‘Foram diretamente nela’, diz testemunha de assassinato de mulher na Federação

salvador
06.12.2021, 14:20:00
Atualizado: 06.12.2021, 14:25:13
(Fotos: Reprodução)

‘Foram diretamente nela’, diz testemunha de assassinato de mulher na Federação

Relatos indicam que técnica de enfermagem morta na frente do filho não sofreu tentativa de assalto; polícia investiga

A suposta tentativa de assalto que terminou com a morte, com tiros na cabeça, da técnica de enfermagem Luciene Silva dos Santos, 34 anos, no ponto de ônibus em frente ao cemitério Campo Santo, na noite de sábado (4), causou estranheza em que presenciou o crime, ocorrido pouco antes das 19h30, quando várias pessoas passavam pelo local.

Luciene estava na companhia do filho, de apenas 7 anos, quando foi surpreendida por dois homens numa moto. Ela morreu no local, após receber atendimento de uma equipe do Samu. A criança ficou em estado de choque e foi levada para casa de parentes. 

“Tinha mais gente no ponto. Além dela e o filho, havia um senhor, uma senhora e uma moça, mas os caras foram diretamente nela (Luciene). Chegaram sem dizer nada e atiraram. Deram mais de um tiro e fugiram. Não levaram nada”, contou um rapaz que trabalha na região e que presenciou a abordagem.

Ainda de acordo com ele, o filho da vítima acompanhou todo o trabalho dos paramédicos, na tentativa de salvar a mãe, mas sem sucesso. “A criança ficou em estado de choque e foi retirada do local por uma tia”, relatou. 

Outras pessoas que estavam na hora relataram os momentos de pânico. “O ponto estava cheio, mas com algumas pessoas espalhadas. Na hora, só ouvi os disparos. Como estava de costas, achei que eram fogos em homenagem à Santa Bárbara, pois foi dia dela no sábado, mas ouvi os gritos das pessoas e percebi que na verdade foram tiros”, contou uma mulher que também trabalha próximo ao ponto. 

Outro trabalhador que também atua na região disse que não acredita que Luciene foi vítima de um assalto. “Os tiros foram todos na cabeça, e não foram poucos. Isso não é comum em casos de roubo. Ninguém ouviu falar que os caras anunciaram o assalto. Chegaram e atiraram. Aqui estava tudo tranquilo. Há bastante tempo que a gente não via algo assim acontecer”, disse. 

Polícia
De acordo com a Polícia Militar, que colheu as primeiras informações no local, por volta das 19h30 de sábado (4), policiais militares da 41ª CIPM foram acionados para averiguar denúncia de que dois homens armados a bordo de uma moto tentaram roubar uma mulher e que ela foi atingida por disparos de arma de fogo. "Ao chegarem no local, a guarnição constatou o fato. A vítima não resistiu aos ferimentos. A autoria e motivação serão investigadas pela Polícia Civil", diz nota da PM. 

Em frente ao local do crime existe módulo desativado da Polícia Militar.
Já sobre o crime, a Polícia Civil informou que, inicialmente, a ocorrência foi registrada na 1ª DH/Atlântico, “que vai apurar a autoria e motivação do crime”. 

Pessoa tranquila
Luciene morava na Travessa Rio Verde, no Alto das Pombas, perto do lugar onde foi morta. O CORREIO esteve no local, mas os vizinhos disseram que não havia ninguém no imóvel, que os parentes dela não moravam no bairro, mas que todos foram para o sepultamento de Luciene, na cidade de Ituberá, no baixo sul do estado, onde ela nasceu. 

Eles falaram ainda que ela era uma pessoa tranquila, de pouca conversa. Confirmaram que era técnica de enfermagem e que vivia de casa para o trabalho, numa unidade de saúde. 

Os vizinhos não souberam falar sobre o estado de saúde do filho de Luciene, que testemunhou tudo. No entanto, relataram que ela havia se separado recentemente e que o seu ex não se conformava com o fim da relação. “Não sabemos se há alguma coisa aí, mas que a morte dela está estranha, está. Dizem nos grupos de WhatsApp que ela teria sido ameaça, mas só quem pode dizer isso é a família ou a polícia”, comentou uma moradora.

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