Exagerada, série inspirada em tuítes não consegue envolver

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13.12.2019, 16:26:00

Exagerada, série inspirada em tuítes não consegue envolver


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(Foto: Divulgação)

O programador Eduardo 'Hanzo' Moreira usou sua conta no Twitter em 2017 para contar uma história que acabou repercutindo muito dentro da própria rede, como acontece diariamente. Seguiu-se a também rotineira discussão sobre se era fic (fanfic, usada livremente para dizer invenção) ou real, todo mundo compartilhou ou palpitou e depois o assunto morreu.

Ou não. A novelista Glória Perez, usuária da rede social, viu a história, gostou e sugeriu que fosse feita uma adaptação para TV. Coube a Miguel Falabella a missão de fazer a primeira minissérie brasileira baseada em uma thread de Twitter.

A famosa thread, ou fio, reúne várias postagens encadeadas e geralmente é usada para fazer uma argumentação mais longa, elencar curiosidades ou contar uma história mesmo.

A de Eduardo conta a história de rivalidade entre duas mulheres, que se estendeu ao longo dos anos.

Os 56 tuítes viraram os seis episódios de "Eu, a Vó e o Boi", que foram disponibilizados na Globoplay. Mas o que era um "fio" de Twitter curioso e que entretinha por alguns minutinhos acabou virando uma série sem graça e exagerada.

Arlete Salles vive Turandot e Vera Holtz é Yolanda, a Boi. Elas são avós de Roblou (Daniel Rangel) e nutrem um ódio pesado uma contra a outra. Vamos descobrindo o motivo ao longo da história, mas não é muito interessante.

Para a versão na TV, Falabella adicionou personagens. Seu Rocha (Alessandra Maestrini), policial lésbica que sonha em cantar ópera; Mona, mãe de Roublou (Danielle Winits numa interpretação não muito inspirada); Roublou ganha uma vida amorosa que caminha num modo vapt-vupt. A lista de coadjuvantes bizarros com nomes tirados de astros de Hollywood é grande e até normal para um trabalho de Falabella. A série é superlativa, como ele gosta e nem sempre é ruim, mas parece que aqui perdeu a mão.

Talvez os seis episódios tenham sido curtos e não deixaram a história respirar, com relações correndo, reviravoltas a todo momento, sem que a gente sequer tenha tempo de se importar direito com o que está acontecendo. Paradoxalmente, a história central parece ao mesmo tempo não sustentar uma produção do tipo.

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