Exclusivo: César fala pela primeira vez como jogador do Vitória

e.c. vitória
05.05.2020, 05:00:00
Atualizado: 06.05.2020, 09:04:21
César fez apenas dois treinamentos na Toca do Leão antes da suspensão das atividades por causa da pandemia de coronavírus (Letícia Martins / Divulgação / EC Vitória)

Exclusivo: César fala pela primeira vez como jogador do Vitória

Contratado cinco dias antes da suspensão das atividades, goleiro concedeu entrevista ao CORREIO

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César ainda não entrou em campo nesta temporada e planejava encerrar o jejum pouco depois de assinar com o Vitória. "Por conta do histórico de que os goleiros estavam lesionados, eu achei que poderia ter uma oportunidade mais rápido do que na equipe do Coritiba, então eu não hesitei, aceitei a proposta e vim com o intuito de dar o meu melhor para ajudar o Vitória”, revelou o goleiro, em entrevista exclusiva ao CORREIO. A pandemia de coronavírus segue o mantendo longe das quatro linhas. 

Contratado por causa das lesões de Martín Rodríguez e Ronaldo, César foi anunciado oficialmente pelo Vitória em 12 de março. No entanto, cinco dias depois as atividades na Toca do Leão foram suspensas para evitar a propagação da covid-19. Só deu tempo de fazer exames médicos e duas atividades na companhia do prata da casa Lucas Arcanjo, titular nos dois últimos jogos disputados pelo Vitória antes da paralisação dos campeonatos.  

A passagem de César pelo centro de treinamento rubro-negro foi tão rápida que não houve tempo para a tradicional apresentação à imprensa. Essa é a primeira vez que ele fala como jogador do Vitória. “Foi uma situação muito inusitada. Eu nunca vi algo igual. Só que a gente tem que aceitar. É algo que está acontecendo com o mundo todo e temos que respeitar pelo bem da humanidade”, afirmou o jogador de 25 anos, que está na cidade natal de Uberaba, em Minas Gerais, desde 18 de março. 

César passou os dois primeiros meses do ano no Coritiba, que tem Alex Muralha como titular e Wilson como reserva. Sem estrear, acertou a rescisão com o Coxa. “Foi uma passagem bem rápida, mas eu sempre tento extrair o lado positivo de todas as coisas. Lá é um clube muito bom, de uma camisa bem grande também. Fiz muitos amigos, me adaptei bem, estava feliz. Mesmo não tendo oportunidade de jogar até então, estava muito contente, trabalhando duro e esperando a oportunidade", contou.

"Só que, quando apareceu a oportunidade do Vitória, que na minha opinião é um clube gigante também, eu não pensei duas vezes".

Os conselhos de Wilson tiveram peso na tomada de decisão. O companheiro de posição no Coritiba jogou no Vitóra de 2013 a 2015 e deu boas referências do clube baiano. “Wilson é um grande amigo meu, dentro e fora de campo. Quando eu recebi a proposta, conversei com ele por saber também que ele já havia passado pelo clube e ele me falou de coisas muito boas. Acho que isso influenciou um pouco na minha decisão. Ele me deu uma certa tranquilidade, me falou que o clube é muito bom e aumentou ainda mais minha vontade de ir para o Vitória”, contou o jogador, que ficará na Toca do Leão por empréstimo até o final desta temporada.

César foi revelado pelo Londrina, clube com o qual tem vínculo até dezembro de 2021 e por onde se destacou em 2017, quando foi titular em 36 partidas da Série B do Brasileiro e campeão da Primeira Liga. Em 2018, ele foi emprestado ao Estoril Praia, de Portugal, mas fez apenas 15 jogos com a camisa do time europeu.

“Fiquei por lá um ano e dois meses. Não joguei o tanto que queria e também nós não concluímos o nosso objetivo, que era a subida para a primeira divisão. Eu lesionei o dedo, perdi a titularidade e, quando voltei, houve uma troca de treinador e, por uma questão técnica, de preferência, ele optou por outro goleiro. Terminei a temporada no banco de reservas”, disse. "Foi uma experiência muito boa. Não me arrependo de nada. Gostei muito. Pretendo um dia, se tiver oportunidade, retornar. Mas eu acho que, em termos de visibilidade, e como eu estou começando a minha carreira, acho que o futebol brasileiro é mais visível do que o português. Acho que foi isso que determinou a minha volta”.

César retornou ao Brasil no ano passado e amargou o rebaixamento com o Londrina após defender o clube em 17 jogos da Série B do Campeonato Brasileiro. Um deles foi contra o próprio Vitória. Ele passou em branco na 30ª rodada, quando a equipe paranaense venceu o duelo por 1x0, no Barradão. “Naquela ocasião, os dois times estavam precisando da vitória para poder dar uma escapada da zona do rebaixamento. Foi uma experiência bacana, porque conseguimos o nosso objetivo, mas jogar no Barradão, contra o Vitória, é muito difícil”. Apesar da derrota, o Vitória reagiu, escapou da queda e terminou a competição em 12º lugar.

À ESPERA

Esse ano, César quer ajudar a levar o Vitória à Série A do Brasileirão. Ele aguarda uma sinalização do clube para retornar a Salvador. À distância, o goleiro está buscando pela internet um local para morar na capital baiana quando as atividades na Toca do Leão recomeçarem. “Acabei não conseguindo olhar um apartamento sequer. Preciso fazer isso com urgência, para quando chegar em Salvador já ter moradia fixa", pontuou.

"Profissionalmente falando, já estou ansioso para voltar aos treinos, estar com o grupo, mas temos que tomar o devido cuidado. Essa pandemia é algo muito sério, que está afetando a vida de todo mundo".

César se exercita na casa onde mora em Uberaba, no interior de Minas Gerais, durante a pandemia de coronavírus (Foto: Arquivo pessoal)

Enquanto não é convocado, ele disfruta da companhia da mãe, Ana Lúcia, 54 anos, e do irmão, Bruno, 20. Eu gosto de viajar, acampar, fazer trilhas, mas no momento eu assisto a muitos filmes com a minha família, a gente passa muito tempo juntos conversando e ouvindo música”. Fã de sertanejo, ele tem curtido as muitas lives que os artistas desse segmento musical estão fazendo durante a pandemia. “Gustavo Lima, Jorge & Matheus, Marília Mendonça”, enumerou. Também fica conectado para matar a saudade da filha, que mora em Curitiba. Júlia completou três anos na última sexta-feira (1º) e o parabéns foi através do celular.

A rotina também inclui treinos diários para manter a forma. “Uso alguns aplicativos de treino. Costumo fazer corrida sozinho. Faço também uma manutenção de reforço muscular com os pesos que eu tenho aqui, com algumas adaptações. A gente se vira como pode. Não tem como sair e burlar as leis, então a gente vai tentando adaptar da melhor maneira possível”.

A ideia é se manter com um bom preparo físico. Como os treinamentos e os campeonatos ainda não têm data para serem retomados, César não sabe se encontrará o gol do Vitória com mesmo contexto de quando foi contratado. Em março, a disputa pela posição seria apenas com Lucas Arcanjo, mas, até que a bola volte a rolar, o departamento rubro-negro pode ter disponibilizado mais concorrentes. 

“Já parei pra pensar sobre isso. Analisei bastante. Só que é uma disputa sadia, que quem tem a ganhar é só a equipe do Vitória, porque todos os goleiros, menos o Martín, já vão estar à opção do Geninho. Acho que é uma dor de cabeça boa, vamos dizer assim. Eu vou trabalhar e quem tem a ganhar é só o Vitória”, projetou César.

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