Entrevista: Paulo Sergio Niemeyer é bisneto de Oscar Niemeyer e trabalha com urbanismo e design

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06.08.2015, 06:29:00

Entrevista: Paulo Sergio Niemeyer é bisneto de Oscar Niemeyer e trabalha com urbanismo e design

Bisneto de Oscar Niemeyer, Paulo Sergio Niemeyer, 45, trabalhou com a lenda por mais de 20 anos no escritório e no instituto de políticas urbanas e culturais que leva o nome do maior arquiteto do país. Foi também o único brasileiro autor de um doodle do Google em homenagem ao bisavô. Segunda-feira, lançou sua releitura da cadeIra Chaise Rio, na 20ª edição da Abimad - Feira Brasileira de Móveis e Acessórios de Alta Decoração, em São Paulo. Na oportunidade, conversou com o CORREIO. Confira.


Paulo Sergio, com o bisavô Oscar Niemeyer (Fotos/Divulgação)

O que mais te encanta em seu trabalho?

Sou arquiteto, eu crio. Tenho mania de criar e me meter em tudo que possa ter criação. Design é uma coisa fascinante. A resposta a algo que você cria e bota numa loja é rápida. É um prazer um pouco mais  rápido do que o proporcionado pela arquitetura. Uma obra é mais demorada, às vezes o cliente é mais arquiteto do que você... Então ainda tem esses atritos...

Urbanismo, arquitetura e design de produto têm tempos diferentes. Sou fascinado por urbanismo. Além dos 20 anos que trabalhei com Oscar, minha mãe é arquiteta, meu pai e meu avô também... Sempre estive em ambiente de escritórios de arquitetura.

Isso influenciou seu olhar?

É fascinante, foi o que me cativou. Acho também muito marcante a visão que a gente adquire com essa profissão. Muita coisa muda, você passa a ver de uma forma diferente, de uma outra perspectiva.


O doodle em homenagem ao bisavô Oscar, no Google: único brasileiro

Como você se distancia desse universo?

Não consigo. Quando viajo, por exemplo, o que me motiva é isso. É conhecer culturas e ver as formas como aqueles ambientes foram construídos. Hoje eu estava passeando no centro de São Paulo, para encontrar um amigo, e me vi fascinado pela arquitetura. Ela tá decadente, porque não tá sendo bem cuidada, mas tem uma riqueza de detalhes primorosa. Se algum político com bom senso ou visão reformasse aquela área teria algo de qualidade, digno de qualquer lugar do mundo. Como viajamos para ver em Portugal ou na França.

Como vê o futuro?

A chaise e o instituto simbolizam muito o que eu quero fazer no futuro. Desde que meu avô o criou, achávamos que tinha muita coisa para se fazer. Gosto muito da cultura de rua. Para entender a rua, a cidade, o edifício, tem que entender a cultura, a gastronomia, as artes. Urbanismo é cultura e uma cidade se desenvolve através de urbanismo.

Não dá para ter um café, um ponto turístico, sem uma qualidade mínima de urbanismo e estrutura. Se não há prazer de ir a um lugar não dá pra vender café nem nada. Quem viaja a Paris para ver a Torre Eiffel fica muito no entorno, no Largo da Concórdia, no Arco do Triunfo, Champs Elisées... As pessoas acabam mal conhecendo o resto, porque isso é o que chama.

Soube da revitalização da Rua Chile, em Salvador?

Isso faz com que outras coisas melhorem. Tô para ir a Salvador, desenvolver um trabalho. Tem um amigo que quer fazer algo com construção, arquitetura e urbanismo. Tá sendo conversado e estamos torcendo para dar certo. Amo a Bahia, tudo é lindo.


O designer com a Chaise Rio: lançamento na 20ª edição da Abimad

Como criou a cadeira?

Me inspirei no Pão de Açúcar, na simplicidade e na sinuosidade dos traços. Ela mexe um pouco com a questão de leveza, pois tem só dois apoios. Ela tá em balanço, vence um vão. Queria que a pessoa pudesse se sentir comprando uma cadeira e levando um pedacinho do Rio para casa. Ela não é só mobiliário, é uma escultura também.

Que conselho dá a novos criadores?

Acho que o mais legal é sair do lugar comum sem medo de se achar cafona ou brega. É querer fazer, é ter sua identidade. Quanto mais liberdade houver, mais criação vai existir. É preciso extrapolar na criação, senão só se faz a mesma cadeira, mudando apenas encosto ou revestimento.


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