Julgamento que analisa anulação de júri de Kátia Vargas é adiado

salvador
15.07.2019, 11:36:00
((Foto: Betto Jr/CORREIO))

Julgamento que analisa anulação de júri de Kátia Vargas é adiado

Desembargadores irão avaliar pedido no dia 31 de julho às 8h30

O julgamento que definirá se haverá ou não anulação do júri popular que absolveu a médica oftalmologista Kátia Vargas Leal Pereira da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle foi adiado e acontecerá no dia 31 de julho deste ano. A data havia sido marcada para esta quarta-feira (17), mas foi adiada porque no dia haverá sessão extraordinária no Tribunal Pleno.

Ao todo, 20 desembargadores da Seção Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) irão avaliar se o julgamento que a absolveu em dezembro de 2017 deve ser anulado. A sessão ocorrerá no dia 31 de julho às 8h30 e será aberta ao público.

(Foto: Reprodução)

O relator do caso é o desembargador Lourival Almeida Trindade e o revisor é Carlos Roberto Santos Araújo.

Um julgamento na Segunda Turma da Câmara Criminal do TJ-BA em agosto de 2018 decidiu anular o júri popular realizado em dezembro de 2017, que terminou com a absolvição da médica.

Em dezembro de 2017, sete pessoas consideraram que a médica é inocente e, portanto, não provocou a colisão que acabou com a morte dos irmãos, no bairro de Ondina, em Salvador. A decisão, no entanto, foi reformada por desembargadores da Segunda Turma da Câmara Criminal do TJ-BA. Agora, os 20 desembargadores da Seção Criminal decidirão se anulam, ou não, o júri popular que absolveu Kátia. 

Acusação
Kátia Vargas é acusada de ter matado os irmãos Emanuel, 21 anos, e Emanuelle, 23, em outubro de 2013 durante um acidente de carro, em Ondina. Em depoimento, a médica chegou a declarar que 'nunca triscou na moto dos irmãos' e que o que aconteceu foi um acidente, embora não lembre de detalhes do dia.

Um laudo feito pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), divulgado em 2017, disse que a médica estava em perseguição quando atingiu irmãos. A defesa da oftalmologista, no entanto, diz que o documento é "falho".

Após o julgamento que absolveu Kátia Vargas, a mãe dos jovens mortos no acidente, a enfermeira Marinúbia Gomes, ficou bastante abalada. Meses depois, ela ficou esperançosa com a possibilidade de anulação do julgamento e garantiu que a perda dos filhos não ficaria impune.

(Foto: Reprodução)

Relembre o caso
Os irmãos Emanuel, 21 anos, e Emanuelle, 23, morreram na manhã de 11 de outubro de 2013, depois que a moto em que eles estavam bateu em um poste em frente ao Ondina Apart Hotel. Na época, testemunhas disseram que Katia Vargas saiu com o carro da Rua Morro do Escravo Miguel, no mesmo bairro, e fechou a passagem da moto pilotada por Emanuel, que levava a irmã na garupa, no sentido Rio Vermelho.

Após uma parada no sinal, Emanuel teria protestado contra a atitude da médica, batendo com o capacete contra o capô do carro. Foi quando o sinal abriu para a moto, mas não para o carro da médica, que faria um retorno no sentido Jardim Apipema.

A médica, então, segundo as investigações, furou o sinal vermelho e acelerou o veículo em direção à motocicleta. Foi quando Emanuel perdeu o controle da direção e se chocou contra o poste, em alta velocidade. Ele e a irmã morreram na hora. Após o impacto, a médica chegou a entrar na contramão e bateu, alguns metros à frente, no portão do Ondina Apart Hotel.

Ela ficou internada no Hospital Aliança e saiu de lá direto para o Presídio Feminino de Salvador, na Mata Escura, onde ficou presa por 58 dias, até ter o alvará de soltura assinado pelo juiz Moacyr Pitta Lima, no dia 16 de dezembro de 2013.

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