Folião denuncia ter sofrido agressão motivada por homofobia na Barra

salvador
23.02.2020, 23:18:58
Atualizado: 24.02.2020, 12:14:21

Folião denuncia ter sofrido agressão motivada por homofobia na Barra

Jovem seguia trio de Claudia Leitte e postou desabafo no Instagram

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O folião Fernando Almondes usou seu perfil no Instagram (@nandoalmondes) para denunciar que sofreu uma agressão por motivação homofóbica, neste domingo de Carnaval (23), enquanto desfilava atrás do trio da cantora Claudia Leitte, no circuito Barra-Ondina.

De acordo com o relato do jovem, que também exibiu fotos de sua camiseta ensanguentada e do rosto bastante machucado, ele seguia o trio de Claudinha enquanto a cantora entoava We are Carnaval, um hino tradicional da folia baiana. Pouco antes do trio chegar no Cristo, já a caminho de Ondina, o folião afirma ter pedido calma para um homem que dava cotoveladas para proteger um isopor. O homem, então, passou a xingar Fernando Almondes com insultos homofóbicos contra ele e contra outros foliões que seguiam o trio.

“Junto aos insultos vieram empurrões e em um infeliz momento, na tentativa de me defender, escorreguei, bati a cabeça no chão e o agressor me chutou bem no meio da cara. A dor foi instantânea, nunca perdi tanto sangue, sai me rastejando em meio à multidão, correndo o risco de ser pisoteado”, continua o relato do folião.

Ainda segundo o relato de Fernando Almondes, que aproveitava o Carnaval de Salvador pela última vez antes de embarcar para passar uma temporada fora do Brasil, após conseguir sair do meio da multidão, o jovem entrou em um táxi e foi para o hospital, onde tomou 5 pontos no rosto.

Ainda de acordo com ele, a agressão foi denunciada formalmente e ele fez exame de corpo de delito acompanhada por uma major da Polícia Militar (PM).

O CORREIO tentou contato com a Polícia Militar e com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para pegar mais detalhes sobre a agressão sofrida por Fernando Almondes, mas até a última atualização desta reportagem, os órgãos ainda não haviam respondido.

Veja o relato que o folião postou no Instagram:

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O MUNDO PRECISA DE MAIS #RESPEITO! SEMPRE me senti MUITO SEGURO em TODOS os EVENTOS da @claudialeitte justamente pela GRANDE MAIORIA do PÚBLICO ser pertencente a comunidade #LGBTQIA+. O meu clima era de alegria com um misto de despedida, pois em alguns dias estou estou indo estudar fora do país e não faço ideia de quando iria poder estar em outro evento com a cantt’s. Ainda na Barra, @claudialeitte cantava “We are Carnaval” e nem sequer haviamos chegado no Cristo, quando do nada, toda a minha alegria se desfez quando educadamente PEDI CALMA a um homem que EMPURRAVA pessoas e desferia COTOVELADAS para proteger um isopor. Nesse mesmo instante comecei a ouvir INSULTOS de cunho HOMOFÓBICO proferidos a mim e menções também homofóbicas relacionadas ao público do bloco/pipoca da @claudialeitte. Junto aos insultos vieram EMPURRÕES, e em um infeliz momento na tentativa de me defender, escorreguei, bati a cabeça no chão e o agressor me CHUTOU bem no meio da cara. A DOR foi instantânea, nunca perdi tanto SANGUE, sai me RASTEJANDO em meio a multidão, correndo o risco de ser PISOTEADO. A @prefsalvador precisa urgentemente parar de vender o carnaval da Bahia com essa “pluralidade” infinita que não existe de fato e começar e investir pesado em politicas públicas que verdadeiramente tenham eficácia no combate à homofobia. Os gestores públicos, autoridades de segurança, artistas, influenciadores e empresários num geral, precisam assumir a importância socioeconômica da comunidade #LGBTQAI+ pro carnaval no que tange a movimentação da economia com a crescente valorização do turismo. A única coisa que pedimos é respeito! Entrei em um taxi, fui ao hospital, tomei 5 pontos no rosto, denunciei formalmente, mesmo enfrentando diversas dificuldades para ter minha fala legitimada e o crime tipificado como homofobia. Tive o apoio do Psicólogo Gabriel que cuida de um setor especializado em assuntos lgbtqia+ do governo do estado e da Major Maribel -SPP, ambos me acompanharam no exame de corpo de delito juntamente com alguns outros colegas que foram super atenciosos. Agora estou em casa, cuidando da maior dor de todas: A DOR DA ALMA! #homofobia #carnavalsalvador #carnaval2020

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