os erros mais comuns dos candidatos é fruto da falta de capacidade para entender o que está sendo pedido.

“A interpretação do texto e dos gráficos é muito importante para identificar quais conteúdos são necessários para responder a questão. Decorar fórmula é bom, mas não é o suficiente. A compreensão é o mais importante e esse arcabouço é construído com leituras, aulas e exercícios”, disse.

Ele citou o aplicativo Física Básica e os sites de experimentos Phet e Phun, como ferramentas para auxiliar os estudantes. “Uso eles em sala de aula porque ajuda o aluno a visualizar as ações, fazer experimentos e alterações. É um laboratório online. E pensar que quando eu estava na faculdade não existia nada disso”, brincou.

Para o professor de Biologia Ricardo Faria, conhecido como Ricardinho, a utilização da tecnologia facilita muito a vida do estudante, porque ele pode ter acesso a simulados digitais, responder perguntas de diferentes temas e ter a resolução imediata e comentada. Além disso, tem acesso a livros digitais e videoaulas.

Confira aqui 7º simulado da série Revisão Enem, do CORREIO

Ricardinho usa da tecnologia nas aulas de Biologia (Foto: Divulgação)

“Na matéria de Biologia falamos de célula, micro-organismo e nano organismo, como vírus, e a gente, através da tecnologia, tem a oportunidade d,e mostrar para o aluno algo que antigamente ele só imaginava. Quando estou dando aula de sistema respiratório, por exemplo, posso passar o recorte de um vídeo de uma cirurgia cardíaca, mostrando para o aluno como funciona”, disse.

Ele contou que a aula de Biologia é uma das que mais utiliza dos recursos audiovisuais e alertou os estudantes a redobrar a atenção na hora de escolher as fontes de pesquisa. Ricardinho afirmou que uma boa apresentação associada com recorte de vídeos engradece e não deixa a aula monótona, mas destacou a importância do professor.

“É muito importante ressaltar que o uso dessas tecnologias não substitui o contato direto do professor com o aluno, porque presencialmente o tempo é maior, o atendimento é personalizado e aprofundado, mas é inegável os ganhos que o aluno tem com a tecnologia”, concluiu.

Mas para ter resultados os estudantes precisam sair da inércia. Se o celular for usado apenas para falar com o crush e rir de vídeos engraçados, não terá formula de bhaskara que dê jeito. Para além da relatividade, o estudo precisa ser uma constante.

Confira os temas que mais caem na prova de Ciências da Natureza

FÍSICA QUÍMICA BIOLOGIA

Fenômenos ondulatórios

Ligação intermolecular

Ecologia

Estudo dos movimentos, cinemática e movimento retilíneo

Química orgânica

Evolução,

Leis de Newton aplicação

Estequiometria

Biologia celular

Calorimetria e termodinâmica

Termoquímica 

Programa de saúde

Eletricidade básica e circuitos elétricos 

Eletroquímica 

Biotecnologia

Vídeos de educação
Segundo o gerente de comunicação do YouTube no Brasil, Cauã Taborda, o número de acessos aos vídeos de educação superou o de bichos, como o de gatinhos, líder em visualizações em outros países. A procura fez a empresa criar uma nova plataforma em parceria com a Fundação Lemann, o YouTube Educação, que reúne 100 canais nessa área.

“A internet é uma ferramenta sem igual para a educação. A web nasceu com o objetivo de compartilhar conhecimento, levar informação para todos através de entretenimento e educação. A audiência desses vídeos no Brasil demonstra que essa área é fundamental para os brasileiros e o YouTube entende que compartilhar conhecimento é o que faz uma sociedade evoluir”, afirmou, durante evento da Google na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Gerente do YouTube no Brasil, Cauã Taborda, destacou o YouTube Edu (Foto: Evandro Veiga/ CORREIO)

Na prática, o estudante tem acesso a videoaulas feita por professores profissionais e certificadas pelo Ministério da Educação (MEC) sobre os mais variados assuntos e de graça. “As videoaulas vão desde os temas tradicionais, como Matemática e Biologia, até gente que se especializou e virou mecânico assistindo vídeos no YouTube. O fato é que existe uma demanda por esse tipo de conteúdo e, felizmente, tem uma plataforma oferecendo esse conhecimento de graça”, afirmou Cauã.

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